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    Industrialização do algodão: do campo até a transformação em produto final

    Como ocorre o beneficiamento e a industrialização do algodão? Quais os processos? Como é avaliada a qualidade da fibra?
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    Divulgação: Arquivo
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    Quando vestimos uma calça jeans ou uma camiseta, não imaginamos todo o processo que há por trás daquela peça. Não nos lembramos do longo caminho que o algodão percorreu com início no campo, passando por todo beneficiamento e industrialização até chegar nas vitrines e ir parar direto nas nossas casas. E é justamente sobre esse processo que nós viemos falar no artigo de hoje.

     

    Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e redatora do Portal Agromulher

     

    Como ocorre o beneficiamento e a industrialização do algodão? Quais os processos? Como é avaliada a qualidade da fibra? Tudo isso e muito mais você saberá neste artigo. Por isso, continue sua leitura.

    O beneficiamento e a industrialização do algodão são processos minuciosos e extremamente interessantes, desde a saída do campo até as confecções e indústrias têxteis que produzem o produto final. As indústrias têxteis possuem diversas exigências em relação à qualidade do algodão que compram, por isso, os produtores devem estar cada vez mais atentos aos processos de beneficiamento, controle e armazenamento de suas safras.

    Vejamos a seguir algumas destas etapas. Aqui é importante ressaltar que os processos podem variar de indústria para indústria.

    Recepção dos fardos e armazenamento

    Após colhido na lavoura, o algodão chega na indústria compactado em fardos e assim permanecem armazenados até serem utilizados. Para maior valor agregado do produto é necessário o descaroçamento, dessa forma é vendida só a pluma. Porém também é comum sua venda com o caroço, normalmente feita para algodoeiras que realizam o trabalho de separação cuidadosamente preservando as qualidades características da fibra. Mas também existem processos industriais para separação do caroço e a fibra de forma mecânica.

    Assim após essa primeira etapa de beneficiamento chegam na indústria e são retiradas amostras para análise de peso, percentual de umidade e teor de pureza do produto.

    Quando ele é armazenado como caroço, é preciso ter cuidado com materiais estranhos e presença de impurezas, que são indesejáveis para indústria têxtil pois dificulta o beneficiamento.  A presença destas impurezas e contaminantes comprometem os parâmetros de qualidade da fibra. Para armazenagem convencional do algodão em caroço , a umidade deve ser de 12% e deve ser feita em local seco, limpo, arejado e protegido do acesso de animais.

    Abertura e distribuição dos fardos

    Ao seguir para o beneficiamento, o fardo é aberto/desintegrado para facilitar o trabalho nas fibras. E, a partir daí, inicia-se o processo de transformação do material em fibras. Esta desintegração  pode ser feita de duas formas: desmanche e lançamento direto na fita da transportadora; ou passagem do algodão. O desmanche inicial, ocorre em um batedor inclinado equipado de grelhas, que provocam a quebra das impurezas menores, como restos culturais e solo que estejam ligados às fibras.

    Pré-limpeza e descaroçamento

    Após a abertura dos fardos, o algodão segue para a pré-limpeza , passando por um equipamento que retira 70% das impurezas existentes, o HL. Em seguida, o produto vai para a torre secadora e para o batedor inclinado, que finaliza a limpeza retira 30% de impurezas restantes.

    Logo que sai da pré-limpeza, o algodão segue para o processo de descaroçamento , quando é armazenado com caroço. Ele é feito por ferramentas tipo “serras” e “costelas”, além de rolos de escova. Esse processo demanda bastante cuidado para que não haja contaminação da pluma com óleo do caroço do algodão.

    A partir daí, a pluma segue para o processamento que comentaremos a seguir, enquanto o caroço também é aproveitado pela indústria para alimentação animal e extração do óleo.

    Cardagem e passador

    Após descaroçado, o algodão em pluma  segue para cardagem. Esta etapa tem o objetivo de alinhar as fibras  e formar uma espécie de véu. Em seguida, ele segue para o passador onde é misturado com o objetivo de diminuir o diâmetro do fio e deixá-lo em forma de fita, deixá-lo mais uniforme e melhorar a qualidade da fibra.

    Enfardamento e prensagem

    Neste ponto do processo, o algodão já em forma de fita é transportado para uma prensa onde é transformado em pequenos fardos, que são etiquetados. Destes fardos são retiradas novas amostras, que são encaminhadas ao laboratório para análises as quais estarão ligadas à classificação deste algodão.

    Fiação

    A partir daí, o algodão, que antes estava em formato de fita, está pronto para ser transformado em fio com forma para confecção. Este processo pode acontecer na mesma indústria ou em outra indústria que receba o material ainda grosseiro e o transforme em finos fios. No caso dos fios que são tingidos, a tintura têxtil acontece logo em seguida à fiação.

    Urdideira e engomagem

    Após a tintura, os fios (já tingidos ou naturais) são unidos em mais de 4800 fios na urdideira seccional. São formadas faixas com vários fios, que são engomadas, com o objetivo de se tornarem bem mais resistentes  para o trabalho nos teares.

    Tear e desengomagem

    Após todo este processo, as faixas de fios engomados se tornam tecidos de algodão  no tear. Esse tecido é desengomado por lavagem a 90°C. Outros tratamentos também podem ser realizados nesta etapa, entre eles: mercerização, lixadeira, flaneladeira, efeito enrugado e sanforizado.

    Controle de qualidade e classificação

    Assim que ficam prontos e antes de serem enviados para venda, os tecidos de algodão  puros passam por controle de qualidade de acordo com os padrões do mercado. Para o bom controle de qualidade da fibra do algodão, o produtor precisa estar atento a diversos fatores intrínsecos e extrínsecos do produto. Entre eles podemos destacar alguns como: comprimento; resistência; cor; regularidade da massa da fibra; fragmentos de caroços e/ou de contaminantes vegetais, entre outros.

    E quando falamos em classificação da fibra, é preciso ter a clareza deste índice. Esta classificação é feita pelo HVI ( High Volume Instrument ), equipamento utilizado para medir as características da fibra do algodão tanto para o mercado interno quanto para o externo. Este sistema analisa as características da fibra, como: resistência, comprimento, uniformidade de comprimento, índice ou conteúdo de fibras curtas, finura, elasticidade, entre outros.

    Diante de todas essas informações sobre o processamento e industrialização do algodão, pudemos observar que o sucesso da produção algodoeira está nos detalhes técnicos de produção. Cada detalhe deste reflete diretamente na qualidade da fibra, no rendimento e na lucratividade para o produtor. Por isso é tão importante conhecer e entender o processo de beneficiamento e industrialização do algodão, do campo até o guarda-roupa de cada um de nós.