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    Inoculantes para soja: organismos micro com benefícios gigantes

    Quais bactérias são utilizadas e de que forma isso esse processo pode potencializar ainda mais sua produção?
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    Divulgação: Arquivo
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    Tecnologia

    Produtividade

    Soja

    Você provavelmente já ouviu falar sobre Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) na soja, não é mesmo? Mas, você sabia que para que a FBN ocorra de forma satisfatória em leguminosas, é realizado o processo de INOCULAÇÃO? Você gostaria de saber como esse processo ocorre, quais os cuidados que devemos tomar, quais bactérias são utilizadas e de que forma esse processo pode potencializar ainda mais sua produção? Então continue com a gente e não perca nenhuma linha deste conteúdo

     

    Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e Redatora do Portal Agromulher

     

    A inoculação da soja é a operação agrícola que visa estabelecer o contato físico entre a semente/planta e as bactérias de maneira a promover o estabelecimento do processo de Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN).  O processo de inoculação consiste em misturar a dose recomendada de inoculante , produto que contém a população dos microrganismos selecionados em alta concentração, com as sementes de soja , podendo ser via tratamento de semente ou via sulco de plantio .

    No Brasil, são comumente utilizados em soja os chamados rizóbios, do gênero Bradyrhizobium . Além desse, grandes resultados têm sido comprovados, dentro de mais de 10 anos de pesquisa, com o Azospirillum em gramíneas, e como potencializador de resultados em leguminosas, juntamente com o rizóbio. Falaremos disso posteriormente ainda neste artigo.

    Após a inoculação, assim que a semente começa a germinar, ocorre a comunicação química entre a raiz e as bactérias inoculadas, levando à formação dos primeiros nódulos. Estes nódulos serão responsáveis pela fixação biológica de nitrogênio e precisam ser mantidos saudáveis e ativos até a fase reprodutiva da cultura.

    Prós e contras de cada forma de inoculação

    Como comentamos anteriormente, a inoculação pode ser feita via tratamento de semente ou via aplicação no sulco de plantio no momento da semeadura. E aqui comentaremos alguns prós e contras de cada uma destas formas.

    Quando a inoculação é feita via tratamento de semente, o produtor já leva para o campo a semente com tudo que ela precisa, do ponto de vista dos produtos que já vem no tratamento industrial somados ao inoculante. Ou seja, ele reduz uma operação na lavoura, no momento do plantio. Isso é uma vantagem na realidade de um produtor que não possui equipamento para aplicação em jato dirigido no sulco de semeadura, que vai acoplado nas semeadoras. Neste caso, os contras dizem respeito à quantidade de produtos colocados na semente e o contato direto dos microrganismos com os demais químicos. Por conta da grande sensibilidade das bactérias, a depender da forma como este tratamento for feito e dos produtos utilizados, pode haver uma redução da eficiência da inoculação.

    No caso da inoculação no sulco de plantio no momento da semeadura, a vantagem é que você retira as bactérias do ambiente de contato direto com a semente no tratamento e leva para um contato direto com a semente já no solo. Desta forma, as partículas de solo exercerão proteção das bactérias, mantendo o índice de sobrevivência acima de 80% , se aplicado em condições ideais. A desvantagem nesse caso é operacional, principalmente para aqueles produtores que não possuem o equipamento. Caso a inoculação seja realizada no sulco, é preciso reavaliar junto ao técnico responsável a dose do inoculante, pois esta varia a depender da forma de aplicação.

    Benefícios do uso de inoculantes

    Independentemente da forma de aplicação utilizada, a inoculação traz inúmeros benefícios para a produção de soja. Como já abordamos em outros conteúdos, a FBN tem um papel fundamental no suprimento de N para cultura da soja e a inoculação é a operação agrícola responsável por levar os “operários” deste processo até a semente, solo, planta e raiz. Portanto, quanto aos benefícios da inoculação/uso dos inoculantes, além da assimilação de nitrogênio pelas plantas, podemos destacar:

    ·       o aumento da resistência da planta às condições ambientais;

    ·       maior eficiência na absorção de água de nutrientes;

    ·       o efeito positivo na produção de fito-hormônios capazes de atuar no crescimento de raízes;

    ·       o aumento da simbiose com outras bactérias promotoras de crescimento presentes no solo e que beneficiam o sistema produtivo como um todo;

    ·       a redução do uso de fertilizantes nitrogenados gerando benefícios econômicos e ambientais

     

    Por que reinocular anualmente?

    A inoculação é essencial em áreas de primeiro ano de cultivo de soja ou onde a leguminosa não é cultivada há muito tempo, pois as bactérias fixadoras de N estão ausentes ou em baixa população no solo e o processo de inoculação fará a introdução destas bactérias naquela área. Nos anos seguintes, muitos produtores tendem a achar que não é necessário continuar realizando a inoculação anualmente, e isso é um grande erro. Afinal, pesquisas têm mostrado que vale a pena realizar a inoculação anual , em toda safra. Pesquisas apontam que o ganho médio da inoculação anual da soja com Bradyrhizobium em áreas tradicionais de cultivo é de 8% , ou seja, é um grande retorno frente ao baixo custo da dose do inoculante.

    A inoculação anual é importante porque, apesar de parte dos microrganismos sobreviverem no solo, na ausência do hospedeiro principal  eles tendem a sobreviver alternativamente como decompositores de matéria orgânica e passam a competir com outros organismos naturais do solo, sofrendo inclusive com estresses ambientais como frio e seca, que são condições típicas de entressafra em muitas regiões, desfavoráveis a esses microrganismos.

    A reinoculação tem resultado em ganhos de produtividade porque possibilita a renovação qualitativa e quantitativa de rizóbios nos sistemas de produção proporcionada pelas doses aplicadas de inoculantes.

     

    Coinoculação entre Bradyrhizobium e Azospirillum : a dupla de sucesso

    Outra prática que tem sido adotada com alto índice de sucesso e resultados surpreendentes, é a chamada coinoculação. A prática é indicada pela Embrapa desde 2013 , com o uso de Bradyrhizobium somado a uma bactéria pertencente ao gênero Azospirillum , que já era recomendada para milho e trigo desde 2004.

    A principal atuação do Azospirillum está ligada à síntese de fitormônios que promovem o crescimento vegetal, principalmente o sistema radicular, o que favorece a nodulação e a FBN realizada pelo Bradyrhizobium .

    Diversos trabalhos têm mostrado que plantas de soja coinoculadas com Bradyrhizobium e Azospirillum apresentam uma nodulação mais abundante e precoce, com ganhos médios de produtividade de 16% em soja . Segundo informação de Mariângela Hungria em podcast recente, 1/3 de toda área plantada de soja no Brasil já utiliza coinoculação, mostrando que os produtores estão muito receptivos ao uso desses biológicos.

    Aqui vale ressaltar uma informação importante: o Azospirillum brasilense possui ação hormonal, como comentamos anteriormente, e por conta disso a dose de coinoculação desta bactéria deve se restringir a uma única dose . Pois, sua dose acima da básica pode se reverter em alterações bioquímicas que não traduzam ganhos de produtividade.

    Cuidados essenciais na inoculação da soja

    Quando pensamos em inoculação e coinoculação, muito além das melhores cepas e dos microrganismos corretos, existem outros parâmetros que precisam de atenção para garantir a real eficiência do processo. A seguir listamos algumas boas práticas que o produtor precisa adotar em busca desta melhor eficiência:

    ·       Observar a qualidade, procedência, registro do produto e prazo de validade;

    ·       Atentar-se às condições de transporte e armazenamento;

    ·       Utilizar dose adequada, principalmente no caso do Azospirillum , como comentamos anteriormente;

    ·       Não inocular direto na caixa de semeadura;

    ·       Proteger o produto e a semente inoculada do sol e do calor;

    ·       Usar cobalto e molibdênio para contribuir com o processo de FBN, de preferência via foliar entre V3-V5;

    ·       Semear em condições de umidade do solo ideal para as bactérias, ou seja, não semear em solo seco;

    ·       Atentar-se às misturas do inoculante com produtos químicos. Lembre-se: as bactérias são extremamente sensíveis.

    Entre tantas outras boas práticas que ajudam a garantir a eficiência do processo. Garanta que sua inoculação está sendo bem feita e veja os resultados acontecendo dentro da sua lavoura.