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    Tipos de ordenha: conheça as principais vantagens de cada um

    Em um cenário de mais de 1 milhão de produtores de leite no Brasil, quais as possibilidades de tipos de ordenha? Quais as vantagens de cada um? E as limitações? Continue sua leitura e saiba mais
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    Divulgação: Arquivo
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    Da ordenha manual aos robôs, a produção de leite possui diversas possibilidades quando o assunto é o tipo de ordenha utilizada na fazenda. E tudo isso mudou muito nos últimos 50 anos. É justamente sobre isso que trata o artigo de hoje. Em um cenário de mais de 1 milhão de produtores de leite no Brasil, quais as possibilidades de tipos de ordenha? Quais as vantagens de cada um? E as limitações? Continue sua leitura e saiba mais

     

    Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e Redatora do Portal Agromulher

     

    A produção de leite no Brasil possui destaque mundial. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), somos o terceiro maior produtor de leite do mundo , com mais de 35 bilhões de litros por ano . Sendo que 98% dos municípios brasileiros têm produção de leite , predominando pequenas e médias propriedades. O país conta com mais de 1 milhão de propriedades produtoras de leite e emprega mais de 4 milhões de pessoas . A produção de leite atualmente tem uma robustez tecnológica que era inimaginável há 50 anos. E, cada dia mais, a exigência por eficiência para manter-se no mercado aumenta.  Somente aqueles produtores que forem mais eficientes técnica e economicamente conseguirão se manter na atividade.

     

    Diante de mais de 1 milhão de propriedades rurais que produzem leite no Brasil, muitas são as realidades encontradas e a riqueza de diversidade no perfil destes produtores é nítida. A adoção de tecnologia é variável, assim como a forma de produção e essas mudanças também incluem o formato das salas de ordenha e os tipos de ordenha utilizadas em cada propriedade. Ao andar pelo Brasil não é difícil encontrar propriedades que utilizam a conhecida ordenhadeira mecânica com balde ao pé. Por outro lado, também é comum encontrar ordenhas do tipo espinha de peixe e até mesmo os chamados carrosséis. Mas quais as principais diferenças entre estes tipos de ordenha? Quando você, produtor, pode adotar um ou outro? Continue sua leitura e conheça estes tipos de ordenha possíveis hoje dentro da bovinocultura leiteira.

     

    Tipos de ordenha

     

    Basicamente, existem dois tipos de ordenha: a manual e a mecânica . Na ordenha manual, o leite é retirado pelas mãos do operador diretamente em um balde. E dali é despejado no tanque resfriador.

     

    Já na ordenha mecânica, é utilizado um equipamento que é acoplado ao úbere das vacas e retira o leite por meio de sucção. Independentemente do tipo da ordenha, os parâmetros de qualidade e higiene devem ser mantidos. A diferença está relacionada à eficiência da operação e ao valor do investimento nos equipamentos. Portanto, a escolha entre ordenha manual ou mecânica dependerá da quantidade de animais, da raça manejada, da infraestrutura da fazenda, da produtividade e do valor de capital disponível para investimento.

     

    Dentro da categoria “ordenha mecânica” há inúmeras variações e possibilidades que também dependerão de todos os critérios anteriormente citados. Quanto maior o número de animais e a produtividade, maior a necessidade de investimento em infraestrutura e equipamentos mais modernos para otimizar a ordenha e gerar maior eficiência e controle no processo de obtenção do leite.

     

    Veremos a seguir alguns tipos de ordenha mecanizada, sua descrição e possibilidades de uso.

     

    Balde ao pé

    Na ordenha balde ao pé, o equipamento de ordenha acoplado ao úbere da vaca retira o leite (por meio da sucção das teteiras colocadas em cada um dos 4 tetos) e o leva diretamente para um latão. Posteriormente, este leite é despejado no tanque de refrigeração. Dentre os tipos de ordenha mecanizada, este é o mais simples e menos eficiente, pois demanda o trabalho de despejar o leite no tanque a cada vez que o recipiente encher. Portanto, este sistema se adapta bem a atividade de menor escala, uma vez que em grande escala este operacional de manejar os latões poderia tornar-se inviável e demorado.

     

    Canalizada

     

    Já a ordenhadeira canalizada leva o leite diretamente do teto da vaca para dentro do tanque de refrigeração, passando por um filtro e uma canalização própria para esse fim. Portanto, o rendimento desta técnica é maior do que a anterior e o leite é menos manipulado.

     

    Comumente, as salas de ordenha que utilizam ordenha canalizada podem possuir o sistema de fosso para que os profissionais possam se manter em pé no momento da ordenha e tenham mais conforto para executar a atividade.

     

    Veremos a seguir as diferentes possibilidades de disposição dos animais para uso do sistema de ordenha canalizada:

     

    ·       Tandem – neste tipo de ordenha, as vacas ficam dispostas em fila indiana , uma atrás da outra, paralelamente ao fosso. Esta disposição permite o manejo individual de cada vaca sem a interferência no tráfego das demais. A desvantagem deste formato é que as vacas ocupam muito espaço e, portanto, seria necessária uma sala comprida ou um aumento da operação de troca de lotes destes animais dentro da sala de ordenha.

    ·       Lado a lado – neste tipo de ordenha, as vacas ficam de costas para o fosso , uma ao lado da outra. Este formato permite a redução do espaço para cada vaca. A desvantagem é a dificuldade para visualizar completamente os tetos e o úbere, dificultando o manejo.

    ·       Espinha de peixe – neste tipo de ordenha, as vacas ficam posicionadas diagonalmente (ângulo de 33°) em relação ao fosso. Esta disposição favorece a visualização e o manejo dos tetos e otimiza o espaço na lateral do fosso. Geralmente, os animais ficam dispostos nos dois lados do fosso. Mas pode também serem alocados em apenas um lado. Essa disposição depende da estrutura da sala de ordenha.

    ·       Carrossel – neste tipo de ordenha, as vacas ficam dispostas em uma estrutura circular com compartimentos individuais para cada vaca. Os animais são ordenhados ao mesmo tempo e a estrutura gira suavemente, otimizando o trabalho dos operadores. Neste caso, as unidades de ordenha são individuais e o extrator de teteiras é automático. Assim como, a entrada e saída dos animais. Este modelo é indicado para fazendas com alto número de animais de alta produtividade e que buscam aumentar a eficiência da ordenha.

    ·       Robotizada – neste tipo de ordenha (ainda pouco explorado no Brasil), todo o processo de ordenha desde a limpeza dos tetos é controlada e realizada por robôs e computadores. Neste modelo, a vaca é “treinada” a ir até o sistema de ordenha sempre que estiver com o úbere cheio. Ao chegar no robô, ele é acionado por sensores e realiza todo o processo de ordenha. Ele fica ativo continuamente e a ordenha acontece sempre que um novo animal chega ao local e aciona o sensor do robô. Ainda é uma realidade distante da maioria das fazendas por conta do alto aporte de investimento, mas está em teste em alguns locais do país.

     

    Cuidados na hora da ordenha

    Independentemente do tipo de ordenha, vários são os cuidados necessários para garantir a qualidade da produção de leite. Entre eles, podemos destacar:

     

    ·       Bem-estar animal – durante a ordenha também é preciso garantir a manutenção do bem-estar animal. A condução tranquila dos animais até a sala de ordenha, a manutenção da rotina com horários pontuais e locais padronizados para a execução da atividade e com processos bem definidos garantem tranquilidade para os animais durante o processo da ordenha.

    ·       Higiene – a higiene é parte imprescindível do processo. Tanto os funcionários (roupas e sapatos) quanto os equipamentos e o local de ordenha devem ser higienizados rigorosamente após cada ordenha com produtos sanitizantes recomendados. Esta higiene contribui para a melhoria da qualidade do leite entregue ao laticínio. Inclusive, é uma exigência dos próprios laticínios e da legislação vigente o parâmetro de higiene (mensurado por meio da Contagem Bacteriana Total – CBT).

    ·       Controle sanitário – outro fator que precisa ser avaliado criteriosamente é a saúde do rebanho como um todo. Os animais precisam estar saudáveis para produzir um leite de qualidade e seguro. Quando identificado um animal com suspeita de alguma doença, deve ser direcionado para tratamento e levado ao fim da linha de ordenha, quando o leite será descartado, se assim o tratamento exigir. Tudo para garantia da segurança do leite produzido e para garantia da recuperação da saúde do animal.

    ·       Qualidade do leite – e todos estes parâmetros interferem diretamente na qualidade do leite, que além do fator de contagem bacteriana, anteriormente citado, também conta com parâmetros como proteína, gordura e contagem de células somáticas . Tudo isso depende da saúde do animal e da genética e nutrição do gado utilizado na fazenda.

     

    Com todos estes cuidados, é possível produzir um leite seguro e com a qualidade que o consumidor merece, independentemente do tipo de ordenha utilizado. Afinal, do grande ao pequeno produtor, dentro das diversas realidades existentes, o tipo de ordenha é apenas mais uma das inúmeras possibilidades existentes dentro da produção de leite.