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    Fixação Biológica de Nitrogênio na soja e sua importância para agricultura

    Você já ouviu falar sobre fixação biológica de nitrogênio? No artigo de hoje traremos várias informações sobre esse assunto
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    Divulgação: Arquivo
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    Você já ouviu falar sobre fixação biológica de nitrogênio? Já se perguntou como um ser vivo que é invisível a olho nu (bactéria) é capaz de se associar com as raízes e transformar o nitrogênio atmosférico em uma forma assimilável pela planta? Já entendeu como esse processo funciona e quais cuidados são essenciais para que ele aconteça de forma efetiva e eficiente? No artigo de hoje traremos várias informações sobre esse assunto. Continue sua leitura e fique bem-informado.

     

    Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e Redatora do Portal Agromulher

     

    A Fixação Biológica de Nitrogênio, conhecida popularmente como FBN, é um processo simbiótico. Nessa troca a planta oferece condições ambientais favoráveis para o desenvolvimento das bactérias, assim como energia. Em contrapartida, as bactérias fixam nitrogênio (N2) na forma de amônia (NH3), e em seguida o transformam em amônio (NH4+), dessa forma disponibilizando nitrogênio para o metabolismo da planta.

     

    Esta associação é muito comum entre plantas leguminosas e bactérias conhecidas como rizóbios. No caso da soja, o gênero mais utilizado para este processo é o gênero  Bradyrhizobium .

     

    Mas por que isso é importante? O nitrogênio tem diversas funções importantes dentro do metabolismo da planta, como por exemplo a formação de proteínas, DNA, RNA, ATP, entre outros. Como sabemos, cerca de 40% do peso de um grão de soja é proteína, e 15% dessa proteína é nitrogênio.

     

    Portanto, se queremos grãos mais pesados e altas produtividades, é importante garantir uma excelente FBN. Afinal, se houver uma associação eficiente entre esses microrganismos diazotróficos e as plantas, o nitrogênio fixado , juntamente com o N oriundo da matéria orgânica do solo, podem suprir toda a demanda da cultura da soja , eliminando a necessidade de fertilizantes nitrogenados.

     

    E você sabe o quanto isso representa para a produção de soja brasileira? Segundo dados do estudo realizado pelo IDR-Paraná  (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná — Iapar-Emater) em parceria com a Embrapa Soja, a Fixação Biológica de Nitrogênio possibilitou aos produtores de soja economizarem US$ 15,2 bilhões em fertilizantes químicos na safra 2019-2020. Este mesmo estudo, realizado ao longo de 11 anos, também aponta que a economia propiciada pela prática da FBN mais que dobrou em onze anos.

     

    E como a FBN acontece na prática?

    De forma bem didática, o processo em si ocorre da seguinte forma: a planta de soja libera alguns exsudatos sinalizadores que atraem as bactérias para a simbiose. Então, a bactéria que foi inoculada, ou que já está presente no solo, entra em contato com as raízes da soja e começa o processo de nodulação.

     

    Este processo de nodulação gera um gasto de energia para a planta, mas este gasto é compensado porque é dentro do nódulo que o ocorre a quebra do N2 atmosférico. Essa quebra é realizada por meio da enzima nitrogenase. E então o nitrogênio atmosférico é transformado em amônia.

     

    Ainda dentro do nódulo, acontecem outros processos para que o nitrogênio passe de amônia (NH3) para amônio (NH4+), e neste processo há a ativação de outra enzima: a hidrogenase. A partir daí, as formas de nitrogênio são metabolizadas e transformadas em  aminoácidos e proteínas.

     

    E durante todo este processo, as bactérias estão utilizando os fotoassimilados produzidos pela planta para sobreviverem. Por isso, a FBN é considerada uma associação simbiótica , onde ambas as partes se beneficiam.

     

    Pontos de atenção para uma FBN eficiente

    Para que o processo da FBN aconteça perfeitamente bem, como explicamos anteriormente, é preciso que o produtor tenha alguns cuidados . A seguir destacaremos alguns deles:

    ·       Correção do solo – um solo corrigido é a base para que as bactérias tenham condições ideias para se desenvolver. Além do que, ele propiciará melhores condições para desenvolvimento radicular e consequente nodulação.

    ·       Nutrição equilibrada – além dos nutrientes serem essenciais para o desenvolvimento da planta, temos alguns elementos que são indispensáveis também para diversas etapas do processo da FBN. Como exemplo podemos citar o molibdênio (Mo) que ativa a nitrogenase, enzima responsável pela quebra do N2 atmosférico em amônia (NH3). Outro micronutriente muito importante para o processo de FBN é o níquel (Ni), que ativa enzimas como a hidrogenase e a urease, que também fazem parte do processo. E vários outros têm funções primordiais para que todo o processo ocorra de forma eficiente e satisfatória para suprir a demanda da planta por nitrogênio.

    ·       Práticas conservacionistas – a utilização de práticas como plantio direto e rotação de culturas , por exemplo, intensificam a eficiência dos microrganismos que vivem no solo. E com as bactérias do processo de FBN não seria diferente. Práticas conservacionistas tendem a melhorar as condições do solo e torná-las ainda mais favoráveis para o processo.

    ·       Inoculação bem-feita – é importante ter alguns cuidados durante a técnica da inoculação. É importante, por exemplo, garantir a utilização de produtos com origem comprovada e de marcas registradas para ter confiança e certeza de quais microrganismos você está levando para seu solo. Sempre estar atento às condições de temperatura do inoculante e das sementes inoculadas. Lembre-se: os microrganismos são seres vivos e que precisam de um manejo adequado para manter sua sobrevivência. É indispensável também estar sempre atento com quais produtos você está misturando o inoculante no tratamento de semente ou na aplicação no sulco de plantio. Muitos produtos podem comprometer a eficiência do inoculante.

    Todos estes pontos são extremamente importantes para que você tenha uma FBN eficiente, gerando nódulos ativos por mais tempo na cultura da soja e, consequentemente, um melhor aproveitamento do nitrogênio pela cultura.