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    CONECTA NEWS – 09/11/2022

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    CONECTA NEWS – 09/11/2022
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    BBF inaugura nova usina de soja no Pará
    A Brasil BioFuels (BBF), empresa brasileira que atua no agronegócio sustentável desde o cultivo da palma de óleo, produção de biocombustíveis e geração de energia renovável, vai inaugurar uma nova usina extrusora de soja no município de, localizado no sudeste do Estado do Pará. Com a nova planta, o Grupo BBF, que já é o maior produtor de óleo de palma da América Latina, seguediversificando seu portfólio de produtos e contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico da região Norte do país. As informações partem da assessoria de comunicação da BBF. 
    O objetivo do Grupo BBF com a nova extrusora é suprir a demanda local pelo farelo de soja para nutrição animal, bem como baratear o custo do produto no Estado. Além da fabricação da sua própria linha de produtos, a BBF disponibilizará sua estrutura para que produtores locais possam processar sua soja na nova extrusora da BBF. "O Estado do Pará vem crescendo ano a ano sua participação na produção de soja no Brasil e a BBF, atenta à essa tendência, investe em um novo ativo agroindustrial para acelerar a produção dos derivados de soja na região, proporcionando produtos de alta qualidade e custo competitivo" destaca Milton Steagall, CEO do Grupo BBF. 
    A participação do Estado do Pará nos mercados de suinocultura, avicultura e pecuária vem crescendo exponencialmente e a qualidade do farelo de soja produzido pela BBF para suprir as demandas nutricionais é um diferencial para a região. O produto da nova extrusora da BBF se destaca por ter em sua composição maior valor energético, com cerca de 12% de óleo (extrato etéreo), e a garantia de 41% de proteína vegetal. Como referência, o farelo de soja atualmente disponível na região, em sua grande maioria, possui baixíssimo nível de óleo na sua composição, próximo a zero. Essa característica cria a necessidade de complementação na nutrição animal, gerando maior complexidade e maior custo para o granjeiro e agropecuarista. Além de oferecer um farelo mais nutritivo, a nova extrusora atende todos os requisitos de sustentabilidade.
    A operação da nova planta tem o conceito "zero resíduos", toda a matéria-prima será aproveitada na composição dos produtos e em seu processo produtivo. Além disso, a BBF realizou com rigor todas as análises e contribuiu com as projeções de impacto solicitados pelo poder público para definição da implementação da sua nova extrusora. A BBF já obteve as autorizações do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e da SEMMA (Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente) e iniciará a operação comercial da nova extrusora ainda neste mês de outubro. Até o final de 2022, a nova planta terá capacidade de processar até 4.800 toneladas de soja mensalmente.
    O novo investimento do Grupo BBF reforça seu compromisso no desenvolvimento socioeconômico e ambiental no Estado do Pará, onde a Companhia conta com quatro Polos de produção de palma de óleo, situados na região do Vale do Acará e no baixo Tocantins. São cerca de 56 mil hectares de palma de óleo plantadas em terras próprias e 3,8 mil hectares em projetos de Agricultura Familiar, que têm como referência o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar PRONAF ECO DENDE. A BBF atua na região norte do país desde 2008, com objetivo de descarbonizar a floresta amazônica gerando desenvolvimento socioeconômico e preservação ambiental. A empresa gera mais de 6.000 empregos diretos e 18.000 empregos indiretos na região norte, gerando renda para agricultores, trabalhadores rurais e comunidades que vivem nos 5 estados da região norte do Brasil onde a empresa atua. 

    NY fecha com perdas acompanhando desvalorização do petróleo e observando USDA
    A Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures) para o algodão fechou com preços mais baixos nesta quarta-feira. As cotações caíram no dia diante da desvalorização do petróleo e com alta do dólar contra outras moedas. As apreensões com a demanda global diante da recessão e agora aumento de casos da covid na China e outros países pesaram sobre os preços. E o dia foi de divulgação do relatório de oferta e demanda de novembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
    Enquanto o USDA elevou a estimativa da produção americana, houve corte nos números globais. O USDA estimou a produção de algodão dos EUA na temporada 2022/23 em 14,03 milhões de fardos, ante 13,81 milhões no mês anterior. Para a safra 2021/22, são esperados 17,52 milhões de fardos. As exportações deverão ficar em 12,5 milhões de fardos em 2022/23, mesmo valor no mês anterior. O consumo interno foi previsto em 2,3 milhões de fardos para 2022/23, mesmo valor no mês passado. Baseado nas estimativas de produção, exportação e consumo, os estoques finais norte-americanos foram previstos em 3 milhões de fardos para a temporada 2022/23, ante 2,8 milhões no mês anterior. Na temporada 2021/22, foram 3,75 milhões de fardos. O USDA estimou a produção global de algodão em 116,43 milhões de fardos, ante 118,05 milhões no mês anterior. Para 2021/22, são esperados 115,76 milhões de fardos. As exportações mundiais de algodão foram estimadas em 43,2 milhões de fardos para 2022/23, ante 43,61 milhões no relatório anterior.
    A estimativa para o consumo mundial é de 114,95 milhões de fardos, ante 115,6 milhões no mês anterior. Os estoques finais foram projetados em 87,27 milhões de fardos, ante 87,87 milhões de fardos projetados no mês passado. Na safra 2021/22, eram esperados 85,64 milhões de fardos. A expectativa é que a China colha 28 milhões de fardos na temporada 2022/23, mesmo nível do mês passado. A produção do Paquistão para 2022/23 foi prevista em 4,5 milhões de fardos, ante 5,2 milhões de fardos no mês passado. O Brasil tem a safra 2022/23 estimada em 13 milhões de fardos, mesmo patamar do relatório anterior. A produção indiana de algodão deve chegar a 27,5 milhões de fardos em 2022/23, mesmo nível da safra passada. Os Estados Unidos deverão colher 14,03 milhões de fardos em 2022/23, ante 13,81 milhões de fardos no mês passado. Os contratos com entrega em dezembro/2022 fecharam o dia a 86,50 centavos de dólar por libra-peso, desvalorização de 1,18 centavo, ou de 1,3%. A posição março/2023 fechou a 84,73 centavos, perda de 1,01 centavo, ou de 1,2%. 

    CARNE SUINA: Exportações para China devem sustentar produção brasileira
    A oferta global de carne suína deve seguir pressionada em 2023, resultado da desaceleração da produção na China a partir da segunda metade deste ano e das expectativas de novas quedas nos abates da União Europeia e Reino Unido, por conta do forte aumento dos custos de produção da alimentação e da energia. A questão sanitária ligada a PSA também tem sido outro fator importante, já que o número de regiões atingidas tem aumentado em relação ao ano anterior. Considerando os maiores países produtores e exportadores da Europa, com exceção da Espanha (que deve avançar em 1% a produção este ano sustentada pelas exportações para China), os outros países devem registrar quedas na oferta, cenário que deve se manter no próximo ano. As informações partem do estudo do Rabobank intitulado Perspectivas para o agronegócio brasileiro 2023.
    No caso da China, a forte liquidação no rebanho de matrizes reprodutoras, que se iniciou na metade do ano passado e se intensificou no início de 2022 devido aos baixos preços no mercado local, resultou em queda de 6,3% nos estoques de porcas no segundo trimestre deste ano no comparativo anual. Tal redução dessa categoria animal impactou diretamente no potencial produtivo de carne suína, que vinha de forte recuperação, e forçou a retomada das importações a partir do segundo semestre deste ano para atender a demanda doméstica e recompor os estoques estratégicos controlados pelo governo.
    Na nossa visão, este novo ciclo na suinocultura chinesa, focado na estabilização dos preços e da produção, devem continuar trazendo oportunidades para o Brasil em termos de demanda, não somente pela competitividade em termos de preços, mas também, pelo potencial de oferta e pela segurança sanitária. Para 2023, projetamos que as compras chinesas no mercado externo devem retomar, se elevando entre 5 e 10% com relação ao ano anterior. Vale lembrar que a chegada sazonal das estações mais frias na Ásia e Europa devem elevar também o número de novos casos de PSA e Covid-19. Com relação a PSA, a suspensão dos testes com a vacina no Vietnã e na China devido aos registros de mortes após a aplicação, deve trazer um desafio adicional para algumas regiões no controle do vírus por conta do mascaramento dos sintomas nos animais que foram vacinados e supostamente contaminados. Existe uma expectativa maior com relação à política de enfrentamento da Covid-19 pelo governo chinês. Conforme visto este ano, a política de tolerância zero e a aplicação de lockdowns em grandes centros consumidores teve impacto direto tanto no consumo local como nos indicadores econômicos dessas regiões. Existe uma expectativa de maior flexibilização nas medidas, que serão adotadas nessa temporada. Fato que deve favorecer principalmente o setor de foodservice.
    Os riscos sanitários para o Brasil com relação a PSA ficam por conta do Haiti e da República Dominicana, que ainda mantêm a notificação de casos novos e ativos. Porém, a situação parece sob controle até o momento, com o vírus ainda limitado ao território desses dois países. Em partes, isso se deve aos esforços dos vizinhos, México e EUA, que têm elevado os investimentos na região para evitar a dispersão do vírus para outros locais na região. No mercado brasileiro, a forte queda nas margens no início do ano ocorreu devido à combinação de queda sazonal nos preços do suíno vivo e aumento recorde nas cotações da ração, o que impactou negativamente o setor produtivo, principalmente, o produtor independente. O aumento no descarte de matrizes como forma de reduzir os custos e potencializar as margens corroborou para elevação da produção na primeira metade do ano. Mas vale lembrar, que uma parcela dos produtores integrados, mesmo com a pressão nas margens, conseguiu manter o ritmo de produção, especialmente devido à melhora na eficiência e/ou bons posicionamentos com relação à compra e armazenagem de ração. 
    Para 2023, a expectativa de plantio recorde de grãos, caso não ocorram grandes interferências do clima e no conflito entre Ucrânia e Rússia, deve elevar a oferta no mercado doméstico e reduzir os patamares de preços do insumo que representa entre 70% e 75% dos custos de produção. Um dos principais desafios deve estar no mercado doméstico, que viu este ano viu melhora no consumo guiado pelo aumento na demanda por produtos processados e embutidos. 

    SOJA: Chicago fecha com preços mistos, avaliando USDA, nova vendas e safra recorde no Brasil
    Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quarta-feira com preços mistos. Em dia de relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), houve muita volatilidade. As primeiras posições subiram e as mais distantes caíram. Os primeiros contratos se recuperaram com base em novas vendas por parte dos exportadores privados americanos. Desta vez foram 264 mil toneladas para a China e 198 mil toneladas para destinos não revelados. As posições mais distantes foram pressionadas pelos números do USDA, que mostraram estoques e safra americana acima das previsões. 
    Além disso, o petróleo despencou e as expectativas são favoráveis sobre a safra brasileira. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou produção recorde de 153,5 milhões de toneladas. O relatório de novembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que a safra norte americana de soja deverá ficar em 4,346 bilhões de bushels em 2022/23, o equivalente a 118,3 milhões de toneladas. A produtividade foi indicada em 50,2 bushels por acre. Em outubro, as indicações eram de 4,313 bilhões de bushels - 117,4 milhões de toneladas - e 49,8 bushel, respectivamente. O mercado apostava em número de 4,324 bilhões de bushels para a safra ou 117,7 milhões de toneladas. Os estoques finais estão projetados em 220 milhões de bushels ou 5,98 milhões de toneladas, contra 200 milhões do relatório anterior, ou 5,44 milhões de toneladas. O mercado apostava em carryover de 215 milhões ou 5,85 milhões de toneladas. O USDA indicou esmagamento em 2,245 bilhões de bushels e exportação de 2,045 bilhões. No mês passado, a previsão era de 2,235 bilhões e de 2,045 bilhões, respectivamente.
    O relatório projetou safra mundial de soja em 2022/23 de 390,53 milhões de toneladas. Em outubro, a projeção era de 390,99 milhões de toneladas. Os estoques finais estão estimados em 102,17 milhões de toneladas, contra 100,52 milhões de toneladas de outubro. O mercado esperava por estoques finais de 100,9 milhões de toneladas. Os contratos da soja em grão com entrega em janeiro fecharam com alta de 5,50 centavos ou 0,38% a US$ 14,52 por bushel. A posição março teve cotação de US$ 14,57 1/4 por bushel, com ganho de 4,00 centavos de dólar ou 0,27%. Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 1,70 ou 0,40% a US$ 417,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 75,54 centavos de dólar, com ganho de 0,51 centavo ou 0,67%.
     
    CARNE DE FRANGO: Exportações devem continuar tendo oportunidades
    O cenário de desaceleração econômica mundial tem impulsionado a demanda por carnes mais baratas como o frango. Desafios pelo lado da oferta, como os altos custos da ração, escassez de mão de obra, elevados fretes marítimo e rodoviário, encarecimento da energia elétrica e os desafios sanitários, como a gripe aviária, devem corroborar para equilibrar o balanço entre oferta e demanda no próximo ano. As informações fazem parte do estudo do Rabobank Perspectivas para o agronegócio brasileiro 2023. 
    A China ainda se mantém como principal destino da carne de frango brasileira, porém, o aumento da sua produção local nos últimos anos e a recuperação da produção de carne suína têm reduzido os níveis de importação do país asiático, tendência que deve se manter no curto prazo. Para 2023, projetamos que a produção chinesa deve se elevar em 3% no comparativo anual, o que deve reduzir ainda mais a dependência do mercado externo. Vale lembrar que além da PSA, a gripe aviária de alta patogenicidade também se mantém ativa no território chinês e, a chegada sazonal das estações mais frias no final do ano devem aumentar novamente o número de novos casos, impactando a produção e a cadeia de suprimentos. Com relação aos anos anteriores, os riscos de novas barreiras comerciais ainda são uma realidade de alto risco para o setor devido à baixa previsibilidade, porém, a menor dependência do mercado chinês e a melhor distribuição das vendas em termos geográficos e de novos destinos, reduzem as chances de maiores perdas em caso de novos embargos.
    Comparando o número de países importadores das três principais carnes brasileiras, bovinos, frango e suínos, a carne de frango tem acessado mais destinos analisando os dados parciais deste ano, com um número de 163 países compradores. Os esforços dos exportadores para diversificar os destinos têm funcionado, já que China e Arábia Saudita, que nos últimos foram os maiores importadores de carne de frango do Brasil, atualmente representam apenas 12% e 7% do total embarcado, respectivamente. No comparativo anual até setembro, a China reduziu em 17% o volume comprado e a Arabia Saudita 10%, e mesmo assim, quando olhamos os dados agregados deste ano, as exportações brasileiras devem bater recorde tanto em volume quanto em faturamento, com um aumento de 4 a 5% nos embarques em volume. No acumulado de janeiro a setembro, as exportações registraram elevação de 5% em volume e 31% em faturamento, ou seja, os repasses das altas nos custos de produção têm sido absorvidos pelo mercado internacional, que também tem elevado a competitividade pela carne brasileira.
    A China se mantém como principal importador, seguido dos Emirados Árabes, que têm registrado aumento de 32% nos embarques, e do Japão com ligeira queda de 1% no mesmo período. Destaque para União europeia e Reino Unido, que no próximo mês deve ultrapassar a Arábia Saudita como 4o maior destino e com elevação de 18% nas compras brasileiras. Filipinas, Singapura e Coreia do Sul também têm avançado fortemente suas importações, com aumentos de 42%, 61% e 48%, respectivamente, no mesmo período. O México avançou em 23% as compras do Brasil, após reduzir a zero as taxas de importação (parte da estratégia de reduzir a inflação local).
    Para o próximo ano, a forte competitividade do Brasil no mercado externo em termos de preço, somado ao potencial de manter os níveis de exportação, deve continuar trazendo oportunidades e com isso, projetamos um novo aumento de 3% no volume embarcado no comparativo anual. A questão sanitária deve ter atenção redobrada nos próximos meses dado à confirmação recente de dois focos de gripe aviária de alta patogenicidade na Colômbia. A América do Sul era uma das poucas regiões que ainda não haviam sido afetadas pelo vírus no passado recente e devido aos riscos de dispersão da doença por aves migratórias (diferentemente da PSA, que tem o javali selvagem como principal agente dispersor via terrestre), os riscos se elevam ainda mais. Medidas para reduzir os riscos de contaminação já foram tomadas nos últimos dois anos por conta da Covid-19, e com o aumento dos riscos de contaminação pela gripe aviária, novas medidas devem estar sendo tomadas também dentro das granjas produtoras.
    Com relação ao mercado doméstico, a carne de frango é a proteína animal mais beneficiada em termos de consumo nesses anos de pandemia. Nos últimos dois anos, o aumento acumulado no consumo per capita dessa proteína registrou alta de quase 9%, porém os dados parciais deste ano já mostram sinais de saturação na demanda doméstica. Com a expectativa de retomada na oferta de carne bovina no próximo ano, pelo aumento nos estoques de machos e elevação dos abates das fêmeas, a competitividade com relação à carne de bovina será maior, e a menor diferença de preços entre as carnes somado ao forte apelo cultural de parte da população devem limitar a continuidade do ritmo de aumento de consumo per capita da proteína animal mais consumida no país. Vale lembrar que o consumo per capita de carne bovina registrou em 2021 o menor volume dos últimos 16 anos, chegando a 27,8 kg. Já os custos de produção, principalmente da ração, as expectativas de aumentos recordes de área plantada de grãos devem reduzir os preços médios comercializados com relação a este ano. Variáveis importantes como o clima e o conflito entre Ucrânia e Rússia devem ser pontos de atenção. O frete marítimo e a logística interna também devem ser monitorados para o próximo ano, dado o cenário de preços ainda em patamares elevados. O Rabobank projeta crescimento de 1,5% na produção de carne de frango para o próximo ano no comparativo anual, sustentados principalmente pelo setor de exportação. PONTOS DE ATENÇÃO Aumento da competitividade com relação à carne bovina deve ser um dos maiores desafios do mercado doméstico no próximo ano. Vale lembrar que o consumo per capita de frango em 2021 foi próximo de 50 kg/habitante e o mercado já deu sinais de saturação na demanda neste ano. Riscos sanitários aumentam de forma significativa com a chegada da gripe aviária de alta patogenicidade na Colômbia. Porém, oportunidades também podem surgir para o setor de exportação.

    MILHO: Safra recorde pode reduzir preços no mercado brasileiro em 2022/23 
    Segundo o estudo do Rabobank, intitulado Perspectivas para o agronegócio brasileiro 2023, a produção brasileira de milho deverá alcançar um volume recorde de 115 milhões de toneladas em 2021/22 (verão + safrinha). Um aumento de 26 milhões de toneladas frente ao observado no ciclo anterior. Apesar da colheita recorde, a comercialização da safra de milho para o ciclo atual segue abaixo do mesmo período do ano passado. Impulsionada pela baixa comercialização e pelas elevadas cotações do frete, as exportações brasileiras de milho não atingiram os níveis esperados inicialmente. Porém, o cenário pode ser diferente para o último trimestre de 2022.
    Os 4 maiores exportadores de milho vêm apresentando desafios em relação aos embarques do cereal. O baixo calado do Rio Mississipi vem limitando o volume embarcado de milho pelos Estados Unidos, maior exportador do produto. Vale destacar que o pico das exportações de milho americano ocorre entre os meses de outubro a novembro. A irregularidade das exportações de milho ucraniano também enfrenta desafios, principalmente devido às tensões entre Rússia e Ucrânia. A Argentina também apresenta uma redução do volume embarcado de milho. Os desafios podem beneficiar as exportações brasileiras de milho durante os últimos meses de 2022 e reduzir as estimativas dos estoques finais de milho ao final do ciclo 2021/22 no Brasil. 
    O maior exportador e produtor global de milho, também enfrentou desafios em relação à produção para a safra 2022/23. A área plantada de milho nos EUA apresentou redução de 5% se comparada ao ciclo anterior. Além disso, o atraso no plantio e a escassez de chuvas nas principais regiões produtoras de milho resultaram em uma safra total de 353 milhões de toneladas. A safra americana de milho apresentou uma redução de 30 milhões de toneladas se compararmos ao volume produzido em 2021/22. A redução da safra americana de milho vem oferecendo suporte às cotações de milho em CBOT. Mediante este cenário, é esperado uma retração de 15% para os estoques finais de milho nos Estados Unidos ao final do ciclo 2021/22.
    Já os estoques globais do cereal devem apresentar uma diminuição de 2% se comparado ao ciclo 2021/22. Vale destacar que os elevados preços de trigo, que também enfrenta desafios em sua produção e exportação no cenário global, também contribui para que os preços de milho permaneçam em patamares elevados, quando comparamos com o histórico. As cotações de CBOT durante o mês de outubro apresentou aumento de 1% em relação ao mês anterior. Já em relação ao ano anterior, as cotações seguem 28% acima dos valores registrados em outubro/21. O conflito entre Rússia e Ucrânia impactaram significativamente as cotações dos cereais no mercado internacional, dada a relevância desses países para o suprimento internacional de milho e trigo.
    Os elevados preços de milho associado as margens recordes obtidas pelo produtor rural no Brasil resultarão em um aumento da área total de milho plantada para a próxima safra. A área total (safrinha + verão) de milho no Brasil atingirá um patamar recorde de 22,6 milhões de hectares durante a safra 2022/23, um aumento de 4.6% em relação à área plantada no ciclo anterior. Vale destacar que o milho safrinha terá aumento mais expressivo que o milho verão, já que este último deve manter a área plantada durante o ciclo 2021/22. Assumindo a linha de tendência para produtividade, a estimativa é que a produção alcance 126 milhões de toneladas.

    FERTILIZANTES: Mato Grosso do Sul aprova Programa Estadual de Bioinsumos
    Um avanço importante foi dado no uso de bioinsumos na agricultura no Mato Grosso do Sul (MS). No último dia 27, foi sancionada a Lei número 5.966 que estabelece o Programa Estadual de Bioinsumos. De acordo com o texto, a iniciativa visa ampliar e fortalecer a produção e utilização dos insumos biológicos, além de promover a sustentabilidade da produção agropecuária no estado. Por bioinsumo, a nova norma entende "o produto, o processo ou a tecnologia de origem vegetal, animal ou microbiana, destinado ao uso na produção, no armazenamento e no beneficiamento de produtos agropecuários". Esta é uma política pública efetiva e prática, que estimula a adoção de tecnologias regenerativas no Mato Grosso do Sul, segundo Juan Acosta, diretor da SoluBio - empresa que trabalha com a produção de bioinsumos nas fazendas e faz parte do Pacto Global da ONU, estando comprometida com ações que impactam 14 dos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável.
    Afinal, "os estados são os responsáveis em fiscalizar tanto a produção quanto a comercialização de bioinsumos em substituição aos agroquímicos, em geral", explica.
    A aprovação da lei que dispõe sobre a implementação dos bioinsumos vai de encontro ao que propõe o Programa Nacional de Bioinsumos criado pelo Decreto Federal 10.375/2020, assinado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). "O Programa Estadual de Bioinsumos do Mato Grosso do Sul é um exemplo de como os estados, operacionalizando suas próprias diretrizes de sustentabilidade, podem implementar uma política pública para diminuir a carga química na agricultura e, assim, adotar estratégias de baixa emissão de carbono aliado à regeneração do solo. Bom para todos", completa o especialista. 
    Ainda conforme o texto, o programa deverá incentivar a adoção de tecnologias sustentáveis no agronegócio, bem como estimular as pesquisas científicas em colaboração com instituições de ensino e outras entidades públicas e privadas. A inciativa será coordenada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar. O órgão fica responsável por firmar parcerias para implementar ações de produção e uso dos bioinsumos, além de fomentar o desenvolvimento das pesquisas acerca do assunto, bem como monitorar os resultados alcançados pelo programa. 

    TRIGO: Chicago acentua perdas após relatório do USDA
    A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou com preços mais baixos. O mercado, que chegou a operar no território positivo devido a incertezas na região do Mar Negro, se firmou no território negativo ao longo da sessão. O cereal acentuou as perdas logo após a divulgação do relatório do USDA, que saiu as 14h, e que elevou a projeção para a produção e estoques globais para 2022/23. Além disso, o petróleo caía mais de 2%, e o dólar permanecia em alta frente a outras moedas, o que também era um fator de baixa. O relatório de oferta e demanda de novembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe novos números para as safras 2022/23 e 21/22 de trigo global.
    A safra mundial de trigo em 2022/23 é estimada em 782,68 milhões de toneladas, contra 781,7 milhões de toneladas em outubro. Para 2021/22, a estimativa ficou em 779,44 milhões de toneladas. Os estoques finais globais em 2022/23 foram estimados em 267,82 milhões de toneladas, acima das 267,54 milhões de toneladas estimadas no mês passado. O mercado esperava 266,7 milhões de toneladas.
    Para 2021/22, as reservas finais foram estimadas em 276,31 milhões de toneladas. O mercado esperava 276 milhões. A produção do cereal nos Estados Unidos em 2022/23 é estimada em 1,650 bilhão de bushels, mesmo volume de outubro. Para a safra 2021/22, a produção estadunidense ficou em 1,646 bilhão de bushels. Os estoques finais do país em 2022/23 foram projetados em 571 milhões de bushels. O mercado esperava 577 milhões. Em outubro, eram 576 milhões. Em 21/22, foram 669 milhões. No fechamento, os contratos com entrega em dezembro de 2022 eram cotados a US$ 8,06 1/2 por bushel, baixa de 21,25 centavos de dólar, ou 2,56%, em relação ao fechamento anterior. Os contratos com entrega em março de 2023 eram negociados a US$ 8,27 3/4 por bushel, redução de 19,75 centavos, ou 2,33%, em relação ao fechamento anterior.

    MILHO: Após relatório do USDA, Chicago encerra sessão negativa
    A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o milho fechou a sessão de hoje com preços em baixa. O mercado foi pressionado pela baixa do petróleo e pela força do dólar frente à outras moedas correntes. Além disso, foram divulgados números pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos no relatório de oferta e demanda de novembro, que também influenciaram no cenário negativo. Os Estados Unidos deverão colher 13,930 bilhões de bushels na temporada 2022/23, acima da estimativa do mercado, que previa uma produção de 13,893 bilhões de bushels e acima dos 13,895 bilhões de bushels indicados no relatório de outubro.
    A produtividade média em 2022/23 deve atingir 172,3 bushels por acres, volume acima dos 171,9 bushels por acre indicados pelo USDA no mês passado, mesmo número previsto pelo mercado para este relatório. Os estoques finais de passagem da safra 2022/23 foram estimados em 1,182 bilhão de bushels, abaixo dos 1,212 bilhão de bushels previstos pelo mercado, mas acima dos 1,172 bilhão de bushels indicados em outubro. A safra global 2022/23 foi projetada em 1.168,39 milhão de toneladas, ante 1.168,74 milhão em outubro.

    CAFÉ: NY recua seguindo petróleo, com alta do dólar e preocupações com demanda
    A Bolsa de Mercadorias de Nova York (Ice Futures US) para o café arábica encerrou as operações desta quarta-feira com preços mais baixos. Mais uma vez, a queda do petróleo pressionou o café, além da alta do dólar contra o real e outras moedas em dia de apreensão nos mercados com o aumento de casos de covid na China e também em outras nações. As indicações de recessão global levam a temores de queda na demanda pelas commodities e isso pesa sobre os preços. Seguem as apreensões com o crescimento do consumo associadas a um sentimento de oferta mais tranquila.
    O clima segue favorável às lavouras do Brasil com vistas ao desenvolvimento das floradas que vão resultar na safra de 2023. Além da expectativa de uma grande safra brasileira no próximo ano, o final de 2022 marca a entrada da safra de importantes origens, como América Central e Colômbia. A produção de café do Brasil deverá crescer ao menos 8% em 2023, para cerca de 68,5 milhões de sacas, com os cafezais se recuperando após uma safra menor que a esperada em 2022, estimou nesta quarta-feira o Rabobank, notando que o número ainda está sujeito ao clima no verão.
    Os contratos com entrega em dezembro/2022 fecharam o dia a 165,15 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 1,30 centavo, ou de 0,8%. A posição março/2023 fechou a 162,35 centavos, baixa de 1,80 centavo, ou de 1,1%.

    ALGODÃO: Queda no preço internacional pode reduzir intenção de plantio no Brasil – Rabobank
    Leia, abaixo, análise do Rabobank para o mercado de algodão. Para a próxima safra, a perspectiva é que sejam semeados 1,65 milhão de hectares de algodão - uma expansão de 1,6% no comparativo do ciclo anterior. Porém, a queda observada dos preços no mercado internacional pode reduzir a intenção de plantio para o próximo ciclo. Em contrapartida, as excelentes margens capturadas pelo produtor brasileiro durante as últimas safras, possibilitaram um aumento da capacidade de beneficiamento no Brasil. Este pode ser um fator, que poderá limitar a redução da intenção de plantio para a próxima safra.
    No Mato Grosso, o avanço do plantio da soja em boa parte das principais regiões produtoras, deverá permitir que o plantio da pluma ocorra no período ideal. Além disso, as boas margens também permitiram um volume recorde de máquinas agrícolas, o que deve aumentar a velocidade tanto de plantio, como de colheita para as principais culturas.
    Esse aumento do ritmo de plantio deve minimizar possíveis riscos relacionados a janela de plantio. Com boa parte do algodão já beneficiado, as exportações brasileiras vêm ganhando força.
    Uma redução dos fretes praticados no mercado interno também contribuiu para que as exportações durante o mês de setembro-22 alcançassem patamares recordes.
    Segundo o Secex (Secretaria de Comércio Exterior), a exportação da pluma alcançou 185 mil toneladas em setembro-22, 12% acima do volume máximo já embarcado durante o mês de setembro.

    ETANOL: Setor reforça compromisso com o enfrentamento à crise climática
    As principais associações que representam o setor produtivo de etanol em todo o mundo Unica, Unem, U.S.Grains Council, ePure e RICanada lançaram nesta quarta-feira uma declaração conjunta reforçando importância de biocombustíveis sustentáveis, como o etanol, no enfrentamento à crise climática.
    O documento é lançado enquanto líderes de mais de 190 países estão reunidos na 27 Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP27), em Sharm El-Sheikh.
    Na declaração, as associações reafirmam o compromisso do setor com a construção de um futuro sustentável, para o qual o etanol oferece uma resposta imediata, acessível, de baixo custo e eficaz para os desafios ambientais. Embora tenham características regionais e modelos de produção específicos, as organizações entendem a necessidade de uma abordagem global no processo de descarbonização da matriz de transportes, ajudando os países a reduzir emissões e a cumprir as metas pactuadas em âmbito internacional.

    AÇÚCAR: NY sobe 2% com compras de fundos, se fortalecendo gráfica e tecnicamente
    A Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures US) para o açúcar bruto encerrou o pregão eletrônico com cotações em forte alta. Os contratos com entrega em Março/2023 encerraram o dia a 19,38 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,38 centavo (ou 2%) relação ao fechamento anterior. A posição Maio/2023 fechou cotada a 18,40 centavos (+1,88%).
    Os futuros do açúcar bruto estendem os ganhos recentes, atingindo máximas de cerca de quatro meses, demonstrando fortalecimento gráfico e técnico, operando acima da linha dos 19 centavos no primeiro contrato.
    As cotações vão sendo puxadas por compras por parte de fundos, enquanto emergem preocupações em relação a atrasos na colheita da cana no Brasil que poderiam reduzir a produção de açúcar na reta final da safra 2023/24 da principal região canavieira do país. As cotações seguem disparando mesmo com uma escalada nas vendas por parte de usinas da India e uma queda no mercado internacional de petróleo.
    Por fim, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu sua estimativa de produção para safra 2022/23 do país. O Departamento estima a produção em 9,086 milhões de toneladas curtas, ante as 9,154 milhões de toneladas apontadas em outubro. Para 2021/22, a estimativa de produção é de 9,135 milhões de toneladas. Com informações da Reuters.