Com a palavra, Andressa Biata

Conheça a pecuarista, comunicadora, empresária e agro impulsionadora que trocou uma vida de executiva ligada ao mundo da moda em Campinas (SP), pela vida de fazendeira e empresária rural em Costa Rica (MS)

Diversidade

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“Eu nasci em Fernandópolis, interior de São Paulo, meus pais (Lucineia Albertoni e Cido Belico) moravam junto com meus avós maternos (João e Olga Albertoni), porque minha mãe é filha única. Depois de três anos, minha irmã (Mirian Biata) nasceu…”

 

“Meus pais ficaram casados até meus 11 anos de idade. Na separação, mudamos com minha mãe para Jales, na mesma região. Lá, ela se casou de novo e meus avós não moravam mais com a gente. Minha mãe, sendo filha única, meu avô era como se fosse um pai em minha vida. Acontece que acabei me distanciando um pouco do meu pai, o que é até normal em uma relação de separação e morando em cidades diferentes.”

 

“A família do meu padrasto é formada por pessoas muito queridas, muito do bem. Ali fiz grandes amizades que eu tenho até hoje e os trago em minha história, desde criança, tanto de Fernandópolis quanto de Jales. Sempre cultivei estas amizades que são muito importantes para mim.”

 

NA MODA

“Aos 17 anos, prestei vestibular em São Paulo, para Moda e Publicidade. Também prestei vestibular em Campinas. Eu era bem nova e havia passado por um namoro de oito anos na minha fase adolescente. Passei nas duas cidades, mas minha mãe preferiu que eu morasse em Campinas e foi assim que me mudei para lá.”

 

“Depois de três anos que estava em Campinas, a minha irmã também foi para lá fazer faculdade. Nós começamos a morar juntas e tivemos um período incrível juntas. Eu no final da faculdade e ela no começo. Aproveitamos muito esta fase da nossa vida, com muita diversão, muita alegria e muito companheirismo. Ela é fundamental em minha vida. Além de minha irmã ela é também minha melhor amiga.”

 

“Eu sempre trabalhei durante a faculdade para complementar o dinheiro que minha mãe mandava para me sustentar. Eu gostava muito de sair, de viajar e de aproveitar, precisava complementar. Então, eu trabalhava. Eu fazia recepção de eventos, trabalhava como atendente em empresas e fazia estes bicos para poder sair com minhas amigas de faculdade. Eu quase que empatava o que ganhava durante o dia para sair de noite (risos), mas foi desse jeito que trabalhei durante todo este tempo.”

 

PRIMEIRA SOCIEDADE

“Eu estava no último ano da faculdade quando a então professora Larissa me convidou para ser sua sócia. Eu trabalhava de freelancer na empresa dela. Fui fazer uma atividade de pesquisa de mercado para ela e, depois de alguns trabalhos, veio o convite para uma sociedade. Foi assim que começamos a trabalhar com a Datavip, que atuava em parceria com a revista Caras realizando pesquisas de mercado voltadas para a Classe A.”

 

“Durante três anos eu ainda não me sustentava sozinha e minha mãe ainda precisava ajudar. Mas, a partir do quarto ano de empreendimento eu já estava com as minhas próprias asas e em liberdade financeira. Comecei a me sentir mais adulta.”

 

“Após um bom tempo atuando com foco em pesquisas, pegamos a representação comercial de alguns títulos de publicidade de renome, também voltados para a Classe A. Eu fiquei cuidando disso durante 12 anos! Trabalhei com a revista Vogue, com a Casa Vogue e, depois, com a Glamour.”

 

“Com o fim da sociedade, eu continuei com os títulos e, também, com a representação do canal ESPN e, mais ao final, com a agência de influenciadores digitais Spark. Tudo isso aconteceu até o final de 2017.”

 

ENQUANTO ISSO...

“Até 2000, tínhamos uma fazenda em Inocência, em Mato Grosso do Sul. Esta era uma fazenda menor e mais estruturada. Mas, meu avô queria ficar mais perto de seu irmão. Então, vendemos esta fazenda com as porteiras fechadas e, com o mesmo dinheiro, compramos a atual fazenda na região de Alcinópolis, também em MS. Assim surgiu a Fazenda São João do Pontal.”

 

“Não havia cerca nem energia elétrica e esta foi uma empreitada que exigiu muito trabalho para que a fazenda conseguisse se manter. Como meu avô havia vendido tudo para comprar estas terras, no início eram poucas cabeças de gado. Por isso, ele arrendava a fazenda e produzia com seu jeito humilde e trabalhador. Ele sempre foi assim e, inclusive para nos formarmos, ele também sempre ajudou minha mãe.”

 

“Mas, em 2007 ele ficou muito doente. Foi assim que minha mãe ficou mais próxima da gestão da fazenda e passou cerca de um ano até que ele falecesse. Era um processo de sucessão, mas que ocorreu muito rápido. Em meio a tudo isso houve também os problemas de saúde dele. Então, não foi possível para ela se preparar de uma forma eficiente, sendo que passou quase toda sua vida como dona de casa. Éramos ela, minha vó, minha irmã e eu, que, nesta época, morávamos em Campinas. Com a partida do avô, nós intensificamos ainda mais este quarteto fantástico.”   

 

HORA DA VERDADE

“Em 2017 minha mãe nos chamou e disse que estava passando por mais uma fase difícil e que se nós não a ajudássemos com a fazenda ela iria vendê-la. Ninguém na família queria fazer isso, mas ela já estava no limite. Hoje ela diz que foi um blefe (risos), pois nesta fase eu estava com a empresa estabelecida em Campinas e a Mirian trabalhava comigo. Estávamos satisfeitas com a vida. Foi um ultimato para nós e marcamos janeiro de 2018 para conversarmos e vermos qual seria nossa resolução. Ela nos deu um ano.”

 

“A minha conversa com a família foi no final de 2017. Eu havia decidido me mudar para o Mato Grosso do Sul e deixar tudo lá em Campinas. Foi quando as coisas começaram a acontecer e passei a pensar no Agro enquanto empresa em minha vida.”

 

“Quando me mudei para a fazenda eu já era ativa nas redes sociais em Campinas. Eu viajava muito, ia a bons lugares e nas festas da Vogue, por exemplo, e quando tomei esta decisão foi um choque geral. Todo mundo achava que eu não conseguiria porque era muito urbana. Mas, morando na fazenda, assim como fazia antes, eu compartilhava o meu dia a dia. Eu comecei a dividir esta minha mudança de chave, de mundo. E as pessoas acharam muito legal! E foi assim que meu Instagram, que só tinha minhas amigas, cresceu e a Agrishow me convidou para ser Embaixadora Digital da Feira.”

 

AGRO INFLUENCIADORA

“Eu acredito que o que não é real não se sustenta. Eu não tenho formação no Agronegócio, mas estou fazendo cada vez mais cursos e vou fazer o MBA. No final de 2018, fechei a Datavip, que funcionava de forma remota. Antes disso, no meio de 2018, já havia aberto a Ruraiz Pecuária em sociedade com meu marido, Rafael Rezende, na época, namorado.”

 

“Meu marido é extremamente importante em minha vida e meu filho, João, é o presente maior de Deus. Acho que, quando eu vim para cá, foi a mão de Deus que colocou tudo isso no meu caminho. Ele é um roteirista incrível!”

 

“Hoje divido todo este dia a dia dentro do meu Instagram. Todo este aprendizado, as minhas dúvidas e as questões da sucessão familiar dentro do Agronegócio. Hoje moro em uma cidade de 20 mil habitantes e as redes sociais são como uma janela para o mundo. Tenho o maior orgulho de tudo o que acontece por aqui, pois eu vejo o crescimento a olhos vistos.”

 

O artigo completo pode ser lido no site da Rede Uma: https://umaportodas.com.br/noticias/e-preciso-muita-coragem-e-acao-para-que-as-coisas-realmente-acontecam/

 

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