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    Impactos da compactação do solo no canavial

    Neste artigo, vamos entender um pouco mais sobre os impactos da compactação do solo no canavial e conhecer alternativas de manejo para redução deste problema
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    Divulgação: Arquivo
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    Todo produtor sabe que a compactação pode ser um grande limitante para produção, crescimento e desenvolvimento da cana-de-açúcar. E com a adoção de manejos, máquinas e implementos inovadores, os produtores canavieiros buscam melhores estratégias para reduzir este problema. Neste artigo, vamos entender um pouco mais sobre os impactos da compactação do solo no canavial e conhecer alternativas de manejo para redução deste problema

     

    Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista do Portal Agromulher

     

    A compactação aumenta a densidade do solo (massa de solo seco por unidade de volume) e, portanto, reduz os espaços porosos. Esta compactação ocasiona diversos problemas para a cultura, prejudica a absorção de água e nutrientes, aumenta a resistência à penetração e diminui a aeração e a infiltração de água.

     

    Todos estes fatores comprometem o potencial produtivo, provocando um impedimento físico para as raízes das plantas causando um menor enraizamento do canavial e à concentração de raízes em um menor volume de solo e, consequentemente, gera maior suscetibilidade da cultura à períodos secos.

     

    Um dos fatores que necessitam de atenção do produtor é a umidade do solo para o tráfego de máquinas na lavoura. A falta de planejamento em áreas com altos teores de umidade de solo podem resultar no aumento da compactação.

     

    Podemos mensurar estas perdas em números a partir de pesquisas , como a realizada pelo CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) que estima perdas de produtividade relacionadas a compactação e pisoteio da linha de cana entre 10 e 15 t/ha por ano de colheita. Estes números reiteram a importância de um melhor gerenciamento da interação máquina x canavial.

     

    Mas quais são as principais causas de pisoteio da soqueira e compactação do solo?

     

    Quando olhamos o manejo da cultura da cana-de-açúcar, desde o plantio, até a colheita, ano após ano, entendemos que várias são as causas específicas que podem agravar os danos à soqueira. Entre eles, podemos destacar:

    ·       Má qualidade do plantio;

    ·       Tráfego de maquinário feito de forma incorreta;

    ·       Falta de ajuste de bitola;

    ·       Época de corte inadequada;

    ·       Planejamento inadequado.

     

    Lembre-se que a cana-de-açúcar é uma cultura semi-perene e que estará no campo por alguns anos consecutivos. Qualquer erro na implantação ou no manejo anual das áreas pode acarretar problemas que serão arrastados ano após ano, safra após safra, gerando prejuízos acumulativos.

     

    E como evitar problemas de compactação de solo nos canaviais?

     

    O controle de tráfego em todos os processos agrícolas realizados na lavoura deve ser realizado para preservar os “canteiros”  nas linhas de cana, evitando o pisoteio nestas áreas.

     

    Pensando neste controle eficiente, umas das alternativas que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado é a adoção de colhedoras de duas linhas, a fim de reduzir a área compactada no canavial.

     

    Essas colhedoras de duas linhas no espaçamento simples propiciam um tráfego controlado efetivo, além da redução de cerca de 22% nos custos da operação da colheita mecanizada (R$/t) e ainda oferecem um novo dimensionamento logístico e volumétrico de transbordos, transporte.

    Desta forma, há uma redução de mão de obra na frente de colheita como um todo, reduzindo o tempo para encher o transbordo. Isso gera uma maior eficiência na colheita . E isso remete a menos pisoteio e compactação.

    Outro fator importante é o fato de a bitola da máquina permitir que ela fique no centro da entrelinha, havendo menos contato com as linhas de cana, respeitando o afastamento de segurança mínimo, evitando quebras de perfilho, pisoteio e arranquio.

     

    Mas o que seria esse afastamento de segurança?

     

    Pensando na qualidade física do solo e na redução dos danos à soqueira, na cultura da cana-de-açúcar é fundamental que exista um afastamento de segurança entre a máquina e a cultura, durante a movimentação na entrelinha. E cada tipo de máquina colhedora, trator e transbordo, apresenta uma distância de afastamento em relação à linha da cana-de-açúcar. Por isso a importância do planejamento do maquinário em relação ao espaçamento adotado na lavoura.

    Quando pensamos na opção da colhedora de duas linhas, e solução como melhor opção (tendo em vista todas as analisadas) no que diz respeito ao afastamento de segurança mínimo, tanto da colhedora (45 cm), quanto para o conjunto de trator + transbordo (23 cm). melhor opção (tendo em vista todas as analisadas) no que diz respeito ao afastamento de segurança mínimo, tanto da colhedora (45 cm), quanto para o conjunto de trator + transbordo (23 cm).

     

    Redução da área compactada na entrelinha

     

    Outro fato muito importante que deve ser observado no controle de tráfego do canavial é a área compactada na entrelinha. Quando analisamos o rastro da máquina de uma linha e a de duas, temos o seguinte:

    ·       A colhedora de uma linha compacta um lado da soqueira na ida, e na volta vem compactando o outro lado, gerando uma compactação em toda a região radicular da entrelinha.

    ·       Já a colhedora de duas linhas possui uma bitola que permite que ela vá e volte quase que no mesmo rastro, preservando um canteiro central. Desta forma, criamos uma pista de tráfego, preservando a região radicular no canteiro central. Quando chove, tanto a água quanto os nutrientes são concentrados nessa região radicular que não sofreu compactação.

     

    Desta forma, com a colhedora de duas linhas há tráfego em apenas 22% da área plantada gerando expectativa de aumento da produção e longevidade do canavial por conta dos benefícios agronômicos gerados por esse controle de tráfego.

    Em um estudo realizado pelo CTBE , os números mostram uma diferença de, em média, 17% no rendimento por hectare entre produções com controle de tráfego e sem. A análise é feita durante os vários cortes de cana e a diferença a 26% no quinto corte dos canaviais.

    Em alguns casos é visível a diferença no desempenho da brotação da cana pós-colheita entre um campo colhido com máquina de duas linhas e outro colhido com máquina de uma linha apenas. Pode ser observada, inclusive, uma diferença no perfilhamento e na brotação. E apesar de esses benefícios agronômicos ainda não serem mensurados em números, é esperado um resultado satisfatório deste manejo nos ciclos seguintes à colheita em áreas que foram colhidas com a colhedora de duas linhas.