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    SOJA e MILHO: Confira as avalições do Rabobank para as safras no Brasil

    País será o maior exportador de milho do mundo em 2022/23 e área de soja deve crescer 3% em 2023/2
    Rafael De Marco
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    Soja

    Milho

    Em meio a um cenário de indefinição da safra de milho nos EUA, as cotações de CBOT apresentaram alta volatilidade nos últimos meses, informa o relatório trimestral do Rabobank sobre o setor. O estudo destaca que, durante o mês de setembro/23, as cotações de CBOT indicaram uma queda de 2%. Enquanto os preços do mercado local, apresentaram aumento de 1%. Porém, desde o início da colheita do milho safrinha, os preços apresentaram uma redução expressiva de 8%.

     

    A oferta recorde do cereal no Brasil, a falta de armazenagem e um significativo atraso na comercialização do milho safrinha, impactaram negativamente os preços do milho durante o ciclo 2022/23. O Rabobank estima uma safra total de milho de 131 milhões de toneladas, um aumento de 16 milhões de toneladas em relação ao ano anterior.

     

    A limitada oferta de armazenagem mediante colheitas recordes de soja e de milho, que resultaram em um volume adicional de 48 milhões de toneladas, evidenciaram a falta de capacidade de armazenagem nas principais regiões produtoras.

     

    Segundo dados do IMEA (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), a comercialização alcançou 65%, 20 pontos percentuais abaixo da média dos últimos 5 anos para o período.

     

    EXPORTAÇÕES

    Em agosto/23, as exportações alcançaram 9 milhões de toneladas, 2 milhões de toneladas acima do recorde. De acordo com o Secex, as exportações acumuladas alcançaram um volume recorde de 25 milhões de toneladas. Parte deste aumento se deve ao aumento da participação chinesa nas exportações brasileiras de milho. Atualmente, a China representa 18% do volume total exportado.

     

    O Rabobank estima que as exportações de milho deverão atingir um recorde de 52 milhões de toneladas, um aumento de 8 milhões de toneladas em relação ao ano anterior. O Brasil durante o ciclo 2022/23 será o maior exportador do cereal, ultrapassando os Estados Unidos.

     

    Para a safra 2023/24, o USDA vem apontando para uma safra total de milho norte-americana de 384 milhões de toneladas, a maior safra dos últimos 6 anos. Porém, ainda assim é esperado que o Brasil permaneça como maior exportador de milho para o próximo ciclo.

     

    Apesar do volume recorde exportado, a elevada disponibilidade do milho e as elevadas cotações do frete no mercado local, deverão pressionar as cotações do cereal na moeda brasileira, tendência que deverá permanecer nos próximos meses.

     

    Como ponto de atenção, o estudo ressalta que, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a colheita do milho safrinha alcançou 93%, 5 pontos percentuais abaixo do mesmo período do ano passado.

     

    Por fim, o Rabobank estima que o consumo interno de milho para o ciclo 2022/23 será de 81 milhões de toneladas, um aumento de 6 milhões de toneladas se comparado ao ano anterior.

    SOJA

    Nos últimos meses, o mercado internacional reagiu frente ao desenvolvimento da safra norte-americana. O clima mais seco e as elevadas temperaturas reduziram a estimativa da safra da oleaginosa nos Estados Unidos. Isso resultou em um aumento das exportações brasileiras de soja e ocasionou um leve aumento dos preços no mercado local. Às vésperas do início do plantio, os preços da oleaginosa apresentaram aumento de 1% em setembro-23, se comparado ao mês anterior. Porém, quando comparamos aos níveis de janeiro-23, os preços apresentaram uma redução de 21%.

     

    Os excelentes resultados obtidos no campo levaram a uma safra recorde brasileira. O Rabobank estima que a safra de soja em 2022/23 atingiu 156 milhões de toneladas, um aumento de 28 milhões de toneladas frente a safra anterior. Já as exportações da oleaginosa alcançaram um volume recorde de 81 milhões de toneladas entre os meses de janeiro-23 e agosto-23. Um aumento de 15 milhões de toneladas, se comparado ao mesmo período do ano passado. O esmagamento de soja apresentou um aumento de 2 milhões de toneladas frente ao ano anterior.

     

    Apesar do significativo incremento na demanda, o aumento robusto da oferta de soja durante o ciclo 2022/23 pressionou as cotações da oleaginosa. A redução significativa dos preços impactou o ritmo da comercialização para esta temporada. A comercialização da soja para o ciclo atual está em 80%, 6 pontos percentuais abaixo da média dos últimos 5 anos.

     

    Mesmo considerando a significativa redução dos preços da oleaginosa em 2023, o Rabobank acredita que para o próximo ciclo, a área plantada de soja deverá aumentar cerca de 3%. Um crescimento mais tímido, quando comparado aos níveis dos últimos 2 anos. Considerando a tendência para a produtividade, a estimativa inicial da safra de soja é de 162 milhões de toneladas, um aumento de 6 milhões de toneladas quando comparado ao volume produzido em 2023.

     

    É esperado que a produção global da oleaginosa alcance um novo recorde para o ciclo 2023/24. O USDA aponta para uma produção global de 401 milhões de toneladas, um aumento de 34 milhões de toneladas se comparado ao ano passado. Em um cenário no qual a demanda deverá crescer em um ritmo mais lento do que a oferta, é esperado um aumento dos estoques globais da oleaginosa. Mediante este cenário, os preços poderão atingir patamares menores para o próximo ciclo.

     

    Com informações da Agência Safras