CONECTA NEWS – 03/02/2022

Fique ligado nas principais notícias do agronegócio no Brasil e no mundo. O conteúdo do Conecta News é uma parceria com o SAFRAS & MERCADO por meio da Agência SAFRAS

Agricultura

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TRIGO: Chicago fecha no limite de alta e se aproxima de recorde
A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou com preços acentuadamente mais altos. O mercado manteve a escalada a caminho do maior patamar da história, impulsionado pelos temores quanto ao fornecimento do grão da Ucrânia e da Rússia. As vendas líquidas norte-americanas de trigo, referentes à temporada comercial 2021/22, que tem início em 1o de junho, ficaram em 300.000 toneladas na semana encerrada em 24 de fevereiro. Representa um recuo de 42% frente à semana anterior e um aumento de 54% sobre a média das últimas quatro semanas. Destaque para a venda de 90.100 toneladas para o México. Para a temporada 2022/23, foram mais 69,8 mil toneladas. Analistas esperavam exportações entre 250 mil e 875 mil toneladas, somando-se as duas temporadas. As informações são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No fechamento de hoje, os contratos com entrega em março de 2022 eram cotados a US$ 11,34 por bushel, ganho de 75,00 centavos de dólar, ou 7,08%, em relação ao fechamento anterior. Os contratos com entrega em maio de 2022 eram negociados a US$ 11,16 1/4 por bushel, alta de 75,00 centavos de dólar, ou 7,2%, em relação ao fechamento anterior.

AÇÚCAR: Exportação atingiu 1,720 milhão de toneladas em fevereiro – Secex
A receita diária média obtida com as exportações brasileiras de açúcar e outros melaços foi de US$ 34,353 milhões em fevereiro nos dados fechados para o mês, com dezenove dias úteis. Já o volume médio diário de exportações atingiu 90,553 mil toneladas. As informações partem da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Foram exportadas 1.720.513 toneladas de açúcar em fevereiro, com receita total de US$ 652,711 milhões e um preço médio de US$ 379,40 por tonelada. Na comparação com a média diária de fevereiro de 2021, de US$ 32,691 milhões, houve aumento de 5,1% no valor obtido diariamente pelas exportações de açúcar em fevereiro de 2022. Em volume, houve recuo de 10,7%, ante as 101,347 mil toneladas diariamente embarcadas em fevereiro de 2021. Já o preço médio subiu 17,6%, ante os US$ 322,6 por tonelada verificados em fevereiro de 2021.

TRIGO: Guerra afeta Brasil via Argentina, dólar e fertilizantes
O Brasil não importa grandes volumes de trigo russo. A Ucrânia não está entre os fornecedores do cereal aos moinhos brasileiros. Ainda assim, a guerra envolvendo os dois países do Mar Negro tem impacto sobre o mercado brasileiro. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento, o corte da disponibilidade de trigo exportável e a manutenção da demanda firme, uma vez que o grão é um alimento de consumo diário em praticamente todo o mundo, fazem os preços se elevarem globalmente. 
Sem o maior e o quarto maior vendedor do produto, os compradores buscam alternativas. A Argentina, que na atual temporada brasileira - entre agosto de 2021 e janeiro de 2022 - forneceu mais de 90% dos 2,6 milhões importados e que, recentemente, colheu a maior safra de sua história, está entre essas alternativas. 
Os primeiros impactos da alta das cotações nas Bolsas norte-americanas e em outros fornecedores já são sentidos no trigo argentino. A base de venda, que antes do início da guerra estavam em torno de US$ 300/tonelada, atualmente está por volta de US$ 320/tonelada (6,7%). O trigo hard norte-americano - de qualidade semelhante ao argentino - é indicado para exportação no Golfo do México por mais de US$ 430/tonelada. "Isso deixa claro que ainda há margem para que o produto do vizinho brasileiro se eleve", salientou o analista. 
As indicações diárias divulgadas pelo Governo argentino saíram de cerca de US$ 320 antes do início da guerra para US$ 360/tonelada. "É bom lembrar que a liderança do Executivo na Argentina sempre deixou clara a política de eventual intervenção nas exportações de produtos que se elevem repentinamente de preços e que possam impactar o abastecimento interno. Intervenções já foram feitas no mercado de carnes. Além disso, entre 2008 e 2014, o mesmo partido que governa o país atualmente adotou uma política de restrição de exportações de trigo. 
A safra atual é recorde e possibilita um saldo exportável de 15 milhões de toneladas. Porém, em se tratando de um produto diretamente ligado à segurança alimentar, além da Argentina, não será novidade se grandes fornecedores taxarem ou suspenderem as vendas externas. Mais uma vez, tudo dependerá da extensão do atual conflito", analisou. De qualquer forma, os reflexos da alta de preços gerada pela guerra chegarão aos agentes do mercado doméstico de trigo via paridade com as cotações do mercado externo. O preço pago ao trigo importado será o preço alvo da pedida dos fornecedores locais. "Pode-se dizer que essa paridade com o exterior é a linha de resistência para a elevação do trigo no Brasil: a partir desse ponto é mais interessante comprar no exterior. Também é importante lembrar que o Brasil, em especial o Rio Grande do Sul, tem se firmado com um exportador do cereal", disse. Na atual temporada 21/22, estima-se que mais de 2,0 milhões dos 3,42 milhões de toneladas da safra gaúcha irão para o exterior. 

CAFÉ: Embarques de fevereiro fecharam em 3,475 milhões de sacas – Secex
As exportações brasileiras de café em grão em fevereiro fecharam em 3,475 milhões de sacas de 60 quilos no acumulado do mês, contando 19 dias úteis (média diária de 182.905 sacas), com receita chegando a US$ 828,050 milhões (média diária de US$ 43,581 milhões), e preço médio de US$ 238,27 por saca. A receita média diária obtida com as exportações de café em grão em fevereiro foi 89,7% maior no comparativo com a média diária de fevereiro de 2021, que fora de US$ 22,975 milhões. Já o volume médio diário embarcado foi 3,4% maior que o de fevereiro de 2021, que tinha o registro de 176.943 sacas diárias de média. O preço médio, por sua vez, disparou 83,5%. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

CAFÉ: NY despenca com temores de efeitos na demanda da guerra Rússia-Ucrânia
A Bolsa de Mercadorias de Nova York (Ice Futures US) para o café arábica encerrou as operações desta quinta-feira com preços acentuadamente mais baixos. As cotações voltaram a despencar nesta quinta-feira em meio aos temores dos efeitos da guerra Rússia-Ucrânia na economia global e sobre a demanda pelo café. Tecnicamente, o mercado ainda se afastou bem da linha de US$ 2,30 a libra-peso, chegando na mínima do dia para maio a 221,75 centavos. Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, a recente alta do petróleo não garantiu valorização em todas as commodities. Algumas acabam repercutindo os sinais negativos vindos com as sanções impostas à Rússia. "O cenário aponta para desaceleração da atividade, inflação mais alta e possibilidade de recessão global. Com isso, uma revisão para baixo nas projeções de demanda. Esse é caso de algodão e café, que andam na contramão do índice CRB e acumulam fortes perdas desde o final da semana passada", comenta Barabach. A Europa é o principal mercado para o café, absorvendo 54,5 milhões de sacas de um total consumido mundialmente de 167,7 milhões de sacas em 2020, segundo a OIC, como salienta o consultor. A região responde por 33% do consumo global da bebida. "Se reduzir somente ao consumo dos países importadores, o percentual de participação da Europa sobe para 47%. Uma região muito importante para demanda de café e que deve sofrer bastante com uma eventual extensão do conflito no Leste da Europa", adverte. Os contratos com entrega em maio/2022 fecharam o dia a 222,90 centavos de dólar por libra-peso, queda de 6,30 centavos, ou de 2,7%. A posição julho/2022 fechou a 221,65 centavos, desvalorização de 6,50 centavos, ou de 2,8%.

MILHO: Mercados dependerão de sanções do Ocidente à Rússia
O mercado de milho vem sendo impactado pela alta nos preços do petróleo e do trigo, bem como pelas dificuldades de exportação registradas na Ucrânia em razão dos conflitos com a Rússia. A avaliação é do consultor de SAFRAS & Mercado, Paulo Molinari. Conforme Molinari, há preocupações neste momento em como se dará o plantio da safra ucraniana em maio, o que pode afetar a safra 2022/23, bem como nas mudanças que deverão ocorrer em toda a região, inclusive na China. "A partir de agora, os mercados dependerão mais das sanções e dos embargos colocados pelo Ocidente à Rússia do que necessariamente do quadro de guerra", avalia. 
O analista elenca diversos efeitos potenciais para os preços das commodities do agronegócio na Ucrânia. "Diante da ruptura da Ucrânia pela Rússia, sintoma que vinha sendo desenhado pelo mercado internacional há dias, algumas avaliações precisam ser preponderantes", ressalta. Entre elas estão: 
- A Ucrânia foi é terceiro maior exportador de milho em 2021/22, com 33 milhões de toneladas, portanto, tem peso no abastecimento da Europa e da China, além de ser um grande exportador de trigo; 
- A Rússia é o maior exportador de trigo mundial, portanto, tem participação fundamental no quadro global desta commodity e dos seus concorrentes como o milho, substituto em partes da demanda de trigo; 
- A Ucrânia é um grande exportador de óleo de girassol. É claro, se houver problemas para vendas desta commodity a demanda da Europa terá que ser suprida com óleo de soja ou de palma da Malásia; 
- Por este motivo, o trigo é o que lidera as altas na Bolsa de Chicago, seguido do milho e depois do óleo de soja; 
- A maior parcela do fluxo de comércio destas commodities no Leste Europeu e Rússia é realizado pelo Mar Negro. Se os portos regionais forem fechados por um avanço da guerra e o fluxo de mercadorias for paralisado, os importadores mundiais precisarão buscar outros mercados, neste caso do trigo: EUA, Argentina e Austrália. Se não houver o milho da Ucrânia terão que buscar nos EUA e Argentina no curto prazo; 
- A possibilidade de um agravamento da guerra é um ponto muito sensível, sem dúvida. Porém, os mercados estão aguardando os comunicados dos embargos comerciais e econômicos que o Ocidente está impondo à Rússia. Se o Ocidente não puder comprar trigo, petróleo e derivados, fertilizantes e gás da Rússia, poderemos ter um colapso de abastecimento global; 
- A participação da Rússia no mercado de energia é expressiva. As altas do petróleo alimentam a demanda por etanol e biodiesel, consequentemente milho e óleo de soja; 
- O quadro é mais delicado para o trigo e para o milho, já que na soja a região tem pouca participação global; 
- É importante frisar, que não falta milho nem soja nos EUA e os preços altos na atual condição são referência de venda para o produtor local; 
- A grande questão agora para o trigo e o milho é a duração da guerra, como ficam os portos da Ucrânia e os compromissos de exportação, a substituição das vendas da Ucrânia e Rússia por outras origens na América do Sul e do Norte, e as sanções.

CARNE SUINA: Exportações atingem 64,061 mil toneladas em fevereiro – Secex
As exportações de carne suína "in natura" do Brasil renderam US$ 137,915 milhões em fevereiro (19 dias úteis), com média diária de US$ 7,258 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 64,061 mil toneladas, com média diária de 3,371 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.152,90. Em relação a fevereiro de 2021, houve baixa de 24,6% no valor médio diário da exportação, recuo de 15,1% na quantidade média diária exportada e desvalorização de 11,2% no preço médio. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

FERTILIZANTES: Importações somam 2,94 milhões de toneladas em fevereiro – Secex
As importações de fertilizantes do Brasil envolveram US$ 1,62 bilhão em fevereiro (19 dias úteis), com média diária de US$ 85,44 milhões. A quantidade total de fertilizantes importada pelo país ficou em 2,94 milhões de toneladas, com média de 154,5 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 553,00. Em relação a fevereiro de 2021, houve alta de 112,6% no valor médio diário da importação, perda de 7,1% na quantidade média diária importada e valorização de 128,9% no preço médio. Os dados são do Ministério da Economia e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

SOJA: Exportações da Ucrânia caem de setembro a fevereiro
As exportações de soja em grão da Ucrânia atingiram 882,9 mil toneladas entre setembro de 2021 a fevereiro de 2022, um recuo sobre igual período da safra passada, quando somou 1,16 milhão de toneladas, de acordo com dados oficiais. A Turquia liderou as compras. Os números foram divulgados pela APK-Inform.

CARNES: Exportação de aves atinge 339,750 mil toneladas em fevereiro – Secex
As exportações de carne de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas do Brasil renderam US$ 586,469 milhões em fevereiro (19 dias úteis), com média diária de US$ 30,866 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 339,750 mil toneladas, com média diária de 17,881 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 1.726,20. Em relação a fevereiro de 2021, houve alta de 17,5% no valor médio diário, perda de 0,60% na quantidade média diária e avanço de 18,2% no preço médio. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

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