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    Vazio sanitário da soja: ferramenta indispensável para o controle da ferrugem asiática

    Você já ouviu falar do vazio sanitário da soja? Sabia que essa medida é considerada uma das mais importantes para o controle da ferrugem asiática?
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    Divulgação: Arquivo
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    Tags:

    Agro

    Pragas

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    Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e Redatora do Portal Agromulher

    O vazio sanitário é uma  estratégia de manejo  de pragas e doenças em culturas como soja, feijão e algodão. Dentre os períodos de vazio sanitário já vigentes, o destaque é para o da soja. Mas para entender a importância da adoção desta estratégia de manejo, precisamos compreender em números o impacto da ferrugem asiática na produção de soja do Brasil.

     

    Prejuízo da ferrugem asiática da soja no Brasil

    A ferrugem asiática é uma doença grave para cultura da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi . As perdas ocasionadas por esta doença podem ultrapassar 80% da produção , a depender do nível de severidade.

     

    Segundo dados do Consórcio Antiferrugem , na safra 2018/2019 (últimos dados de custos divulgados) os custos com o controle de ferrugem asiática no Brasil foram US$ 2,8 bilhões, considerando custo médio dos produtos e da operação de aplicação, somados à perda em grãos. Portanto, muito além das aplicações de produtos químicos para controle da ferrugem, o produtor precisa se comprometer e entender que o manejo dessa doença, considerada extremamente severa para a cultura, passa também por estratégias como o vazio sanitário e adequação à janela de plantio de cada região.

    O vazio sanitário consiste em um período de ausência de plantas de soja vivas (cultivadas ou voluntárias) nas lavouras. Em cumprimento as normativas estaduais neste período, todas as espécies voluntárias, hospedeiras de pragas-alvo e doenças devem ser destruídas mediante o uso de produtos químicos ou métodos físicos , como a utilização de grade, dentro do prazo estipulado. O (A) produtor (a) que não cumprir o vazio estará sujeito a penalidades como multas. Os estados brasileiros também têm sanções aos que não seguirem.

    O objetivo do vazio sanitário da soja é reduzir a sobrevivência do fungo causador da   ferrugem-asiática  ( Phakopsora pachyrhizi)  durante a entressafra, já que o fungo é biotrófico e, embora possa infectar outras espécies, é um fungo altamente específico e tem a soja como principal hospedeiro.

     

    Portanto, ao eliminarmos as plantas de soja na entressafra, “quebra-se” o ciclo do fungo, reduzindo a quantidade de esporos presente no ambiente. Consequentemente, nos primeiros plantios de soja haverá baixa ou nenhuma quantidade de inóculo na região, diminuindo a possibilidade de incidência da doença no período vegetativo e reduzindo o número de aplicações de fungicida.

     

    Para que esta medida funcione, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publica, anualmente, a Portaria que define o calendário com os períodos de vazio sanitário para a cultura da soja em todo o país durante aquele ano. O Mapa ainda alerta para o expressivo aumento das ocorrências de ferrugem asiática da soja na safra 22/23 e reitera a importância de respeitar o vazio sanitário como medida de controle . Assim, o objetivo é reduzir ao máximo possível o inóculo da doença, minimizando os impactos negativos durante a safra seguinte. 

     

    Calendário de vazio sanitário por estado

     

    As datas do vazio sanitário variam de região para região. Para saber os períodos de vazio sanitário para cada região, é importante estar atento ao calendário * abaixo, divulgado pela Embrapa Soja . Vamos dar o exemplo da interpretação para o estado de Goiás: de acordo com o calendário, o vazio sanitário para soja em Goiás vai de 27/06 à 24/09. Portanto, sabe-se que do dia 27/06 até o dia 24/09 do corrente ano não é permitido que haja plantas de soja vivas em campo no estado de Goiás, independente de ser cultivadas ou voluntárias. E assim varia para cada região, a depender de inúmeros fatores climáticos e produtivos. Cultivos em caráter excepcional são revistos de acordo com finalidade e quantidade de autorizações previstas na Portaria nº306/2021 .

     

    Calendário Vazio Sanitário 2023 – Divulgação: Embrapa Soja

    *Para informações sobre os estados que são subdivididos em mais de uma região, acesse o calendário completo no link acima

     

    Manejo de plantas voluntárias conhecidas como “tiguera”

    Aqui chegamos a um ponto importante: o manejo da soja tiguera . É imprescindível que o produtor destrua (química ou fisicamente) as plantas de soja que fiquem em campo após a colheita. Afinal, estas plantas também podem ser hospedeiras do inóculo da ferrugem e servir de ponte e perpetuação do inóculo na área até a próxima safra.

     

    E aqui vale uma ressalva importante: entenda que a produção vegetal é um ciclo . Se você fez uma colheita mal feita, com colhedoras desreguladas, velocidade errada de colheita, entre outros fatores, além da perda de produção da soja que deixa de ser colhida, ela ainda irá gerar problemas pois irá germinar descontroladamente fora da janela de semeadura autorizada. Portanto, esteja atento no momento da colheita da soja e no posterior controle da soja tiguera em meio à cultura sucessora.

     

    Benefícios do vazio sanitário da soja

    Diante de tudo que comentamos neste artigo, podemos entender que o vazio sanitário da soja, que hoje possui caráter obrigatório no Brasil, traz inúmeros benefícios ao sistema de produção como um todo. Além de cumprir o seu papel como estratégia de controle da ferrugem asiática, este período de ausência de plantas hospedeiras em campo também contribui para redução da população de pragas como a mosca branca ( Bemisia tabaci ) e a lagarta  Helicoverpa armigera , mesmo apresentando outros hospedeiros principais. Além disso, outras doenças causadas por fungos específicos para cultura da soja, também têm seu ciclo interrompido, chegando com uma menor carga de inóculos na safra seguinte.

     

    Quando há uma menor população de pragas ou uma menor carga de inóculos no início da safra em determinada área, estes problemas fitossanitários tendem a ser retardados no ciclo da cultura, reduzindo a necessidade de aplicações precoces e, consequentemente, reduzindo o custo de produção.

     

    Alternativas para o período entressafra

    Quando falamos em vazio sanitário, uma coisa é certa: a soja não pode estar em campo, mas o solo também não pode ficar vazio e descoberto . Pois uma área descoberta tende a gerar problemas com plantas daninhas, além de compactação, erosão e grande perda de solo e nutrientes.

     

    Diante de tudo isso, entendemos que o mais adequado é aproveitar o período de vazio sanitário da soja para manejar culturas de cobertura, adubação verde, gramíneas plantadas anteriormente em consórcio com o milho de 2ª safra (prática comumente realizada) ou até mesmo outra cultura de interesse econômico . Tudo isso deve ser definido e planejado a partir da análise criteriosa da realidade do produtor e da sua área.

     

    Com a realização correta do manejo das plantas daninhas na entressafra e uso do solo de forma planejada e sustentável, o produtor aproveita a sua área de cultivo nesse período e ainda pode melhorar as características físicas, químicas e biológicas do solo para potencializar a produção da próxima safra. Portanto, o período do vazio sanitário, se bem manejado, além de promover a quebra do ciclo de patógenos , mais especificamente do fungo causador da ferrugem asiática, potencializa diversos outros aspectos da capacidade produtiva da lavoura.