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    Importância da correção do solo por fosfatagem

    Você sabe o que é a fosfatagem? Sabe a diferença dela em relação à adubação fosfatada? Continue sua leitura e veja as respostas de todas estas perguntas
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    Divulgação: Arquivo
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    Sabemos que antes de iniciar o plantio, muitos são os processos que precisam ser realizados para que o solo esteja em condições adequadas e favoráveis para a instalação da cultura. Chamamos estas práticas de práticas corretivas e dentre elas, podemos destacar: a calagem, a gessagem e a fosfatagem. O foco deste artigo será esta última, a fosfatagem. Você sabe o que é a fosfatagem? Sabe a diferença dela em relação à adubação fosfatada? Sabe quando e qual a melhor forma de realizar esta prática na sua lavoura? Continue sua leitura e veja as respostas de todas estas perguntas

     

    Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e Redatora do Portal Agromulher

     

    O fósforo é um macronutriente primário dentro da nutrição de plantas, ou seja, é exigido em altas quantidades. Entretanto, nós sabemos que os solos brasileiros, em condições naturais, em sua maioria, possuem teores insatisfatórios deste nutriente. Desta forma, se não for manejado da forma correta, ele pode ser considerado, em muitos casos, um dos nutrientes limitantes de produtividade .

     

    O que é e por que é importante realizar a fosfatagem?

     

    Além das condições naturais de baixos teores no solo, o fósforo possui um ciclo e uma dinâmica no solo bem complexos. Diante disso, um fator que merece bastante atenção é a perda por fixação do fósforo na superfície das partículas de argila.

     

    E aqui, precisamos fazer uma observação importante: quanto mais ácido o solo, mais cargas positivas disponíveis, inclusive íons H+. Neste caso, se você não fizer a fosfatagem como prática corretiva, quando aplicar o fósforo por meio da adubação fosfatada destinada à cultura, o solo irá “tomar da planta” aquele fósforo e fixá-lo, reduzindo a eficiência da adubação fosfatada.

     

    Entendendo esta dinâmica do fósforo, compreendemos que a fosfatagem é uma prática corretiva que busca elevar os níveis deste nutriente no solo por meio da saturação dos sítios de adsorção de fósforo. Desse modo, a fosfatagem fornece altas doses de fósforo ao solo para ocupar os sítios que estão desocupados e que iriam adsorver o fósforo da adubação de plantio, que é direcionado à cultura. De forma bem didática e simples, fosfatagem “aduba o solo” e adubação fosfatada “aduba a planta”.

     

    Quando e como fazer?

     

    A prática da fosfatagem deve ser recomendada por profissional capacitado após interpretação da análise de solo de cada talhão, se identificados baixos teores de fósforo, de acordo com os parâmetros e tabelas de interpretação. Lembre-se: a análise de solo é a base para tomada de decisão assertiva . É preciso também conhecer a mineralogia, a textura e o poder tampão do solo daquela área. Isso interfere diretamente na compreensão da ocorrência de maior ou menor fixação de fósforo pelas partículas de argila do solo.

     

    Em geral, na prática de fosfatagem são utilizadas fontes menos solúveis , como fosfato natural reativo, por exemplo, por possuir maior efeito residual e, geralmente, ter custo reduzido.

     

    A partir da recomendação, já com o solo corrigido em termos de pH, a fosfatagem deve ser realizada logo antes do plantio (após a calagem e a gessagem), com a distribuição do fertilizante em área total e incorporação superficial (10 a 20 cm), geralmente com grade niveladora.

     

    A distribuição a lanço com incorporação proporciona maior volume de solo com boas condições para a planta absorver fósforo , água e outros nutrientes.

     

    Mas você pode estar se perguntando: com qual frequência devo fazer a fosfatagem nos meus talhões? E eu te respondo a famosa frase já conhecida no meio agrícola: DEPENDE! A frequência da fosfatagem depende da análise de solo de cada área, dos manejos realizados ao longo da safra, da textura daquele solo, do teor de matéria orgânica, do pH e de inúmeros outros fatores. Por isso é extremamente importante analisar caso a caso.

     

    Você pode, inclusive, a depender da dose recomendada de fosfatos (que podem ser bem altas em solos argilosos) parcelar esta fosfatagem e fazê-la de forma gradual. Mas na prática, como isso funciona? Essa adubação corretiva gradual consiste em aplicar a mesma quantidade de fósforo definida para adubação corretiva total, mas de forma parcelada, acrescentando à adubação anual de manutenção uma parcela da adubação corretiva total. Espera-se que ao final de cerca de cinco anos consecutivos fazendo esta prática, o solo apresente teores de P no nível adequado para o sistema sequeiro. Esta prática deve ser recomendada caso não se tenha capital para fazer a correção de uma vez só. Desta forma, a correção gradual contribui para o parcelamento do custo ao longo de algumas safras. A partir da adubação corretiva, estando o solo corrigido, com teor de P classificado como adequado, recomenda-se apenas a adubação de manutenção.

     

    Quais os benefícios da fosfatagem?

     

    A fosfatagem apresenta diversos efeitos positivos no desenvolvimento das plantas e isso gera um efeito indireto na produtividade . A correção do teor de fósforo no solo aumenta o volume de solo explorado pelas raízes e isso, consequentemente, aumenta a absorção de água e nutrientes.

    Além disso, há o aumento da eficiência da adubação fosfatada de plantio . Uma vez que os sítios de adsorção estejam ocupados com o fósforo aplicado na fosfatagem, o nutriente que virá aplicado na adubação fosfatada anual apresentará maior eficiência, com redução das perdas por fixação, adsorção e tantos outros processos que envolvem este nutriente quando em contato com o solo.

    Portanto, esteja atento aos teores de fósforo da sua lavoura ! Lembre-se que todos os 14 nutrientes minerais (macro e micronutrientes) são essenciais para que a planta complete seu ciclo, e o fósforo (P) é um deles. Consulte seu (a) Engenheiro (a) Agrônomo (a) e saiba exatamente o que cada talhão precisa para atingir altos níveis de produtividade. O básico bem feito já é um ótimo começo.