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    Mercado de fertilizantes começa a se normalizar após 2 anos difíceis

    Confira a avaliação da analista de Fertilizantes da Consultoria Safras & Mercado Maísa Romanello na sobre o triênio 2021-2023
    Rafael De Marco
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    Após dois anos marcados por fatores extremos que causaram desiquilíbrio tanto do lado da oferta como da demanda, o mercado global de fertilizantes está começando a se normalizar. Em apresentação na sexta edição da SAFRAS Agri Week, a analista de Fertilizantes da Consultoria SAFRAS & Mercado, Maísa Romanello, avaliou os acontecimentos recentes para esse mercado, com anos bastante atípicos em 2021 e 2022, que continuam tendo consequências atualmente.

     

    2021

    “Do lado da oferta, o ano de 2021 foi marcado por elevados preços das matérias-primas e gargalos logísticos, reflexos da pandemia de Covid-19. Além disso, tivemos questões climáticas e geopolíticas que também afetaram a oferta. Os furacões nos Estados Unidos foram mais graves do que o normal, influenciando a oferta de fertilizantes fosfatados. Já na China, enchentes e inundações prejudicaram a disponibilidade de matérias-primas, especialmente o carvão. As questões geopolíticas vieram para completar o cenário de baixa oferta de fertilizantes nesse ano. Sanções comerciais aplicadas à Bielorrúsia reduziram fortemente a oferta de fertilizantes potássicos. Assim, em 2021 tivemos o que chamamos de tempestade perfeita. Um cenário de grande redução de oferta, prejudicada por diversos fatores”, pontuou Maísa.

     

    Do lado da demanda, o ano de 2021 foi marcado por melhores relações de troca e consumo recorde de fertilizantes. “Os preços das commodities agrícolas estiveram em ótimos patamares, gerando bons níveis para as relações. Consequentemente, tivemos recorde de consumo. E isso associado com a menor oferta e demanda recorde fez os preços aumentarem”, salientou a analista.

     

    2022

    Entrou o ano de 2022 e a expectativa era de que os gargalos e desafios do lado da oferta de fertilizantes iriam ser resolvidos e superados. Mas, ainda em fevereiro, a Rússia invadiu a Ucrânia, afetando a oferta de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos. O temor foi muito grande no início do conflito do lado da oferta, já que a Rússia é a maior exportadora mundial de fertilizantes. Apesar da Rússia ter continuado a exportar fertilizantes, dissipando os temores iniciais, os temores alimentaram novos aumentos nos preços dos fertilizantes em 2022, que voltaram a bater recordes. Diante dessa situação da Rússia, o Brasil foi buscar outros fornecedores, ampliando as negociações com outros países.

     

    Mercado de fertilizantes começa a se normalizar após 2 anos difíceis 1

    “Assim conseguimos formar grandes estoques, com os importadores correndo para as compras temendo problemas por conta do conflito na Ucrânia. Do lado da demanda, tivemos queda em 2022 por conta desses preços muito elevados. E, apesar desses preços altos, ainda conseguimos algumas relações de troca favoráveis, pois os preços das commodities agrícolas continuaram bastante favoráveis, amenizando um pouco o problema dos preços recordes, caso contrário teríamos um consumo ainda menor em 2022”, pontuou Maísa.

     

    2023

    Em 2023, o mercado global de fertilizantes está voltando a uma situação de normalidade. Os problemas em relação à Rússia estão superados, e acontece uma recuperação nos níveis de oferta. “No Brasil, temos um grande estoque de passagem, formado em 2022, impulsionado também pela desaceleração do consumo. Do lado da demanda, internamente temos uma concentração das compras no segundo semestre, pois os produtores estão esperando os preços baixarem ainda mais, em um ano de queda nos preços das commodities agrícolas, o que desestimula o consumo de fertilizantes. Assim, algumas relações de troca foram prejudicadas, principalmente para o milho, e isso acabou desestimulando o consumo de fertilizantes. Então, temos um atraso, com os agricultores aguardando mais para irem às compras. Logo, poderemos ter novamente uma redução no consumo dos fertilizantes em algumas culturas”, disse a analista.