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    Índice de pluviometria regional e o plantio da safra de verão 2022/23

    Entenda o impacto de efeitos anômalos para o cultivo nesse período, que segue até janeiro de 2023
    Scot Consultoria
    Índice de pluviometria regional e o plantio da safra de verão 2022/23
    Índice de pluviometria regional e o plantio da safra de verão 2022/23

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    Clima

    As movimentações para o início do plantio da safra de verão começaram. Esse processo, que se inicia ao final de setembro/outubro e vai até dezembro/janeiro, para a maioria dos grãos, está com expectativa de produção recorde.

    Segundo a Conab, a safra de grãos 2022/23 deve ter uma produção de 308 milhões de toneladas, com aumento na área destinada às produções de soja, milho e algodão. 

    Apesar das expectativas positivas, espera-se, pelo terceiro ano consecutivo, um “mercado de clima”, atrelado a iminente ocorrência do efeito La Niña, com a probabilidade de ocorrência do fenômeno acima dos 80% até dezembro. Confira na figura 1 .

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    Nos anos de ocorrência do fenômeno, as chuvas no Sul do país acabam afetadas, ocorrendo em menor volume, enquanto para as regiões ao Norte a média de precipitação tende a ser superior à normalidade.

    Para o último trimestre desse ano, as previsões apontam para déficits de 10 a 200 milímetros em Mato Grosso do Sul e região Sul. Enquanto o restante do país deverá ter volumes de 10 a 200 milímetros acima do esperado para o período, com exceção do Mato Grosso, Pará e Amazonas. Veja na figura 2

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    O LADO BOM DE CADA UM
    Na safra 2021/22, a região Centro-Oeste e Sudeste se beneficiaram com um período mais seco durante a colheita do milho de segunda safra e do algodão, benéfico para tal manejo. 

    Já nas regiões produtoras no Sul no país, ocorreram atrasos na semeadura do trigo devido a excesso de chuvas em algumas áreas e restrição hídrica em outras, além da ausência de chuvas no período de desenvolvimento do milho na safra de verão, cuja produção fora severamente impactada à região.

    Na safra 2022/23, são é apontado o retorno de chuvas em outubro, momento de grande importância para o armazenamento de água nos solos, indispensável para o pegamento inicial das culturas na semeadura de verão.

    Na região Sul, em agosto e setembro, os volumes de chuvas foram, relativamente, abundantes, o que poderá ser um fator benéfico para o cultivo de verão, uma vez que a disponibilidade hídrica no solo está adequada. Fato que poderá ser aproveitado em longo prazo, uma vez que as expectativas são de menores volumes de chuvas nos meses seguintes.

    IMPACTOS DA CHUVA NO PLANTIO
    O início da semeadura ocorre com a volta do período de chuvas para a região Centro-Oeste, entre o final de setembro e início de outubro, podendo ser estendidos até janeiro. 

    Os dados pluviométricos da normal climatológica de 1991 a 2020 mostram o motivo da abertura da janela de plantio, nas principais regiões produtoras, ser em setembro/outubro.

    Para comparação, utilizando a Evapotranspiração média nos estados e a precipitação média, é possível determinar de forma bruta a quantidade de água disponível para o cultivo, definindo as melhores épocas de disponibilidade hídrica que atendem aos diferentes estádios de desenvolvimento das culturas.

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    Escolher o momento certo para a semeadura é essencial para casar a pluviometria com as fases de desenvolvimento inicial, enchimento de grãos e colheita, sendo que cada uma tem a sua exigência de volume hídrico, ou seja, respeitar a janela de plantio é o primeiro passo para um bom desempenho da cultura.

    Além disso, seguindo a janela de plantio na primeira safra, a chance de atrasar o plantio na segunda é menor.

    Por exemplo, em Mato Grosso, plantando a soja no verão, o período de maior disponibilidade hídrica coincide com o enchimento de grãos da soja (fase reprodutiva), que demanda mais água. Mas na segunda safra, cultivando milho, o déficit de chuvas ocorre no período de colheita, favorecendo o bom andamento dos trabalhos, e a maior disponibilidade hídrica coincide com o desenvolvimento vegetativo da planta. 

    No Rio Grande do Sul, os impactos são causados principalmente pelas anomalias temporais, uma vez que a pluviometria é bem distribuída durante o ano (figura 4)

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    Diferente de regiões como o Paraná, que apresentam os períodos mais secos do ano durante a temporada de inverno e nas temporadas de verão a retomada dos índices pluviométricos.

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    Dessa forma, é possível observar o impacto direto de fenômenos anômalos nos cultivos de verão para as regiões ao sul do país, que são grandes produtores de grãos e pastagens.

    Além de levar em consideração a precipitação, fatores de manejo, como, por exemplo, o cultivo em plantio direto, podem influenciar nos dados apresentados anteriormente. A palhada no solo, no início do manejo, diminui a perda de água pelo solo, e, após alguns anos, aumenta a capacidade de retenção de água através da matéria orgânica depositada. 

    Isso posto, o agricultor tem de se preparar e organizar todo os manejos da sua safra com antecedência, a fim de tirar o melhor proveito de seu cultivo e anteceder possíveis quebras de safra devido ao clima.

    Por Pedro Gonçalves e Jéssica Olivier, engenheiros agrônomos