Com a palavra, Ilce Santos

Bióloga, técnica em psicultura, piscicultora, consultora e representante do Estado de Rondônia na Comissão Nacional de Aquicultura – CNA, referência na ampliação da produtividade da psicultura

Diversidade, Equidade & Inclusão

img-news

“Eu sou Ilce, uma pessoa que gosta de viajar, preferencialmente de carro. Tenho bastante coragem para viajar sozinha e já fiz viagens de 8.000 quilômetros sozinha. Gosto de música e leitura, sendo que sou bastante eclética. Sou muito festeira! Adoro confraternizar com meus amigos e brindar.”

 

“E gosto muito de pescar, esta é uma das minhas paixões. Já pesquei muito no Pantanal, não era pesca esportiva, e todos os anos íamos em um grupo de amigos. Voltávamos para casa com os freezers cheios de peixes e até dividíamos com os amigos, mas não me fazia muito bem ver aquele tanto de pescados que tirávamos da natureza. Com o tempo, congelado, a carne não ficava mais tão boa, enfim… Foi na volta de uma destas pescarias que eu pensei: “Não precisamos ir lá e tirar este tanto de peixe da natureza. Nós podemos produzi-los. Foi a partir daí que comecei a estudar psicultura.”

 

PAIXÃO

“Agora, paixão, paixão mesmo eu tenho é pela psicultura! Sinto que ainda tenho um longo caminho a percorrer. Ainda tem muita coisa que eu quero fazer e muita inovação para trazer para esta atividade.”

 

“A psicultura é a caçulinha do Agro! Então, ainda tem muito o que trabalhar para deixá-la redondinha e com uma cadeia estruturada, como já é na produção de grãos, de bovinos e aves, por exemplo. Nós temos um potencial fantástico, chegaremos lá rapidão. Como já faço parte de tudo isso, pretendo continuar por aqui por um bom tempo.”

 

INFÂNCIA

“Sou filha de Maria Conceição e de Wilson. Minha mãe é da família Vilela, da região de Patrocínio (MG). Já meu pai é de sobrenome Nobre, de uma família baiana de Irecê. Eles se casaram e foram morar em Uberlândia (MG), onde eu nasci.”

 

“Aos seis anos de idade, minha família se mudou para Bom Jesus de Goiás (GO), lá meus pais foram trabalhar com comércio e, novamente, fomos para o Agro. Eles compraram uma fazenda e a família se dividia nas duas atividades. E o que eu mais gostava de fazer era estudar e ir para a fazenda.”

 

“Demorei a sair da adolescência e com 14 anos ainda era quase uma criança. Considero que saí da adolescência lá pelos 16 anos. E sempre gostei muito de música, e era da turma do rock’n roll. Nós tínhamos aquela rebeldia sem causa, mas era uma rebeldia bem leve, interiorana e bastante interessante.”

 

VIDA ADULTA

“E, assim, me casei bem cedo, aos 18 anos, com Paulo Roberto, que havia abandonado a faculdade de Educação Física em Uberlândia porque seu pai também tinha uma fazenda lá. Na verdade, seu pai lhe deu uma fazenda em Bom Jesus. Nos casamos e fomos morar na fazenda! E foi muito bom… Depois eu fui para a cidade, mas gostei muito de morar lá no começo desta vida de casada. Meus três filhos nasceram na fazenda, duas filhas e um filho. São lindos. Paula mora em Goiânia e me deu três netos. Então vem o Pablo, meu único filho homem, que mora em Uberlândia e ainda não se casou. E tem a Camila, que mora aqui em Rondônia também e tem duas filhas. Então, mais duas netinhas e são cinco ao todo. Mas eu me sinto tão jovem quanto minha fila caçula (risos) e com a mesma vontade de trabalhar de quando me casei.”

 

 

“Lá no passado, quando nasceu a nossa caçula, nos mudamos de volta para Bom Jesus, mas continuei atuando na fazenda. Foi neste período que comecei a pensar em trabalhar com psicultura. Isso ainda foi no início dos anos 1980 e esta era uma ideia muito pouco divulgada, mas eu já sabia de sua existência.”

 

VISÃO DE FUTURO

“Psicultura é uma modalidade, um sistema de produção que eu comecei a trabalhar profissionalmente na década de 1990. Eu fui a precursora desta atividade em Bom Jesus, sendo que na região havia algumas pessoas produzindo, mas ainda era muito pouco. Percebi que se não tivéssemos uma produção regional razoável, estaríamos fadados a não ter mercado e, então, abri a nossa produção, em nossa propriedade, para cursos de psicultura. Fiz contatos com a Universidade Federal de Goiás – UFG, em Goiânia (GO), busquei o SENAR e continuei apoiando a formação na área para pessoas que tivessem interesse.”

 

“A ideia era de formar um polo de psicultura na nossa região. E deu certo. Muita gente começou a produzir ali na nossa região e nós abastecíamos tanto o mercado municipal quanto vendíamos para Goiânia e para os poucos frigoríficos e peixarias que existiam naquela época. Foi assim que comecei a realmente trabalhar com o que é a paixão da minha vida até hoje!”

 

BIOLOGIA

“Sou bióloga, fiz a faculdade após ter meus três filhos e me formei pela Universidade Estadual de Goiás em 2000. Em 2002, me mudei para Goiânia e fiz minha especialização, o que levou a me tornar instrutora de piscicultura pelo SENAR, o que fiz por três anos e conheci cada cantinho de Goiás. Assim que deixei esta atividade, assumi um cargo na Secretaria de Agricultura do Estado de Goiás, na mesma área, o que permitiu continuar o trabalho em todo o Estado. Foi um trabalho de formação e da criação de políticas públicas que proporcionassem desenvolvimento para a piscicultura estadual.” 

 

 “Em 2011 eu conheci o recém-eleito governador do Estado de Rondônia, Dr. Confúcio Moura e ele soube do meu currículo. Então, me convidou para assumir a coordenação dos trabalhos para o desenvolvimento da piscicultura no Estado de Rondônia. Foi quando vim para cá e aqui estou até hoje. Já se vão 10 anos.”

 

“Isso foi maravilhoso, pois sempre digo que uma região passa a ter muito potencial de desenvolvimento de qualquer atividade se há vontade política, tornando-se uma prioridade. E foi o que aconteceu em Rondônia. A piscicultura era prioridade do governador e ele tratava diretamente com os gestores das pastas sobre este tema.”

 

“Conseguimos fazer uma revolução em Rondônia. Era uma coisa efervescente, pois nós conseguimos tirar o Estado de uma produção irrisória e levá-lo ao status de maior produtor de peixe nativo do País. E digo mais: Além desta produção ser em quantidade, também é em qualidade. Nós acompanhamos o aumento desta produção levando treinamento para técnicos e agricultores, principalmente nas questões relacionadas à sanidade e ao manejo, para que tivéssemos um produto de qualidade, pois a nossa meta inicial era de exportar 30% da produção. Hoje, exportamos cerca de 15%, mas os trabalhos desenvolvidos neste setor, à época, foram fantásticos.”

 

“Hoje, tenho a satisfação de olhar para trás e ver que nós realizamos um trabalho que deu muitos frutos e podemos dizer, com orgulho, que, hoje Rondônia é o maior produtor de peixes nativos do Brasil. Produzimos praticamente 70 mil toneladas, sendo que já produzimos mais que isso, pois chegamos a produzir 95 mil toneladas no passado. A nossa produção é respeitada e a nossa legislação é muito interessante, que foi conquistada no período em que atuei na Secretaria de Agricultura e na Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social do Governo do Estado de Rondônia.”

 

NO MINISTÉRIO

“No final de 2014, eu saí do Governo de Rondônia e assumi a Superintendência do Ministério da Pesca aqui no Estado. Permaneci até a extinção do Ministério, que se deu em 2016. E nós tivemos alguns avanços, em particular a respeito das patrulhas mecanizadas, que o Ministério cedia para os estados, mas este foi um período muito conturbado daquela pasta.”

 

“Em 2020, com o novo Governo, nós temos uma configuração diferente, eu continuo no Governo do Estado, mas não estou mais à frente das atividades da piscicultura. Continuo dando minha contribuição, pois minha situação funcional é bem definida e, por não estar mais na mesma posição, também voltei a trabalhar com consultoria.”

 

“Na consultoria eu tenho um grande objetivo que é a criação de peixes em tanque rede, porque nós temos aqui duas grandes usinas hidrelétricas sobre as quais a Agência Nacional das Águas – ANA já publicou a capacidade de suporte para a piscicultura. Sobre estes dois reservatórios, UHE Santo Antônio e UHE Jirau, nós temos a possibilidade de produzir 800 mil toneladas de peixes! Além disso, existem 11 PCHs, as Pequenas Centrais Hidrelétricas, o que amplia esta capacidade em muito. A nossa produção também vai crescer muito com esta modalidade de produção. Nós vamos desvendar os segredos da produção de peixes nativos em tanques rede e ainda vamos fazer muito mais sucesso.”

 

*O artigo completo pode ser lido no site da UMA: https://umaportodas.com.br/noticias/quando-descobrimos-o-nosso-talento-trabalhamos-mais-felizes/

 

logo