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    É possível que as transações do agro entre Brasil e China deixem de ser em dólar?

    Lygia Pimentel, em artigo para a Forbes, explica como e quais seriam os impactos no ambiente de negociações caso essa ideia avance
    Rafael De Marco
    Créditos: Arquivo
    Créditos: Arquivo

    Tags:

    Agropecuária

    China

    Mercado

    Artigo assinado por Lygia Pimentel, médica veterinária, economista e consultora para o mercado de commodities e CEO da AgriFatto, para a Forbes, trata o estreitamento das relações diplomáticas e comerciais do Brasil com a China. Ela destaca a possibilidade de adoção do Renminbi (RMB), a moeda oficial chinesa como padrão nas transações entre os países, em detrimento da utilização do dólar.

    Segundo Lygia Pimentel, historicamente, esse tipo de mecanismo é eficiente quando há amplo fluxo de comércio bilateral, como no caso de China e Brasil. “Mas o movimento já foi tentado no passado e não obteve sucesso – ou seja, estamos hoje em 2023 e as transações continuam acontecendo em dólares”, atesta.
    Ela prossegue. “Precisamos entender que, apesar de o fluxo comercial entre o Brasil e a China ser intenso, existe um enorme saldo positivo em benefício do Brasil da ordem de bilhões que resulta dessa balança comercial entre os dois países. Em 2021, esse saldo foi de US$ 40 bilhões, em 2022 foi de US 29 bilhões. É um volume grande. Em segundo lugar, a China é, notadamente, um país com alto controle de capitais, o que torna o Yuan Renminbi, por exemplo, uma moeda não conversível em bonds, também conhecidos como títulos de dívida.”

    Isso significa, explica a CEO da AgriFatto, quem detém os Renminbis nas mãos teria que trocá-los, obrigatoriamente, por produtos chineses ou depender de liquidez externa para a sua troca. O motivo está na razão de que, pela regra do Banco Central chinês não seria possível lançar um título em yuans para captação junto aos investidores chineses, por exemplo, e depois uma possível conversão desses recursos em dólares.

    “Esse impasse ficou bastante claro em uma transação experimental que aconteceu em 2021, entre Siderúrgica chinesa Bao (Bao Steeel) e a Vale, em que a empresa brasileira teve que buscar o mercado offshore para converter em dólares os Renminbi que recebeu nessa transação direta. Como as dívidas da Vale são, majoritariamente, feitas em dólares, eles precisaram recorrer a bancos internacionais para se valer de swaps-Renminbis-dólar, aquela troca de uma moeda por outra direta”, explica o artigo de Pimentel.
    Lygia completa. “Por isso, as transações diretas em Renminbi têm que ser voluntários e terão maiores chances de decolar somente se a China liberar o câmbio e os controles de capital para facilitar a conversibilidade total da sua moeda. Caso contrário, a ideia do Renminbi como reserva de valor, ou como alternativa ao dólar, vai continuar uma conjectura e poderá complicar a liquidez das transações, caso seja forçada.”

    Leia o artigo completo na Forbes