NOTÍCIAS DE HOJE – 20/01/2022

Veja algumas notícias preparadas pela equipe do SAFRAS & MERCADO por meio da Agência SAFRAS

Agricultura

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AÇÚCAR REFINADO: Londres fecha pregão com cotações em queda
A ICE Futures Europe (Bolsa de Londres) para o açúcar refinado fechou as operações com cotações mais baixas. Os contratos com entrega em março/20221 fecharam a US$ 507,30 por tonelada, baixa de US$ 2,80 a tonelada (-0,5%) na comparação ao fechamento anterior. Maio/2022 fechou a US$ 500,50 por tonelada, desvalorização de US$ 2,60 a tonelada (-0,5%).

CAFÉ: Londres fecha com preços pouco alterados, buscando direção
A Bolsa Internacional de Finanças e Futuros de Londres (ICE Futures Europa) para o café robusta encerrou as operações desta quinta-feira com preços pouco alterados. Em mais uma sessão volátil, o mercado futuro londrino do robusta buscou direcionamento. Aspectos técnicos predominaram. Perdas para o arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) por realização de lucros, após os ganhos da sessão anterior, pressionaram também o mercado londrino. Os contratos para entrega em março/2022 fecharam o dia a US$ 2.227 a tonelada, com alta de US$ 2, ou de 0,1%. A posição maio/2022 fechou a US$ 2.192 a tonelada, com ganho de US$ 2, ou de 0,1%.

MILHO: Plantio 2021/22 atinge 87,9% na Argentina - Bolsa de Buenos Aires
O plantio de milho da safra 2021/22 atinge 87,9% da área na Argentina. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a superfície é projetada em 7,3 milhões de hectares, 7,6% acima do ano anterior. Os trabalhos avançaram 1,5 ponto percentual na semana e estão 5,5 pontos atrasados na comparação com igual período do ano passado. Em números absolutos, foram semeados 6,419 milhões de hectares. Conforme informe climático da Bolsa, para os próximos dias, a previsão indica chuvas abundantes, que devem continuar recuperando a umidade para o milho no oeste, no centro e no sul da área agrícola do país. A área em déficit hídrico caiu de 53% para 44% na última semana. Em igual momento do ano passado, eram 8%. Atualmente, 37% das lavouras estão em condições de regular a ruim, contra 36% na semana passada e 8% em igual período de 2020/21.

SOJA: Plantio atinge 94,8% da área na Argentina - Bolsa de Buenos Aires
O plantio da soja atinge 94,8% da área na Argentina. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, os trabalhos avançaram 2,3 pontos percentuais na última semana. A área é projetada em 16,4 milhões de hectares, a menor dos últimos 15 anos. As chuvas registradas na última semana melhoraram a disponibilidade hídrica de várias áreas agrícolas. Algumas regiões ainda aguardam por umidade para uma melhora significativa. Em números absolutos, já foram semeados 15,552 milhões de hectares. A área em déficit hídrico caiu de 60% para 52% na última semana. Em igual momento do ano passado, eram 16%. Atualmente, 27% das lavouras estão em situação de regular a ruim, contra 29% na semana passada e 13% em igual período de 2020/21.

BIODIESEL: Associações criticam decisão de manter mistura em 10% em 2022

As Associações do setor de biodiesel divulgaram nota reforçando que a decisão de manter mistura abaixo da prevista no cronograma oficial do CNPE impacta diretamente a economia, o meio ambiente e a saúde pública. Segue abaixo a nota completa: Diferente do publicado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em 17/01, a decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de manter o teor de biodiesel no diesel fóssil em 10% ao longo de 2022 é um equívoco, em todos os aspectos. 
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO) e a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (UBRABIO) refutam informações divulgadas sem a devida clareza e entendimento dos fatos, desconectadas do contexto econômico mundial e nacional, que criam confusão para sustentar uma narrativa cuja consequência é o desmanche do setor e contradizem compromissos assumidos pelo próprio governo.
Destacando:
1. A afirmação de que o consumidor brasileiro economizará R$ 9,15 bi ao longo do ano com esta decisão não nos parece correta, e o cálculo citado pelo MME não explicou o que levou em consideração. O aumento estimado no custo do diesel B (diesel fóssil com adição de biodiesel) em cerca de 25% está superestimado. Deve-se usar como referência o custo do diesel A importado e não o diesel das refinarias nacionais, que hoje está abaixo da paridade de importação. Neste caso a diferença reduziria significativamente. O biodiesel não utilizado na mistura terá de ser substituído por diesel importado, cujo preço internacional entre dezembro de 2020 e dezembro de 2021 aumentou 77,4% em dólar, pois as refinarias brasileiras não têm capacidade de atender à demanda. Ou seja, a argumentação não se sustenta; 
2. Quanto à fonte dos dados de preços do diesel e do biodiesel utilizados neste cálculo, a nota do MME utilizou dados de uma consultoria privada em detrimento dos dados coletados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sem justificar o motivo para essa escolha. O levantamento oficial demanda um grande esforço da ANP, que utiliza um sistema preciso de aferição dos preços dos combustíveis informados regularmente por todos os produtores e importadores operando em território nacional; 
3. Ainda segundo a ANP, de dezembro de 2020 a dezembro de 2021, o aumento do diesel A foi de 57,12%, enquanto o biodiesel B100 (sustentável) teve uma variação de 6,38%, inferior à inflação do período; 
4. A nota estranhamente cita o diesel verde, produto que atualmente possui um custo 50% superior ao biodiesel e não tem produção local. Ainda mais questionável é colocá-lo como alternativa ao biodiesel, quando deveria entrar como aumento da substituição do fóssil. Para um programa básico de combustível do futuro, os dois biocombustíveis devem ser considerados de forma integrada; 
5. Tomar a política de biocombustíveis praticada na Argentina e Uruguai como referência de análise é um mau sinal para um país que é modelo para o mundo nesse quesito. Melhor usar como parâmetro outras nações que anunciaram mandatos maiores de biodiesel no setor de transportes, caso da Nova Zelândia e da Malásia, que pretende implementar totalmente o B20 até o final deste ano. Não restam dúvidas de que a utilização do biodiesel é o caminho mais rápido e eficiente para a descarbonização da matriz ciclo diesel; 
6. A manutenção da mistura de biodiesel em 10% também traz impactos negativos para o agronegócio brasileiro. Os dados de esmagamento de soja vêm apontando queda acumulada em relação ao registrado em 2020, mesmo com uma safra maior. A redução da mistura em 2021 e a menor produção de farelo foram fatores que seguramente fizeram parte da composição da inflação recente de alimentos. O que a nota não diz Embora cite externalidades positivas do biodiesel para o país como a geração de emprego verde e renda para a agricultura familiar - algo que se perde com a utilização do diesel importado -, não destaca a importância da melhora sensível na qualidade do ar, já que o biodiesel reduz em até 80% as emissões de CO saúde pública diminuindo o volume de internações causadas por problemas respiratórios associados à poluição do ar. 
Segundo estudos realizados, se consideradas só as seis maiores regiões metropolitanas, estima-se que a redução em 2022 de B13/B14 para B10 deixa de evitar 464 mortes, mais de uma morte por dia. Parece que não há valor nas vidas que poderiam ser preservadas. A cadeia produtiva do biodiesel propiciou, nos últimos 15 anos, investimentos superiores a R$ 10 bilhões com um parque industrial de 54 usinas de produção. Outras 11 unidades estão em construção e mais 4 plantas em processo de ampliação para produção de energia limpa. Com a redução da mistura, o país registra elevadas perdas com arrecadação tributária para Municípios, Estados e União. A única previsibilidade encontrada até aqui é que o setor não pode confiar no programa como uma Política de Estado. A produção nacional de biodiesel é uma resposta brasileira às exigências da nova economia global que considera, além dos investimentos financeiros e dos lucros diretos de cada segmento, as outras vantagens comparativas que este biocombustível oferece. O comunicado simplesmente coloca por terra os compromissos assumidos pelo próprio governo durante a COP 26. Com essa direção adotada à base de diesel fóssil, não vamos cumprir as metas anunciadas e isso não parece ser um problema para o MME. Por tudo que foi citado, o setor do biodiesel confirma seu comprometimento com o Brasil e, principalmente, com os brasileiros, lembrando que o biodiesel é o melhor caminho para abastecer com sustentabilidade o nosso país. 

CAFÉ: Comercialização da safra 2022/23 do Brasil atinge 32% - SAFRAS
Os preços altos ajudaram a destravar alguns negócios com safra futura de café, mas o fluxo de vendas segue arrastado. O produtor já comprometeu um percentual alto da safra 2022, especialmente no Sul e Cerrado de Minas Gerais e na Mogiana paulista. Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, uma dinâmica comercial acelerada associada às dúvidas produtivas em torno da próxima safra segura um pouco o ímpeto das vendas de safra nova. "Além disso, os preços seguem muito próximos da máximas nominais, o que favorece a estratégia do vendedor de fracionar lotes e alongar posições, sem pressa em fechar novos negócios. No lado da demanda também não há grande interesse. Questões de fluxo de caixa, por conta do 'margeamento' em bolsa, ajudam a inibir um pouco o interesse por posições antecipadas", diz Barabach. 
Levantamento de SAFRAS indica que até o último dia 14 de janeiro as vendas da safra 2022/23 alcançavam 32% do potencial produtivo de 2022. Isso corresponde a um avanço de 3 pontos percentuais na comparação ao mês anterior. E, mesmo mais cadenciada, as vendas seguem comparativamente bem aceleradas, uma vez que em igual época do ano passado o comprometimento dos produtores estava em 19% da safra. Destaque às vendas de arábica, que alcançam 35%. Estavam em 26% em igual período do ano passado. Já as vendas de conilon alcançam 33% do potencial produtivo, contra 8% em 2020. "O interesse da indústria local, por conta do arábica caro e da mudança no blend, explica essa performance", diz Barabach. Ele comenta que continua o spread negativo entre os contratos de café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) - posições mais distantes trabalhando com preço mais baixo que as mais próximas. 
"O mercado aposta em melhora na oferta futura. Esse comportamento da curva de preço de café na ICE US é um fator adicional para limitar o interesse por fixações futuras do lado do vendedor", aponta. O consultor indica que a curva de dólar futuro sustenta uma inclinação positiva mais acentuada, pautada na taxa de juros mais elevada. E isso serve de um fator de compensação. "Em linhas gerais, a base de preço para fixação antecipada continua muito valorizada e bem acima das referências médias históricas deflacionadas. Mesmo com os custos mais altos, continuam garantindo uma boa rentabilidade ao vendedor", diz. Ainda diante desse quadro favorável, aborda Barabach, o fluxo de vendas tende a seguir compassado, com o produtor alongando vendas e atento à safra 2022 e de olho na volatilidade financeira, especialmente a dólar e petróleo. "E só deve acelerar vendas se o preço do café der uma guiada de baixa acentuada", conclui.

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