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    Colheita da cana: boas práticas agronômicas que otimizam este processo

    O produtor precisa estar cada vez mais atento às boas práticas que otimizam o processo desde o plantio até a colheita para não ter prejuízos no final de cada safra
    Marluce Corrêa Ribeiro, Jornalista e Redatora, Agromulher
    Colhedora de Cana CH950. John Deere.
    Colhedora de Cana CH950. John Deere.

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    Colheita

    Tecnologia

    Cana-de-Açúcar

    Máquinas Agrícolas

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    O processo produtivo da cana-de-açúcar vem sendo cada vez mais tecnificado. Com o uso de tecnologia, a produtividade tem sido incrementada ano após ano. E o produtor precisa estar cada vez mais atento às boas práticas que otimizam o processo desde o plantio até a colheita para não ter prejuízos no final de cada safra. Continue sua leitura e conheça algumas destas boas práticas agronômicas

     

    Ao andar pelas rodovias do Brasil, principalmente na região Sudeste, é muito comum se deparar com vastas lavouras de cana-de-açúcar. Milhares de hectares que envolvem muita tecnologia, muita pesquisa e muito trabalho para manter o Brasil como o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo. Não é à toa que o setor sucroenergético no Brasil é extremamente importante para a balança comercial. A cana-de-açúcar faz parte da história do Brasil desde a colonização e, a cada ano, novos estudos buscam otimizar a produção e torná-la mais produtiva, sustentável e inteligente.

     

    Mas você conhece os produtos oriundo da cana? Sabe tudo que provém desta cultura tão rica? Sabe quais aspectos agronômicos envolvem esta produção? Do etanol, passando pela cachaça, pelo plástico biodegradável, o detergente e os cosméticos, até o açúcar, a cana-de-açúcar possui produtos e subprodutos que estão na casa, na rotina e no movimento dos carros dos brasileiros. E é justamente sobre esta cultura e sobre as boas práticas para sua produção e colheita que trataremos neste artigo. Continue sua leitura e viaje pelo universo produtivo da cana-de-açúcar.

     

    Os desafios da colheita

     

    Apesar de ocupar o posto de maior produtor de cana-de-açúcar do mundo, o Brasil ainda sofre muitas perdas durante o processo produtivo. E a recorrência destas perdas pode ser significativa durante o processo de colheita da cana, gerando grandes prejuízos ao produtor. Por isso, é preciso ter estratégias bem elaboradas e bem executadas em busca de uma colheita eficiente e com redução das perdas.

     

    Muitos fatores operacionais podem gerar perdas nesta fase do processo: regulagem da máquina feita de forma inadequada; velocidade da colheita; entre outros. Entretanto, muitos fatores agronômicos de condução e manejo da lavoura podem ser trabalhados ao longo do ciclo a fim de beneficiar o processo da colheita, como mostraremos a seguir.

     

    Boas práticas agronômicas para a colheita da cana-de-açúcar

     

    Listamos abaixo 5 boas práticas agronômicas que interferem diretamente na colheita da cana-de-açúcar:

     

    1 - Atenção ao espaçamento

     

    Um fator que está diretamente ligado à escolha da cultivar e ao planejamento da lavoura é a definição do espaçamento do plantio. Este fator interfere diretamente na colheita e na possibilidade de utilização do maquinário sem que este danifique as touceiras e prejudique a rebrota.

     

    Além disso, este espaçamento (que é definido a partir de cada variedade, região e sistema de plantio) é um dos responsáveis pelas condições ideias de desenvolvimento das plantas com acesso às quantidades ideais de água, luz e nutrientes fornecidos à lavoura por meio de cada manejo. Por sua vez, estas condições ideias interferem diretamente na qualidade final e no rendimento industrial da cana moída na indústria.

     

    2 – Preparo do solo e manejo nutricional

     

    Outros fatores muito importantes no cultivo da cana-de-açúcar é a condição do solo de cada talhão, o relevo e a facilidade de acesso dos maquinários. Isso interfere em todos os manejos durante o ciclo da cultura.

     

    É preciso observar, desde a instalação da lavoura, a localização da área e também as condições químicas, físicas e biológicas do solo. Quando falamos em condições químicas, trata-se de parâmetros de nutricionais e de acidez de solo, a partir dos quais é possível recomendar manejos como calagem, gessagem, fosfatagem e adubações gerais ao longo do ciclo.

     

    Antes de iniciar o plantio, solo é importante que a condição do solo seja avaliada para definição da necessidade ou não do revolvimento por meio da aração e gradagem. Lembrando que a cana é considerada uma cultura semi-perene e pode ficar instalada por cerca de 5 até 6 anos (tempo em que o solo não poderá ser revolvido em área total). Por isso, a importância cada vez mais do uso de tecnologias que auxiliem no tráfego controlado de máquinas, o que pode garantir a passagem sempre nas mesmas linhas, reduzindo a compactação do solo nas lavouras.

     

    E do ponto de vista biológico, é importante estar atento à biologia deste solo e de que forma é possível incrementar esta comunidade microbiana que traz inúmeros benefícios à cultura.

     

    São situações que precisam ser estudadas caso a caso para tomadas de decisão assertivas e inteligentes do ponto de vista químico, físico e biológico do solo. E tudo isso interfere diretamente na qualidade do produto colhido e na eficiência do processo de colheita.

     

     

    3 – Manejo de plantas daninhas

     

    Um ponto desafiador do cultivo da cana-de-açúcar é o manejo das plantas daninhas . Neste ponto, o produtor precisa entender que o uso do herbicida deve ser uma das estratégias dentro de um manejo mais completo. É importante lembrar que caso estas plantas daninhas não sejam manejadas de forma eficiente haverá um grande prejuízo produtivo por conta da matocompetição, além do aumento da dificuldade operacional na colheita e possibilidade de dispersão de sementes destas plantas daninhas a longas distâncias.

     

    Este manejo inteligente deve abordar, além do uso do herbicida, a integração de práticas agrícolas desde o preparo do solo, a definição do espaçamento, a condução da soqueira, entre outros aspectos importantes. Este manejo deve ser feito de forma inteligente avaliando tanto o aspecto técnico quanto o operacional e econômico, uma vez que este manejo de plantas daninhas geralmente é responsável por um significativo aumento do custo de produção da cana-de-açúcar. Por isso, é preciso estudar caso a caso e definir qual a melhor estratégia a ser adotada para este manejo. O controle das plantas daninhas vem então como uma estratégia de redução de perdas na produtividade.

     

    4 – Definição do ponto de colheita e verificação das condições ideais

     

    Um ponto muito importante dentro do processo de produção da cana-de-açúcar é a definição do ponto de colheita que está diretamente ligado ao teor de açúcar da cana que, por sua vez, depende do índice de maturação das plantas. Geralmente, este teor é analisado com o uso do refratrômetro de campo. Com esta análise, é possível definir o ponto exato da colheita para que o rendimento de açúcar seja o esperado quando esta cana for moída na indústria.

     

    Outro aspecto importante na definição do momento ideal para colheita são as condições climáticas para tal operação. É extremamente importante que estas condições climáticas estejam favoráveis para que a qualidade do material colhido seja mantida e não haja prejuízos. Este também é um dos motivos pelos quais reiteramos a importância do planejamento e do plantio dentro das janelas ideais para cada região.

     

    5 – Investimento em tecnologias e agricultura de precisão

     

    E diante de tantos desafios na produção de uma cultura como a cana-de-açúcar, as tecnologias e o uso da agricultura de precisão durante todo o ciclo vêm para facilitar o manejo e otimizar o uso do tempo e de recursos. Máquinas cada vez mais inteligentes buscam aumentar a rentabilidade e facilitar as operações que alguns anos atrás eram exclusivamente manuais.

     

    Desta forma, os produtores têm entendido que o uso destas tecnologias permite a redução do desperdício de insumos com o uso da aplicação em taxa variável, por exemplo; a otimização do tempo para cada operação; o monitoramento inteligente com o uso de veículos aéreos não tripulados ou até mesmo imagens de satélite,a mensuração assertiva de resultados de colheita com a inteligência e tecnologias embarcadas nas colheitadeiras; além de inúmeros outros investimentos possíveis em um universo a favor de uma agricultura cada vez mais inteligente e sustentável.