As 3 guerreiras da Fazenda Boa Vista

Conheça a história de Clélia, Cristiane e Adriane Steinmetz , mãe e filhas que unem forças pera vencer nos negócios e abrir fronteira para as mulheres no agro

Diversidade, Equidade & Inclusão

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No mundo dos negócios, em dinastias familiares, é comum ouvir a expressão de “pai para filho” em relação a sucessão de gerações. No agro isso é até mais comum. Entre os Steinmetz , essa máxima se transformou e ganhou contornos mais contemporâneos. 


Na Fazenda Boa Vista, em Mineiros (GO), Clélia e as filhas Cristiane e Adriane Steinmetz trabalham juntas para assegurar o sucesso na produção de soja e milho.


Nesse novo matriarcado, elas levam adiante o legado construído em conjunto com Eugênio Inácio Steinmetz, marido e pai, falecido em 2014. Juntas, Clélia, Cristiane e Adriane formam um triunvirato que une experiência, dedicação e empreendedorismo. Cada uma soma no processo produtivo da fazendo enquanto ampliam fronteiras. Uma delas é a criação da Rede UMA (União das Mulheres do Agro) que, em parceria com o Conecta, vai difundir, neste espaço de comunicação criado pela John Deere, histórias de sucesso do poderoso toque feminino no agronegócio.

Para abrir essa nova frente no Conecta, nada melhor que a história de vida, superação e sucesso de Clélia, Cristiane e Adriane Steinmetz . Confira:


COM A PALAVRA, CLÉLIA, A MATRIARCA



“Eu nasci lá no Rio Grande do Sul, na cidade de Santo Cristo, quase na divisa com a Argentina, bem lá no finalzinho”.

“Nós plantávamos muita diversidade e éramos entre oito irmãos, quatro mulheres e quatro homens. Eu sou a segunda mais velha. E os mais velhos sempre têm que ajudar mais na lida, então, desde muito cedo eu tive que trabalhar e ajudar meus pais tanto na lavoura quanto em casa.”


“Depois, com 19 anos e como a minha outra irmã já estava com 12 anos e podia ajudar minha mãe, eu resolvi sair de casa para estudar e trabalhar fora.”


“Fiquei lá (em Cerro Largo, RS) até me casar. Meu marido, Eugênio Inácio Steinmetz veio trabalhar em Goiás, em Mineiros. Casei em 29 de dezembro de 1979 e, em 11 de janeiro de 1980, cheguei aqui. Nós viemos de ônibus e com a mudança! (risos) Nossa mudança era só uma mala para cada um. Ficou tudo lá no Sul e, depois, foi trazendo tudo aos poucos.”


Amor, trabalho e uma barraca

“Moramos dois anos em uma barraca de lona de chão batido e era bem difícil. Eu tinha que ir junto na roça, cuidava a plantadeira, ajudava a carregar adubo e calcário e, também, fazer almoço, sendo que já tinha um outro funcionário…”


“Faz mais de 40 anos que estou morando aqui. Era completamente diferente do Sul. Mineiros era praticamente uma vila e, no início, tinha apenas um supermercado.”


“As meninas foram crescendo, saíram de casa para estudar. Primeiro foram para uma cidade mais perto, que é Mineiros. De lá, depois, para Goiânia, fazer faculdade”.


“Mas, aí, aconteceram algumas situações em uma época em que meu marido não estava bem, veio uma crise financeira e a Cristiane, que já estava na faculdade de Direito em Goiânia, voltou”.


“Tudo isso começou em 2004, Cristiane havia assumido o financeiro, Adriane nos dava o suporte e foram 10 anos de muito trabalho.”


“Em 2014, muito trágica e repentinamente, meu marido faleceu. Para mim, foi como se tivesse tirado o chão debaixo dos pés. Para nós, foi um susto muito grande. A gente não esperava, Eugênio era novo e a gente nunca está preparada para estas coisas”.


Seguindo em frente

“A Cristiane estava praticamente por dentro das coisas e eu sabia muitas coisas, também. Eu e meu marido, a gente sempre conversava muito de sentar e tomar chimarrão juntos. Mas, para mim foi muito difícil nos primeiros tempos por causa daquela companhia que a gente tinha um do outro”.


“O que vai ser daqui pra frente? Pensei… Aí a Cristiane disse que tinha de ver se a Adriane iria voltar para nós três, juntas, seguirmos em frente. Eu comecei a pensar diferente. Eu não posso me deixar abater agora, pois tenho as minhas filhas que precisam de mim. Eu preciso delas, também. Nós vamos ter que unir forças”.


“E aí nós começamos e não foi nada fácil, foi bem difícil. Você escuta comentário de tudo. Pessoas que você pensa que são seus amigos, na hora você não pode contar. E tem muitas pessoas boas que estavam do nosso lado, realmente.”


Buscando conhecimento

“Eu fiz alguns cursos, fiz até o Método CIS (Inteligência Emocional), que foi uma grande ajuda pra mim e para nós três, para uma respeitar a opinião da outra e juntas chegarmos a um denominador comum.”


“Graças a Deus nós conseguimos colocar a máquina no lugar e funcionando e estamos até hoje. Já são quase seis anos, conseguimos superar muita coisa, muitos obstáculos, mas estamos aqui firmes e fortes”.


*O artigo completo sobre Clélia pode ser lido no site da UMA: https://umaportodas.com.br/noticias/as-mulheres-tem-que-ser-fortes-e-unirem-suas-forcas/


COM A PALAVRA, CRISTIANE, A PRIMOGÊNITA



“Muitas pessoas me perguntam onde começa minha história no Agro. Costumo dizer que ela começa desde o dia em que nasci…”


“Nasci na fazenda e morei nela até os 15 anos de idade. E não preciso dizer o quanto sou apaixonada e tenho orgulho de contar a minha história. Não tem como falar nisso sem falar dos meus pais e dos meus avós.”


“Eles que deram início. Eles que desbravaram. Eles que construíram. Vieram do Rio Grande do Sul para Goiás no tempo em que tudo aqui ainda era cerrado, quando pouco se falava na produção de soja. Eles, sim, merecem o meu respeito e a minha gratidão.”


Hora de estudar

“Passado este momento de infância, chegou a hora da gente estudar. Cursei até a 4ª Série na escolinha da fazenda, depois eu fui para Portelândia de transporte escolar todos os dias, a cidade ficava 25 km distante, onde eu cursei até a 8ª Série. E, aos 15 anos eu saí de casa…”


“Fui pra Mineiros, onde resido hoje, concluir o que na época se chamava de 2º Grau. Meus pais sempre incentivaram a gente a estudar.”


Ganhando o mundo

“Com 18 pra 19 anos de idade lá fui eu em busca dos meus sonhos, para Goiânia fazer faculdade de Direito. Lá eu fiquei por quatro anos cursando a faculdade de Direito na Unip.”


“Em 2004, quando eu já cursava o 7º período de Direito, eis que uma grande crise assola o País. É o momento em que a Ferrugem Asiática entra no Brasil e todo um processo de muita tensão se instaura, ‘tratoraço’, queima de pneus, o País passando por uma recessão financeira muito grande e eu vejo meu pai em uma situação muito difícil!”


Em nome do pai

“Meu pai começou a entrar em um processo de depressão e não estava bem. Eu me dispus a voltar. Em um primeiro momento ele resistiu porque eu iria perder alguns semestres na faculdade.”


“O que eu sabia naquela época? Nada (risos). Eu era uma menina de 21 anos que estava estudando em busca dos meus sonhos. Mas, hoje eu entendo que o que eu podia oferecer a ele, naquele momento, era apoio moral. Eu estava ali ao lado dele. Ainda estava estudando e podia trazer um conhecimento mais avançado, no sentido de observar a parte jurídica e já desenvolvia um networking muito bom e tudo isso deu segurança para meu pai.”


“Ao lado dele eu trabalhei ao longo de 10 anos. Tive a grata oportunidade de aprender com ele, sendo que eu vivi uma ‘meia sucessão’ que só não foi doce porque foi muito árdua e difícil. Foram momentos de crise financeira, momentos em que minha mãe teve sua saúde abalada. Mas, sempre nos mantivemos muito unidos e isso fez com que não caíssemos.”


Força e otimismo

“Herdei do meu pai e do meu avô o otimismo, o acreditar em dias melhores, o levar um sorriso no rosto apesar dos problemas, por maior que fossem os meus problemas. Eu, às vezes, sentava e chorava. Pensava: como vou resolver isso? Eu simplesmente pedia a Deus que mostrasse o caminho. Eu chorava sozinha, porque eu não podia demonstrar fraqueza. Depois, eu erguia a cabeça e falava com meu pai que iria dar certo.”


“Minha mãe também teve um papel muito importante em meio a tudo isso, pois ela sempre fez este elo, esta ponte, trazendo harmonia para o nosso lar, sendo mulher de muita fé nesta questão de que dias melhores viriam.”


“O que era para ser apenas um momento, uma fase na qual eu viria auxiliar meus pais e, depois, voltaria para seguir o meu caminho acabou se transformando em 10, 15, 16 anos de trajetória no Agro. Hoje eu sou advogada por formação e agricultora por paixão.”


Perda irreparável

“Passados estes 10 anos, a gente viveu o momento mais difícil da nossa família, a maior dor que eu poderia sentir, quando eu achava que já havia vivido e visto quase tudo, eu tive que enfrentar outro momento muito difícil da minha vida. Foi a partida do meu pai, do meu porto seguro, daquele que estava ali comigo. (Pausa) Em 2014 encerra-se um ciclo, meu pai muito jovem acabou partindo, vítima de um infarto, aos 60 anos de idade. E lá estávamos nós, eu minha mãe e minha irmã.”


“Éramos as três mulheres da casa e a sorte a ser lançada. Ficar? Seguir? Dar continuidade? Parar por ali? Pois, sim, eu tive a oportunidade, a escolha de seguir ou de desistir. Mas, em contato com minha e mãe e minha irmã, nós decidimos ficar. Propus a elas que, se elas aceitassem o desafio de junto comigo darmos continuidade, nós ficaríamos.”


“Cerca de dois anos após a partida do meu pai a coisa estabilizou a gente foi em busca de conhecimento. Primeiramente a gente foi muito cobrada, testada e eu penso muito nisso quando ouço falar em preconceito feminino. Eu não acho que isso seja preconceito necessariamente, pois sendo homem ou mulher o mercado vai te testar! Fomos testadas pelos fornecedores, pelos funcionários, pelos vizinhos e colocadas à prova. A gente derruba isso através de conhecimento que gera resultados e que, automaticamente, gera credibilidade.”


Conhecimento e networking

“Passado isso, eu e Adriane cursamos Técnico em Agronegócios, pelo Senar em Rio Verde, para buscar mais conhecimento tanto teórico quanto prático, e lá começamos a pensar em criar algo coletivo. Nós fomos orientadas a criar um grupo de mulheres. Iniciamos pensando em 15, logo tínhamos 50, chegamos a 100 e hoje somos mais de 200 mulheres. Este é o grupo União das Mulheres do Agro – UMA, de Mineiros.”


“Isso foi ficando grande a ponto de a gente entender que precisávamos de algo maior, algo que abraçasse mulheres do Brasil todo. Foi quando a gente criou a Rede UMA, também idealizada com minha mãe e minha irmã. Em 2019 a gente fez o pré-lançamento no Congresso Nacional das Mulheres do Agro – CNMA e, em 2020, fizemos o lançamento oficial.”


*O artigo completo sobre Cristiane pode ser lido no site da UMA: https://umaportodas.com.br/noticias/acredite-em-voce-e-nao-deixe-ninguem-lhe-convencer-do-contrario/


COM A PALAVRA, ADRIANE, A CAÇULA