Melhore a qualidade do solo

O benefício da diversificação de culturas para melhoria da qualidade do solo e retornos econômicos

Agricultura

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O segredo para o aumento dos patamares de produtividade está diretamente relacionado com a qualidade dos solos agricultáveis. O uso de boas práticas agrícolas pode ser a resposta para essa questão. Por meio de um levantamento, é possível evidenciar que nos últimos 20 anos houve um aumento exponencial de pesquisas científicas relacionadas à qualidade dos solos. E o Brasil está entre os cinco países que mais investiram.

A ciência, em parceria com o produtor agrícola, vem criando alternativas para a preservação dos solos e a potencialização da diversificação de culturas, sempre em busca de uma maior eficiência no sistema produtivo que rege a cadeia sustentável.


UM DOS PILARES DO SPD
Vamos mostrar algumas práticas de diversificação de culturas que podem contribuir na melhoria da qualidade dos solos agrícolas, favorecendo o incremento da produção.

A diversificação de culturas é considerada um dos pilares do Sistema Plantio Direto (SPD), baseada na premissa de rotação, consorciação, sucessão dos cultivos agrícolas e o uso/manutenção de cobertura permanente.

A adoção e consolidação das práticas e seus benefícios estão relacionadas à melhoria da qualidade do ar, água, redução dos processos erosivos e das emissões de gases de efeito estufa (GEE).


MAIS LUCRO, MENOS GASTOS
O retorno econômico com a diversificação de culturas já é uma realidade para muitos produtores agrícolas. A evidência desses resultados é comprovada por pesquisas realizadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em parceria com a American Farmland Trust. Em um  estudo de caso desenvolvido em uma propriedade destinada à produção de grãos (~ 700 hectares), a adoção do centeio como cobertura gerou resultados positivos.

O primeiro aspecto foi a redução da aplicação de herbicidas, devido ao controle de plantas invasoras pela cobertura do solo. Outro ponto de grande importância foi o aumento da produtividade de soja em 5 bushels por acre, aproximadamente 6 sacas por hectare, que resultou em um lucro de aproximadamente US$ 43 por acre ou US$ 106 por hectare. Além disso, o produtor poupou mais de US$14 por acre, ou US$34,60 por hectare na redução do uso de herbicidas.

A evidência dos aspectos ambientais também é impactante! A adoção da cobertura do solo e a aplicação de fertilizantes em taxa variável permitiu que a redução das emissões de GEE fosse de mais de 35%, o que liquidaria as perdas de carbono de 8 carros durante o período de um ano. Uma reflexão deixada pelo próprio produtor foi que “as culturas de cobertura são a chave para reduzir o uso de insumos”.

AQUI NO BRASIL
No Brasil não é diferente, as práticas de diversificação são cada vez mais adotadas. E uma delas é a consorciação de milho com braquiária. De acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a prática de consorciação traz benefícios safra a safra, como a maior produtividade de culturas anuais. E, quando em sucessão, a braquiária auxilia no processo de engorda dos bovinos.

Essa integração dos sistemas de lavoura e pecuária, conhecida como ILP, auxilia no incremento da renda do produtor agrícola, além da otimização do processo de produção, pois reduz o uso de insumos. O benefício da prática para conservação do solo também é um fator importante. As raízes da gramínea permitem o maior aprofundamento no perfil do solo, garantindo maior absorção de água e sua retenção em um maior espaço de tempo. A diversificação deste sistema permite também a redução das emissões de GEE pela fixação de carbono no solo.

Em termos econômicos, pesquisas realizadas pela Embrapa mostraram, em estudo comparativo sobre indicadores de eficiência com a implantação do sistema, não só o incremento da produtividade do milho em consorciação com a braquiária, mas também o aumento da renda do produtor em comparação com o milho solteiro.

O aumento da produtividade do milho no segundo ano de implantação do sistema foi 14,3% maior que na sucessão soja-milho. Em termos de renda líquida da atividade, a prática de consórcio milho-braquiária teve uma renda líquida de 48% em comparação com o milho solteiro.

Fonte: Embrapa (2013)

SUSTENTABILIDADE
Na cadeia de produção agrícola, pensar na conservação do ecossistema como um todo traz a possibilidade de geração de um maior retorno econômico no futuro, além do uso de modelos sustentáveis em todas as etapas. Os desafios adiante são muitos, mas quando o processo é bem executado, os resultados são garantidos!

O uso dos sistemas de diversificação é só uma das alternativas entre muitas que iremos mostrar por aqui, garantindo ao produtor a possibilidade de melhoria da qualidade do solo e todo o suporte para as etapas de produção. 
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