Entrada de safrinha de milho deve pressionar cotações no Brasil

Perspectiva é que o Brasil produza 113 milhões de toneladas no ciclo 2021/22 (verão + safrinha), 25 milhões de toneladas acima ao observado no ciclo anterior

Agricultura

img-news
De acordo com o estudo Rabobank Info, de junho de 2022, a entrada de uma safrinha recorde no mercado deve pressionar as cotações de milho no Brasil nos próximos meses. De acordo com o banco holandês, apesar das perdas significativas de produtividade na primeira safra e do clima mais seco durante o desenvolvimento da segunda safra de milho, a perspectiva é que o Brasil produza 113 milhões de toneladas de milho no ciclo 2021/22 (verão + safrinha). Esse volume de produção, se confirmado, será 25 milhões de toneladas acima ao observado no ciclo anterior (88 milhões de toneladas). 

Além do plantio ter ocorrido dentro do período ideal, o clima mais favorável e a forte expansão de área, que passou de 19,9 milhões de hectares para 20,8 milhões de hectares no período favoreceram para que o Brasil atingisse um volume recorde de produção em 2021/22. O avanço da colheita referente à segunda safra de milho, resultará em recomposição momentânea dos estoques locais do cereal, que seguiam pressionados no país desde o final de 2021. 

Dessa forma, as cotações do milho tendem a recuar frente àquelas observadas no período prévio à colheita safrinha e também pela elevação dos fretes. Em junho, o indicador ESALQ (mercado disponível) teve média próxima de BRL 86/saca (60 kg), uma redução de 1.6% em relação ao mês anterior. Apesar dos preços do cereal em patamares elevados, o que indica margens operacionais positivas para o produtor brasileiro, a comercialização no Brasil segue abaixo da média dos últimos 5 anos. 

EXPORTAÇÕES
A interrupção das exportações de milho da Ucrânia, quarto maior exportador do cereal, impulsionará as exportações brasileiras de milho, que deverão ser favorecidas tanto pelo rápido avanço da colheita, como também pelo menor volume disponível para exportação de soja. 

No acumulado dos primeiros 5 meses de 2022, as exportações de milho já apresentam um aumento de 51% em relação ao ciclo passado. E, em 2022, o Rabobank estima que as exportações de milho deverão atingir 42 milhões de toneladas. 

Apesar da demanda aquecida, pressionado pelo avanço da colheita, o frete poderá limitar o ritmo das exportações de milho. Mesmo considerando uma safra recorde, o Rabobank estima que os estoques de milho, ao final do ciclo 2021/22, deverão seguir pressionados, impulsionados pela demanda aquecida.

O Rabobank elenca ainda dois pontos de atenção que devem ser observados no mercado: 
1- com perspectiva de plantio de 36,2 milhões de hectares na safra 2021/22 e semeadura concluída, o Rabobank estima a produção americana em 367 milhões de toneladas, impulsionada por uma redução da área plantada de 1,6 milhão de hectares. 
2- o Rabobank estima que durante a safra 2021/22 o volume exportado de milho para a China poderá alcançar um volume recorde de 5 milhões de toneladas. Os Estados Unidos e a Ucrânia são os maiores exportadores de milho para a China. As informações partem do Rabobank.

logo