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    Estádios fenológicos e a definição do potencial produtivo no milho

    Saiba mais sobre o ciclo do milho no conteúdo exclusivo escrito por Marluce Corrêa Ribeiro Jornalista e Engenheira Agrônoma da Agromulher
    AgroMulher, Academy
    Divulgação: Arquivo
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    Tecnologia

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    Agronomia

    Você já ouviu alguém dizer: este milho está em V4 ou em R3, por exemplo? Já se perguntou o que significam estes termos e como eles representam as fases do ciclo da planta? Já pensou em como eles podem ser importantes para entender as necessidades da cultura em cada fase? Estes “códigos” fazem parte da fenologia da planta, que é o estudo dos fenômenos periódicos que ocorrem nas culturas. Esta fenologia é dividida em diferentes fases: os conhecidos estádios fenológicos. Mas o que isso representa na prática? Como posso identificar em qual estádio fenológico minha lavoura está? Por que esta identificação é importante? Vamos falar sobre cada um destes pontos no presente artigo
     
    Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e Engª Agrônoma
     
    Como a maioria das culturas anuais, o ciclo fenológico do milho é dividido em vegetativo e reprodutivo , embasada na escala fenológica proposta por Ritchie, Hanway e Benson (1993). Os estádios vegetativos vão da emergência (VE) até o pendoamento (VT). A partir daí, começam os estádios reprodutivos . No geral, os estádios vegetativos são identificados pelos números de folhas completamente abertas (considerada quando o colar fica visível na inserção da bainha da folha com o colmo ). Já os reprodutivos são identificados a partir da espiga e do desenvolvimento dos grãos .
     
    Conhecer bem os estádios fenológicos é extremamente importante para ajustar o manejo da lavoura e alcançar o seu máximo potencial produtivo.
     
    Estádios vegetativos
    O primeiro estádio da planta de milho é o VE, a emergência. Quando, após a germinação, a plântula emerge. A partir daí, todos os estádios vegetativos são nomeados, de acordo com o número de folhas completamente expandidas: V1 (uma folha totalmente aberta), V2 (duas folhas totalmente abertas), e assim sucessivamente, até o chamado VT (pendoamento).
     
    Cada estádio é importante por algum motivo no ciclo da cultura. Em especial, o VE merece atenção, pois a emergência é ponto determinante para o estabelecimento do estande de plantas . É, portanto, o resultado da semeadura que deve ter sido bem feita em profundidade e espaçamento.
     
    Entre V3 e V5 são definidas as quantidades de folhas e de espigas que serão formadas em cada planta. Apesar de ainda muito pequena, o potencial produtivo já começa a ser definido aí. Por isso é extremamente importante que o manejo do início da cultura do milho seja feito de forma precisa e pontual. Até o estádio V5, o ponto de crescimento (meristema apical) da planta está localizado abaixo da superfície do solo.
     
    Entre V6 e V10 é definido o número de fileiras por espiga. A partir daí a planta apresenta grande necessidade de água. Este número de fileiras  por espiga pode ser afetado pelo potencial genético e pelos fatores ambientais, e pode ser reduzido se a planta for submetida a condições de estresse ambiental.
     
    O VT ou pendoamento é definido quando o último ramo do pendão está completamente visível.   Nesta fase , inicia-se a definição do tamanho das espigas e ocorre a definição do potencial de grãos por fileira . Neste estádio, o calor em excesso  e a seca podem afetar o potencial do número de grãos.
     
    Estádios reprodutivos
     
    A partir do momento que os estilo-estigmas, popularmente chamados “cabelos” da espiga, tornam-se visíveis, consideramos que a planta já está na fase reprodutiva, que vai de R1 até R6.
     
    No R1 ocorre o embonecamento e a polinização. O pólen presente no pendão chega até os “cabelos” da espiga, ocorrendo a fecundação. Nesta fase, é definida a quantidade de óvulos que serão fecundados e que gerarão os grãos, determinando então o potencial do número de grãos . Portanto, estresses sofridos pela planta neste período podem originar baixa granação da espiga.
     
    Cada um dos estádios seguintes é definido pela consistência do grão, que deve ser avaliado na porção mediana da espiga.
     
    Em R2, o grão bolha d’água é composto majoritariamente por açúcares e nesta fase já começa a ocorrer o escurecimento dos estilo-estigmas (cabelos da espiga).
     
    Em R3, o grão começa a formar o amido e, portanto, passa a ser denominado grão leitoso.
     
    Em R4, os grãos tornam-se pastosos, concentrando maior quantidade de amido.
     
    Em R5, há a visível formação do dente (depressão na extremidade do grão) e os grãos começam a ficar farináceos. Nesta fase, a colheita do milho para silagem está próxima.
     
    E em R6, temos a formação completa da espiga . E a camada preta  na base do grão é o sinal que foi interrompida a transferência de assimilados da planta para o grão, ou seja, foi atingida a maturidade fisiológica. O grão atinge sua maior massa seca , de 30 a 35% de umidade. o grão já está em ponto de colheita, mas a umidade ainda está muito alta. A umidade ideal para colheita é em torno de 13% - 15%.
     
    Resumo dos estádios decisivos para definição do potencial produtivo
     
    Diante de tudo isso que vimos no artigo anteriormente, podemos destacar alguns momentos importantíssimos para definição do potencial produtivo:
    ·       VE – importante no estabelecimento estande de plantas que definirá quantas plantas haverá por hectare.
    ·       Entre V3 e V5 – início da definição do potencial produtivo
    ·       Entre V6 e V10 – definição do número de fileiras
    ·       VT - inicia-se a definição do tamanho das espigas e ocorre a definição do potencial de grãos por fileira
    ·       R1 – definição do potencial do número dos grãos
    ·       R6 – formação completa da espiga e consequente definição da massa de grãos.
     
    Enfim entendemos porque é importante estar atento aos diferentes manejos culturais e fitossanitários durante todo o desenvolvimento da cultura, além de buscar atender com eficiência todas as exigências nutricionais. Afinal, todo estádio é importante e decisivo para a lavoura, pois o que acontece em uma fase refletirá em todas as outras, até o final do ciclo, safra após safra.

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