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    Estádios fenológicos e a definição do potencial produtivo na soja

    Você sabe identificar quais são os estádios fenológicos da soja? Conhece os estádios vegetativos ou reprodutivos? Saiba mais no conteúdo produzido pela Marluce Corrêa Ribeiro.
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    Divulgação: Arquivo
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    Você sabe identificar quais são os estádios fenológicos da soja? Conhece os estádios vegetativos ou reprodutivos? Sabe dizer se a cultura já está na fase de enchimento de grãos? Já ouviu dizer que a soja possui variações dentro do estádio 5, como 5.1, 5.2, 5.3 e assim, sucessivamente? Pode parecer confuso né? Neste artigo, iremos mostrar aspectos chave para identificação dos estádios fenológicos de soja e destacar pontos importantes para a tomada de decisão no manejo da lavoura e definição de potencial produtivo.

    Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e Redatora do Portal Agromulher

    Para entendermos melhor o comportamento da cultura em campo, é preciso entender primeiramente que o ciclo fenológico da soja é dividido em vegetativo (quando a planta prioriza seu crescimento e acúmulos de reserva) e reprodutivo (quando as flores se desenvolvem e começa a formação dos grãos). E esta definição é o que norteia muitos dos manejos e decisões realizadas em campo. Conhecer bem os estádios fenológicos da soja é extremamente importante para ajustar o manejo da lavoura e alcançar o seu máximo potencial produtivo.

     

    Estádios vegetativos da soja

     

    O primeiro estádio da planta de soja ocorre na emergência, denominado VE . Quando, após a germinação, a plântula emerge . No caso da soja, ela é considerada epígea , porque os cotilédones ficam acima do solo quando ocorre a emergência. Este período é crítico para ocorrência de pragas ou doenças de solo.

     

    Cada estádio é importante durante o ciclo da cultura. Em especial, o VE merece atenção, pois a emergência é o ponto determinante para o estabelecimento do estande de plantas . É, portanto, o resultado da semeadura realizada adequadamente em profundidade e espaçamento.

     

    O chamado VC é o estádio vegetativo cotiledonar , quando os cotilédones estão desenvolvidos, completamente abertos e voltados para baixo. E as bordas das folhas unifolioladas não mais se tocam.

    A partir daqui todos os estádios do vegetativo serão definidos pela letra V e um número em seguida, definindo o avanço do desenvolvimento da planta, geralmente considerados pelo número de nós da planta. E assim segue a avaliação até chegar à fase reprodutiva.

     

    Em V1, o primeiro nó foliar se forma na planta. E somente nele, as folhas são unifolioladas e opostas. Os demais todos apresentarão folhas trifolioladas.

     

    Entre V1 e V2 inicia-se o processo de Fixação Biológica de Nitrogênio , portanto, já é possível observar a presença de nódulos nas raízes .

     

    Em V2 , surge o segundo nó. E já é preciso começar a estar atento na matocompetição com plantas daninhas. Uma boa estratégia nesta fase e no estádio seguinte é o posicionamento de cobalto e molibdênio via foliar para ajudar no processo de FBN.

     

    A nodulação segue pelos próximos estádios e eles seguem sendo importantes para formação de novos nós e o consequente desenvolvimento das plantas. Neste período, caso seja identificada quantidade prejudicial de plantas daninhas, já é momento de fazer controle pós-emergente.

     

    Já em V5 , há uma importante definição do potencial produtivo da cultura da soja. Neste momento, define-se a partir de processos fisiológicos, o potencial de nós que a planta poderá ter. Cada nó será responsável por um ramo lateral, cujas vagens serão formadas.

     

    Os estádios vegetativos seguem até VN que é o último estádio antes do surgimento da primeira flor, que determina o início dos estádios reprodutivos da cultura.

     

    Estádios reprodutivos da soja

     

    A partir do momento que é encontrada uma flor em qualquer parte da haste principal, pode-se considerar o início do período reprodutivo . O estádio R1 é, portanto, o início do florescimento. E a fase reprodutiva da soja , de forma geral, pode ser definida da seguinte forma:

    ·       R1 e R2 – florescimento

    ·       R3 e R4 – formação de vagens

    ·       R5 e R6 – desenvolvimento dos grãos

    ·       R7 e R8 – maturação da planta

     

    No estádio R2 , a planta está em pleno florescimento . E neste ponto vale ressaltar que a velocidade da abertura das flores da haste principal dependerá do hábito de crescimento das plantas . No caso do hábito de crescimento determinado, essa abertura pode ocorrer simultaneamente com a fase R1, uma vez que a floração ocorre sincronizada. Já no caso de plantas com hábito de crescimento indeterminado, a abertura das demais flores pode levar de 2 a 7 dias desde a abertura da primeira flor, a depender das condições climáticas. A partir do estádio R2, a manutenção das flores da haste principal é a prioridade máxima , afinal cada flor representa muito no resultado final do número de vagens e, consequentemente, de grãos.

    É também nesta fase que se deve realizar a coleta das folhas para análise foliar .

     

    É também nesta fase que ocorre o primeiro pico de nodulação. Um trabalho desenvolvido por Gil Câmara (2014) mostra que é nesta fase, entre R1 e R2, que há o primeiro pico de nodulação, justamente no pleno florescimento da soja. Este pico acontece em resposta ao primeiro pico de atividade fotossintética que é observado por ocasião do início do florescimento.

     

    Em R3 , ocorre o início do desenvolvimento das vagens (até 5mm de comprimento), conhecida como a famosa “ fase do canivetinho”. Fase considerada extremamente importante para definição de componentes de rendimento da planta, como número de vagens por planta . Por conta disso, é um período extremamente sensível à estresses ambientais , sendo que estes podem causar abortamento de vagens e flores.

     

    Já em R4 inicia-se a rápida acumulação de matéria seca pelas vagens, que vai até o final do estádio R5. Esse estádio é definido pelas vagens completamente desenvolvidas e apresentando cerca de 2 cm de comprimento em um dos 4 últimos nós do caule, com folha completamente desenvolvida.

     

    No estádio R5 tem-se o início da formação dos grãos e o enchimento destes. É neste momento que ocorre a redistribuição de matéria seca para os grãos. Neste período, o ataque de pragas sugadoras como percevejos pode ser um grande limitante. Aqui também começam as doenças de final de ciclo que precisam ser monitoradas.

     O estádio R5 é subdividido em cinco partes , indo de R5.1 até R5.5, correspondendo ao enchimento dos grãos até atingirem seu máximo tamanho, conforme a seguir:

    • R5.1 : grãos perceptíveis ao tato, com cerca de 10% de granação;

    • R5.2 : os grãos possuem cerca de 11% a 25% de granação;

    • R5.3 : os grãos possuem de 26% a 50% de granação;

    • R5.4 : os grãos possuem granação de 51% a 75%.

    • R5.5 : nesta fase, os grãos possuem de 75% a 100% de granação.

     

    Em todos estes casos, são consideradas para análise as vagens em um dos quatro últimos nós da haste principal.

     

    Sobre este estádio R5 é importante destacar ainda outro fato importante. Segundo o trabalho  desenvolvido pelo pesquisador Gil Câmara (2014), entre R5.1 e R5.3 ocorre o segundo e maior pico de nodulação e FBN da soja , por conta da alta demanda por energia e nutrientes, além da intensa translocação de fotoassimilados das folhas e ramos para a semente. Reiteramos aqui a importância de uma boa inoculação lá no início da cultura. Nesta fase de enchimento de grãos é indispensável que os nódulos ainda estejam ativos para ter eficiência na FBN.

     

    Já no estádio R6, tem-se o grão verde ou vagem cheia, nesta fase o grão ocupa toda a cavidade da vagem.

    Em R7, ocorre a maturidade fisiológica dos grãos, quando eles se desligam da planta mãe e cessa a translocação de fotoassimilados. Nesta fase, os grãos já atingiram seu máximo acúmulo de matéria seca . Neste período será observado ao menos uma vagem madura, localizada na haste principal, com coloração marrom ou palha. A partir daí, a umidade tende a cair.

     

    E chegamos então ao ponto de colheita . O estádio R8 é, portanto, o estádio da maturação plena, onde 95% das vagens já se encontram maduras. Deve-se acompanhar a umidade ideal para definir o momento ideal da colheita, que gira em torno de 13% de umidade.

     

    Ufa! Quantas informações, né? E o mais importante de tudo isso é que ao chegar ao fim deste ciclo da soja entendemos a importância em estar atento aos estádios fenológicos e ao que acontece em cada um deles. Este conhecimento é a base para tomada de decisão mais assertiva e bem posicionada ao longo de todo o ciclo da cultura. Afinal, assim como vimos neste artigo, todo estádio é importante e decisivo para a lavoura, pois o que acontece em uma fase refletirá em todas as outras, até o final do ciclo.