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    Cana-de-açúcar: o “ouro verde” do agro

    Há quase 500 anos era plantada no Brasil a primeira muda de cana-de-açúcar.
    Marluce Corrêa Ribeiro, Jornalista e Redatora, Agromulher
    Colhedora de Cana John Deere CH950.
    Colhedora de Cana John Deere CH950.

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    Cana-de-Açúcar

    Há quase 500 anos era plantada no Brasil a primeira muda de cana-de-açúcar. Do primeiro engenho brasileiro de cana-de-açúcar, construído no litoral paulista, até as modernas usinas e agroindústrias dos dias atuais, muita coisa mudou. Muitos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, com foco em adequação de processos e uso de tecnologias. Avanços que colocam o Brasil hoje como o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo. Continue sua leitura e conheça os dados impressionantes desta cultura no Brasil e entenda como a mecanização tem contribuído para estes constantes avanços
     
    Desde a infância quando estudamos história do Brasil, aprendemos que a cana-de-açúcar teve um papel importantíssimo durante o processo de colonização das terras brasileiras. A planta que dá origem ao produto encontrou condições ideais de produção no Brasil e, por aqui, durante o Império foi produto agrícola de grande destaque nestas terras e para os portugueses que por aqui chegaram.
     
    A histórica chegada da cana-de-açúcar no Brasil é oficializada no ano de 1532, quando chega ao Brasil a primeira muda de cana, trazida por Martim Afonso de Souza. Foi a partir daí que se deu o início do cultivo na Capitania de São Vicente. Lá, o próprio Martim construiu o primeiro engenho de açúcar. Mas foi no Nordeste, principalmente nas Capitanias de Pernambuco e da Bahia, que os engenhos de açúcar se multiplicaram.
     
    Cana-de-açúcar brasileira em números
     
    De lá para cá, entre idas e vindas, ascensões e quedas, a cana-de-açúcar sempre foi uma figura de referência dentre as culturas agrícolas do Brasil. Não é à toa que, segundo o Censo Agropecuário 2017 , a área colhida de cana-de-açúcar no Brasil foi de m ais de 9 milhões de hectares (IBGE, 2017). Mais da metade está no estado de São Paulo. São mais de 170 mil estabelecimentos que juntos produziram mais de 630 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
     
    E é nesta realidade produtiva que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção de mais de 570 milhões de toneladas para a safra 22/23, uma redução de 1% se comparado com a safra 21/22. Segundo a Conab , esta queda deve-se ao aumento da procura de áreas para plantio de soja e milho que estiveram bem valorizados na última safra. Apesar da redução de área em muitas regiões, há uma expectativa em aumento de produtividade para muitas delas. A média nacional deve fechar em alta de 1,6% em relação à safra 21/22, chegando a 70,484 t/ha.
     
    Inclusive, a Conab estima que, dentre as regiões produtoras, a região sudeste deverá obter uma produtividade melhor do que na safra passada visto que as condições climáticas na maioria dos estados desta região têm sido favoráveis. Espera-se, portanto, para esta região uma média de 72 t/ha. E é com esta produtividade, que as mais de 350 milhões de toneladas de cana-de-açúcar a serem colhidas na região sudeste devem representar 62% da produção nacional.
     
    Quando falamos em subprodutos da cana-de-açúcar, sabemos que temos uma vasta lista, mas não resta dúvidas de que os dois mais importantes para o mercado são o açúcar e o etanol. Segundo a Conab (2022) o Brasil deve produzir um total de 33,89 milhões de toneladas de açúcar nesta safra. E quanto ao etanol total de cana-de-açúcar, o Brasil deve produzir um total de 25,83 bilhões de litros, uma redução de 2,2% em relação à safra 21/22, resultado da redução de oferta de cana-de-açúcar.
     
    Outro aspecto que é detalhado no levantamento da Companhia para cana-de-açúcar é o Açúcar Total Recuperável (ATR). Este indicador representa a soma total dos açúcares contidos na cana-de-açúcar e que são, efetivamente, aproveitados no processo industrial para a produção de açúcar e álcool. O levantamento mostra inclusive que as adversidades climáticas como as geadas ocorridas no ano de 2021 afetaram o ATR nos canaviais do Centro-Sul do país (maior região produtora). Nesta safra, a estimativa de produção de ATR médio é de 133,2 kg/t, uma variação de 6% inferior à safra anterior (Fonte??).
     
    Evolução dos sistemas de colheita: avanço da mecanização
     
    A colheita da cana-de-açúcar no Brasil tem evoluído, do sistema tradicional de colheita manual de cana inteira com queima prévia do canavial, para o sistema de colheita mecanizada de cana picada sem queima do canavial. Várias regiões já contam com o sistema de colheita mecanizada na maioria das áreas, outras regiões ainda contam com boa parte da mão-de-obra manual. Ainda de acordo com a Conab (2022), levantamento da Conab , o índice nacional da colheita mecanizada é estimado em 88,9%, enquanto o uso da colheita manual é de 11,1%.

    Segundo a Conab , na Região Centro-Sul, a colheita com o uso de máquinas é de 97,3%, por possuir um relevo que favorece a mecanização. Diferentemente, a Região Norte/ Nordeste tem 22,9% da colheita mecanizada e ainda um percentual muito elevado no uso da colheita manual, estimado em 77,1%, fortalecendo a necessidade da adoção de tecnologias para uma boa safra
     
    A intensificação da colheita mecanizada é uma realidade devido à evolução tecnológica e promove diversos benefícios, como por exemplo um maior ganho ambiental. Esta evolução resulta, principalmente, em menor emissão de poluentes atmosféricos e na conservação do solo, além de proporcionar maior eficiência e redução dos custos de produção.