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    Integrar para produzir: como o sistema ILPF pode transformar sua produção

    Você já imaginou um modelo de produção que aproveite recursos, espaço, mão-de-obra e insumos para produzir vários componentes em uma mesma área? Continue sua leitura e conheça as inúmeras possibilidades dentro dos sistemas integrados
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    Divulgação: Arquivo
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    Sistemas de Produção

    Você já imaginou um modelo de produção que aproveite recursos, espaço, mão-de-obra e insumos para produzir vários componentes em uma mesma área? Este modelo de produção já existe na prática e tem trazido resultados econômicos, sociais e ambientais extraordinários. Mas quais são as possibilidades de combinações entre os componentes? É possível combinar lavoura e pecuária? E pecuária e floresta? E lavoura, pecuária e floresta? Continue sua leitura e conheça as inúmeras possibilidades dentro dos sistemas integrados

     Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e Redatora do Portal Agromulher

     

    Os sistemas integrados de produção, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e suas variações, são estratégias de produção  agropecuária que visam integrar, em uma mesma área, diversos sistemas agrícolas, pecuários e florestais . A integração pode ocorrer de forma simultânea (ao mesmo tempo) ou em forma de sucessão/rotação, desde que haja interação entre os componentes.

     

    Estes sistemas apresentam estreita relação com a agricultura conservacionista  pois melhoram as condições físicas, químicas e biológicas do solo; aumentam a ciclagem dos nutrientes pelas plantas; elevam a competitividade do empreendimento rural; e diversificam a renda da propriedade rural, além de viabilizar a recuperação das áreas com pastagens degradadas. E falaremos sobre estes benefícios mais adiante.

     

    De acordo com Skorupa e Manzatto (2019) , no Brasil, “as principais motivações para os agricultores adotarem sistemas integrados são: mitigar os impactos ambientais inerentes à atividade agropecuária; aumentar a produtividade das culturas e recuperar as pastagens degradadas”.

     

    Mas antes de aprofundarmos nas vantagens e desafios deste tipo de sistema no Brasil, vamos conhecer os números da ILPF no Brasil.

     

    Os sistemas integrados no Brasil em números

     

    Quando olhamos o panorama da produção agropecuária no Brasil, observamos que os sistemas integrados tiveram uma expansão considerável desde 2005/2006. “A John Deere abraçou essa revolução agrícola há mais de 15 anos, e em 2012 liderou a criação da Associação Rede ILPF”.

    Dados da Rede ILPF estimam que na safra 2020/2021, a área de integração no Brasil passou de 17,43 milhões de hectares . De 2015 até 2021, houve um aumento estimado de 52% de áreas com ILPF no Brasil. A meta da Rede ILPF é chegar a 35 milhões de hectares até 2030.

    Segundo a Rede ILPF , os estados que mais adotaram os modelos integrados (em valores absolutos de hectares com integração) até 2020/2021 foram Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul .

     

    Quais os tipos de sistemas possíveis?

     

    Dentro dos modelos de integração, vários são os arranjos que podem ser trabalhados e adequados à cada realidade. É sempre importante lembrar-se que a integração vai muito além de produzir na mesma área. É preciso garantir que haja interação entre os elementos presentes no espaço produtivo . E no momento da definição e escolha do modelo a ser utilizado, muitos fatores precisam ser levados em consideração, como: o perfil do produtor, o objetivo da produção, tipo de solo, a altitude, o relevo, a capacidade produtiva, o índice pluviométrico, o mercado local, a logística, a mão-de-obra, entre inúmeros outros aspectos.

    Traremos a seguir, algumas possibilidades de configurações, combinando dois ou três componentes em um sistema produtivo.

     

    ·       Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) ou Sistema Agrossilvipastoril sistema de produção que integra os componentes agrícola, pecuário e florestal em rotação, consórcio ou sucessão, na mesma área.

    ·       Integração Lavoura-Pecuária (ILP) ou Sistema Agropastoril – este modelo é adotado por 83% dos produtores rurais com atuação predominante na pecuária que adotam algum sistema de integração no Brasil. A ILP é um sistema de produção que integra os componentes agrícola e pecuário em rotação, con­sórcio ou sucessão, na mesma área e no mesmo ano agrícola ou por múltiplos anos.

    ·       Integração Pecuária-Floresta (IPF) ou Sistema Silvipastoril – esta configuração integra os componentes pecuário (pastagem e animal) e florestal, em consórcio.

    ·       Integração Lavoura-Floresta (ILF) ou Sistema Silviagrícola - sistema de produção que integra os componentes florestal e agrícola pela consorciação de espécies arbóreas com cultivos agrícolas (anuais ou perenes).

     

    Segundo Skorupa e Manzatto (2019) , dos produtores rurais com atuação predominante na pecuária e que adotam a estratégia de integração no Brasil, 9% adotam ILPF, 7% adotam IPF e os 83% adotam ILP.

     

    Desafios dos sistemas de integração

     

    Mesmo diante de tantos benefícios apresentados pela adoção de sistemas de integração, ainda há inúmeros entraves que limitam a adoção destes sistemas na prática. Dentre eles, podemos destacar:

    ·       Falta de gestão qualificada e de adequado planejamento e controle de projetos

    ·       Falta de conhecimento do produtor sobre o componente arbóreo

    ·       Falta de assistência técnica capacitada para modelos de integração

    ·       Falta de recursos financeiros e dificuldade de acesso ao crédito

    ·       Dificuldade gerencial e operacional (planejamento e manejo) por conta da diversificação da produção

     

    Benefícios da integração

     

    Mesmo diante de tantos desafios que podem ser vistos como entraves para essa produção integrada, é preciso sempre ter clareza sobre os incontáveis benefícios destes sistemas e do quanto isso pode contribuir para a construção de uma agropecuária mais inteligente e sustentável. A seguir destacaremos alguns destes benefícios :

    ·       Aumento da qualidade ou melhoria dos atributos do solo , o que proporciona a recuperação de áreas degradadas;

    ·       Diversificação da produção e diminuição da ociosidade do uso das áreas agrícolas, gerando maior estabilidade da renda na propriedade rural ;

    ·       Quebra do ciclo de pragas e doenças;

    ·       Melhora do ambiente com o sombreamento das pastagens com a presença do componente arbóreo, melhorando o desempenho animal e contribuindo com o bem-estar animal;

    ·       Aumento da matéria orgânica do solo (MOS);

    ·       Ampliação da geração de emprego e renda ;

    ·       Melhoria da imagem da produção agropecuária nacional no mercado externo;

    ·       Manutenção da sustentabilidade ambiental;

    ·       Mitigação de gases de efeito estufa;

    ·       Redução da abertura de novas áreas;

    ·       Possibilidade de adaptação para pequenos, médios e grandes produtores;

    ·       Aumento na eficiência na utilização dos recursos ;

    ·       Aumento da produtividade

    É por tudo isso e muito mais que os modelos integrados precisam estar na pauta de discussões dentro do setor agropecuário e, muito além  das discussões, ser adotado de forma prática, aplicável e coerente com as realidades. E tudo isso começa com os incentivos e a qualificação profissional específica em todos os níveis (estratégico, tático e operacional), a fim de ampliar a adoção e a difusão desta técnica produtiva por muitos outros hectares espalhados pelo Brasil.