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    ALGODÃO: Brasil caminha rumo à liderança mundial

    Depois da soja e milho, país está prestes a ultrapassar os Estados Unidos como o maior exportador da pluma
    Rafael De Marco
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    Algodão

    O Brasil lidera o comércio internacional de soja há dez anos. Em 2023 puxa o ranking mundial nas exportações de milho. E caminha para a mesma posição em relação ao algodão. Reportagem do Estadão mostra que o País está prestes a ultrapassar os Estados Unidos e passar a puxar a fila entre os exportadores da pluma.

     

    Reportagem da agência internacional Bloomberg reproduzida pelo Estadão aponta que grandes fornecedores mundiais já preveem o avanço brasileiro nas vendas globais neste ano e nos próximos. As estatísticas de previsão de embarque da safra 2023-2024 dos dois países estão praticamente empatadas, e os dados dos EUA devem ser revistos para baixo em consequência do El Nino, que atinge o Texas, maior região produtora americana, com calor extremo e seca.

     

    O material confirma que os efeitos climáticos podem acelerar essa mudança de ranking e devem ser considerados sua principal causa, mas não são o único motivo. “O confronto comercial travado desde 2018 entre EUA e China, as duas maiores potências económicas da atualidade, consolidou um rearranjo no comércio de commodities. O Brasil tem se beneficiado da guerra dos gigantes, elevando suas exportações de commodities para os dois mercados”, cita a reportagem.

     

    CURVA ACENDENTE

    O aumento das vendas para a China e a safra recorde de 2018-2019 fizeram, de imediato, o Brasil passar da quarta para a segunda colocação no ranking exportador de algodão. Por outro lado, os norte-americanos se viram forçados e buscar novos mercados para escoar a produção no mercado internacional.

     

    “Agora, com os prejuízos impostos à produção nos Estados Unidos, uma nova escalada das vendas brasileiras se avizinha. Uma inversão e tanto num cenário que, há apenas duas décadas, levou o Brasil a recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para conter o rolo compressor da política de subsídios adotada pelos Estados Unidos que esmagava os concorrentes”, prossegue a reportagem do Estadão.

     

    GUERRA DO ALGODÃO

    O Estadão lembra que a maior contenda entre Brasil e EUA na OMC ficou conhecida como a "Guerra do Algodão" e se estendeu por mais de dez anos. O excesso de subsídios americanos foi considerado ilegal e o governo americano teve de indenizar o Brasil.

     

    “É importante revisitar os fatos recentes num momento em que a balança pesa favoravelmente para o Brasil no comércio internacional. Os efeitos laterais - benéficos para as exportações brasileiras - não devem se estender por longo prazo. Tampouco a produção brasileira está livre dos efeitos nefastos das reviravoltas climáticas que afetam o mundo todo. Para se firmar na liderança é preciso mais do que contingências externas. Com investimento pesado em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, o setor do agronegócio tem feito a sua parte.”

     

    O Plano Safra 2023-2024, de R$ 364 bilhões, embora abaixo dos R$ 400 bilhões esperados pelo setor, também é satisfatório. “O principal obstáculo a ser removido continua a ser a burocracia governamental, como forma de agilizar investimentos, com incentivos na medida certa. E a meta a ser perseguida é uma agricultura com o menor impacto ambiental e social possível”, finaliza a reportagem.