Com a palavra, Alessandra Zanotto Costa

Conheça a diretora do Grupo Zanotto e Vice-presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão. Mais uma história inspiradora trazida pelo Conecta em parceria com a Rede UMA

Diversidade, Equidade & Inclusão

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“Eu sou baiana nascida em Barreiras, sou filha da terra. Mas, sou filha de um casal gaúcho que migrou para o Paraná. Lá os dois, Dionisio João Zanotto e Ivone Bonadiman Zanotto, conheceram-se e se casaram. Então, vieram para a Bahia desbravar a região Oeste há exatos 40 anos.

 

“Eu nasci quatro anos depois da chegada deles aqui. Tive uma infância muito feliz e muito completa de tudo que, acredito, uma criança precisa. Acompanhava de perto o trabalho dos meus pais e, talvez por esse motivo, não me imaginava, adulta, fazendo o que eles faziam. Sempre fomos muito unidos e com uma base de valores forte, mas achava sofrida a forma que sempre trabalharam. Na minha cabeça, a vida da cidade era melhor!”

 

ESCOLA EM GOIÂNIA

“Desde criança sempre gostei muito de conversar e me relacionar com as pessoas. Gostava de ser líder de classe, de ajudar a organizar festinhas na escola e de participar das gincanas. Como dizia minha mãe, eu tinha que estar no movimento de gente! Fui morar fora de casa muito cedo, com 14 anos, quando minha irmã ingressou na faculdade de Direito em Goiânia. Eu a acompanhei e fui cursar o Segundo Grau”.

 

“Essa mudança me trouxe um grande amadurecimento. Vivia de mesada, mas nunca me contentei apenas com o que meus pais me mandavam. Vendia semijoias, Natura e assim, aos poucos, fui conquistando minha independência”.

 

“Cursei o Ensino Médio no Colégio Prevest e no Colégio DJ, sendo que, desde que me mudei para Goiânia, o meu sonho era fazer faculdade de Arquitetura. Fiz alguns cursos de desenho – que não era minha habilidade – e admirava construções bem planejadas e organizadas. Consegui passar em primeira chamada na Universidade Católica de Goiás”.

 

VOLTA PARA CASA

“Em 2005 minha irmã se casou e eu passei a morar totalmente sozinha. Na mesma época, meu pai teve um problema de saúde, passou por algumas intercorrências médicas e aquele pesadelo me fez repensar sobre a minha vida ali, sobre a minha escolha da Faculdade, sobre a minha trajetória em Goiânia. Sem muito pestanejar, tomei a decisão de voltar. Voltar para minha terra e ajudar os meus pais na Fazenda”.

 

“Meus pais fizeram algumas mudanças no tempo que eu e minha irmã moramos fora. Fomos para Goiânia em 2000 e em 2001 eles já venderam nossa casa em Barreiras e voltaram a morar na Fazenda. E começaram a investir em Luís Eduardo Magalhães, cidade mais próxima”.

 

“Em Junho de 2005, vendi o que deu pra vender em Goiânia, arrumei minhas malas, minha mudança e voltei! Na época, eles administravam a fazenda de lá mesmo. Não havia nenhum escritório em Luís Eduardo. Os dois cuidavam de tudo, das compras, das vendas, dos assuntos com bancos e órgãos públicos. Então, só me restava colar neles e aprender!”

 

ADAPTAÇÃO

“Aluguei um apartamento para morar em ‘LEM’ e uma sala comercial ao lado da Contabilidade que, na época, nos prestava serviço. O contador era meu primo e foi a forma que encontrei de me inteirar da papelada”.

 

“No fundo, meu pai nunca se sentou ao meu lado para me explicar. Tipo dizer que ‘isso funciona assim e assim’. Eu ia, escutava e observava. Foi assim que conheci também muitas pessoas que me ajudaram muito”.

 

“Acompanhava meu pai em tudo. Eu não sei precisar exatamente quando fui conquistando cada espaço dentro do negócio. Mas foi de forma gradativa, conquistada com muita confiança e trabalho”.

 

PAIXÃO PELO ALGODÃO

“A cultura do algodão foi essencial para mim, principalmente pelas pessoas que conheci através dessa cultura. Tive professores fantásticos nesse caminho, que além de me ensinarem todas as peculiaridades que o Algodão tem, fizeram-me ter outra visão do Agro”.

 

“No segundo ano que estava morando em ‘LEM’, participei do Congresso do Algodão, em Salvador. Ali eu meu apaixonei ainda mais pela pluma, além de conhecer muitas outras pessoas do meio. E já imaginando o nosso negócio tomando outra forma, voltei pra ‘LEM’ e imediatamente aluguei uma sala comercial maior e contratei uma secretária. Passei a fazer contatos diretos com fornecedores e, pouco a pouco, fui estruturando uma administração para a fazenda”.

 

NASCE O GRUPO ZANOTTO

“Comecei a construir processos, implantei um software de gestão, trocamos de consultoria agronômica… E as coisas foram crescendo!”.

 

“Em 2007, compramos outra fazenda. Em 2012, implantamos uma Usina de Beneficiamento de Algodão, com capacidade para prestação de serviço a outros produtores da região. Em 2020, compramos mais uma fazenda. Estamos implantando uma Usina Fotovoltaica, que produzirá energia limpa e irá atender quase toda a demanda do Grupo. E assim seguimos… Hoje sou diretora do Grupo, cuido principalmente do financeiro e do comercial, mas estou diariamente acompanhando de perto todos os demais setores. Do RH às operações! Tenho a feliz oportunidade de conviver e aprender muito diariamente com meus pais, que seguem trabalhando no negócio”.

 

“No decorrer destes 16 anos em que estou nesta produção com a família, posso dizer que a minha chegada foi realmente uma virada de chave. Meus pais deixaram de ser agricultores e passaram a ser donos de um Grupo”.

 

“Nós temos um elo familiar muito forte e isso, sem dúvida, é um dos segredos para darmos certo. Estamos todos no negócio e a presença dos meus pais no dia a dia, principalmente no campo, faz toda diferença”.

 

MEIO AMBIENTE

“A questão ambiental é uma preocupação permanente. Neste sentido, demos um passo interessante no negócio. Estamos implantando a usina fotovoltaica, a Zanotto Energy. Ela produzirá energia limpa e irá suprir quase toda a demanda do nosso grupo”.

 

“nosso algodão é certificado pelos programas ABR e BCI há seis anos. Já temos também a nossa Algodoeira certificada pelo ABR. Além disso, participaremos do novo programa da Abrapa, o “Sou de Algodão Responsável” e esperamos, em breve, ver a nossa história disponibilizada em peças de roupas que serão produzidas com nosso algodão”.

 

APRENDIZADO CONSTANTE

“Todas as oportunidades que surgiam para eu aprender ainda mais sobre o Agro, eu estava dentro. Participei da Academia de Líderes da Syngenta, que é um programa conceitual para sucessores do Agro. Fiz o Agrolíderes Rabobank. Participei de outros congressos e de encontros nacionais e internacionais da Cadeia do Algodão. Além disso, fiz cursos de finanças e de treinamentos de relações interpessoais, dentre outros”.

 

“Uma das últimas experiências em aprendizado eu tive em 2019, quando durante um ano inteiro, participei junto a um seleto grupo de jovens, sucessores e empreendedores, de um projeto idealizado pelo ex-presidente da república, Fernando Henrique Cardoso. Foi o ‘Legado Para Juventude Brasileira’. Um programa que trouxe ensinamentos importantíssimos sobre a trajetória política do nosso país e principalmente sobre a influência da Sociedade Civil nas Políticas Públicas. Tive aulas com o FHC, com Rubens Ricuppero, Jorge Caldeira, Marina Silva, entre outros importantes nomes do nosso país”

 

ABAPA

“Desde que cheguei em Luiz Eduardo busquei estar sempre muito presente e prestando atenção nas políticas públicas e privadas. E foi assim que tive a oportunidade de ingressar na Abapa, há sete anos. No final de 2016, recebi o convite do produtor Sr. Júlio Busato, para me unir à diretoria da Abapa e assumi como Tesoureira em 2017. Sabia que conseguiria contribuir efetivamente para o setor na minha região. Fiquei quatro anos, ou seja, duas gestões nesse cargo”.

 

“Em Dezembro de 2020, na troca de Diretoria, fui surpreendida com o convite para me tornar Vice-presidente da Associação, ao lado do presidente Luís Carlos Bergamaschi, cargo que assumi em 2021. Não há esforços que eu não faça para contribuir com a Associação e garantirmos a perpetuação da cultura em nossa região. São inúmeros projetos que acompanhei e acompanho de perto e sei quanto impacto temos no Agro de toda região, assim como na sociedade de modo geral”.

 

“A minha paixão pelo algodão só cresce, ano a ano. Os desafios mudam a cada safra e eu acredito que é isso que me mantém viva e com muita vontade de fazer, a cada dia, a diferença no Agro e na vida das pessoas”.

 

*O artigo completo pode ser lido no site da UMA: https://umaportodas.com.br/noticias/tudo-e-conquistado-a-base-de-muita-confianca-e-muito-trabalho/

 

 

 

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