John Deere logo

    Conecta

    Sua fonte centralizada de notícias Agro

    Com a palavra, Lucy Mara Rocha de Souza

    Conheça a produtora rural da região de Presidente Prudente, interior de São Paulo, e o caso de sucesso de sua família com a batata doce
    Rede UMA
    Com a palavra, Lucy Mara Rocha de Souza
    Com a palavra, Lucy Mara Rocha de Souza

    Tags:

    Diversidade

    Mulher

    Rede Uma

    Lucy Mara Rocha de Souza é produtora rural. Casada, com duas filhas, é filha e neta de produtores rurais. Seus avós foram oriundos do Nordeste brasileiro que migraram para cercanias de Presidente Prudente (SP), mais propriamente na região de Santo Expedito, na década de 1950. Hoje participa de um negócio familiar que é referência em batata doce no Brasil. 

    O DIFERENCIAL DA BATATA DOCE 
      Seus ancestrais sempre atuaram “na lavoura”, como diz, passando pelo algodão, pelo tomate e pela soja, até se consolidarem regionalmente como a Família Rocha, com uma história de produção de tomate desenvolvida junto a indústria Cica. Era uma família grande, de sete filhos, todos trabalhando juntos e que prosseguiram trabalhando em duplas ou trios, sendo que o pai de Lucy Mara, Luiz Rocha, se associou a um irmão, parceria que durou até cerca de 15 anos. “Então, meu pai seguiu seu rumo. Ele atua já há 30 anos com batata doce. Não foi feliz com soja, nem com tomate, nem com mandioca, até que descobriu e migrou para a batata doce”, relembra. 

    Hoje, o empreendimento em si expandiu em um comércio de batata doce. Elas são lavadas, beneficiadas e enviadas para o mercado interno e externo. “O nosso diferencial é um produto de qualidade que agrega valor e que colabora com a segurança alimentar, não só do Brasil, mas também do mundo. Temos diversas variedades de batata doce, como a polpa branca, polpa laranja, a polpa roxa, a polpa amarela e estas batatas têm um grande valor nutricional”, comenta Lucy Mara com orgulho. Além do pai, atuam juntas sua irmã, Fernanda Occulati Rocha e sua mãe Mara Occulati Rocha. 

    Com a palavra, Lucy Mara Rocha de Souza 1

    Ela prossegue: “Eu adoro trabalhar e procuro trabalhar corretamente, sendo justa com aquilo que faço. Para mim, as coisas têm que ser na linha e as pessoas dizem que, às vezes, sou rígida até demais. Mas isso se compensa com a justiça. Amo a minha família, meu marido, minhas filhas e meus pais!”. 

    FORMAÇÃO EM ENFERMAGEM
    “Eu moro no interior do Oeste Paulista, são 20 quilômetros de Presidente Prudente. Minha formação é na área de enfermagem e me formei em 2006. Atuei por 10 anos em gestão dos serviços de enfermagem no serviço público, pós-graduei nesta área em três especializações, implantei vários projetos em meu município, construí equipes de Saúde da Família, implantei a Classificação de Riscos e tive uma carreira bem feliz na área da saúde”. Hoje, é bacharel em administração e cursava o último ano na Unicesumar EAD. 

    Mas, ela relembra pensativa, ocorreu uma fase em que seu pai enfrentava um aumento na demanda. Foi quando fez o convite fatal. “Ele já havia me feito um convite para trabalhar com ele e eu sempre hesitando, mas foi com o nascimento de minha segunda filha que resolvi pedir exoneração do serviço público da saúde e partir para o agronegócio, que é uma coisa que eu sempre gostei”. 

    Era uma questão de ancestralidade, como Lucy Mara já havia indicado e suas raízes se manifestaram. “Desde que nasci, vivo o agronegócio, mas aproximadamente há quatro anos vim trabalhar com meu pai, em princípio fazendo a gestão financeira, mas com o passar dos meses eu fui desenvolvendo outras atividades”, conta. 

    Com a palavra, Lucy Mara Rocha de Souza 2

    Então, ela começou a fazer captação de clientes, atuou no fortalecimento da marca, iniciou o trabalho nas redes sociais, construiu parcerias e o processo foi ampliando até que chegou ao trabalho no campo em si. “Hoje faço também a parte das lavouras, vou com meu pai para aprender a parte técnica, que ainda não domino totalmente e, também, passei a aprimorar os nossos recursos humanos”, analisa. 

    Assim, surgem capacitações profissionais, olhares diferenciados para os colaboradores, entregas de EPI’s e programas laborais que demonstram a diferença do jeito feminino de ser. “Para nossas colaboradoras mulheres, iniciamos um projeto de prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, levando-as para coleta de exame Papanicolau e Mamografia. Além disso, realizamos  doação de batata doce para o Hospitais filantrópicos de Presidente Prudente e Barretos, Santuários e entidades públicas da região, também”, relata com vontade.

    PAI PARCEIRO  
     “Eu e meu pai formamos uma dupla que se completa. Ele faz uma parte e eu faço a outra e, quando a gente concretiza uma venda grande, a gente se fala: Mais uma vez deu certo… A gente tem futuro nisso!” Lucy Mara conta que esta sempre foi uma relação de respeito e, apesar de ser relativamente nova no agronegócio, seu pai ouve muito o que ela fala sempre com muita atenção. “Ele nem sempre aceita de primeira, mas se eu mostro para ele que como se deve fazer, ele aceita. 

    Antes, eu tive mais trabalho, mas hoje está bem tranquila a relação com ele”. Ela chama isso de “a parceria que dá certo”, analisando que “a gente sabe que sucessão familiar é complicado, pois se a pessoa é muito centralizadora é difícil  deixar para outro delegar e eu vejo esta dificuldade nele, mas este cenário está diferente”. 

    Com a palavra, Lucy Mara Rocha de Souza 3

    Mas, quem é este pai? “Meu pai é uma pessoa muito batalhadora e uma pessoa a quem admiro muito”, fala com a voz embargada. “Ele veio de baixo e foi conquistando aos poucos, com muita soberania e com muita humildade, tudo o que a gente tem hoje”. Ela se emociona ao falar que a vida da família nunca foi fácil, onde surge a imagem da matriarca. “Minha mãe tinha uma loja aqui no município e geria a família, pois meu pai se obstinava na lavoura, tentando, quebrando, financiamento de banco para pagar, mas as coisas foram melhorando e começamos a plantar meio alqueire de batata doce e, em dois anos, já eram três alqueires e hoje a gente tem cerca de 70 alqueires plantados”, vibra ao rememorar a história de 30 anos investidos por seu pai no segmento da batata doce. 

    Hoje, o empreendimento planta e também compra batata doce para revender. A produção chega, atualmente, a 5.000 toneladas/ano. A família ainda produz gado de corte como um balanço dos negócios, onde entra o papel da sua irmã Fernanda, que é Médica Veterinária. “Ela também atua no município, na área de animais abandonados, no SOS Animais, mas ela é fundamental no trabalho de inseminação artificial do nosso gado de corte”, complementa. 

    Na verdade, a Família Rocha transformou-se em referência quando se fala em batata doce. “Com mais de 30 anos no ramo, somos uma referência aqui na região. Hoje, Luiz Rocha é presidente da APROBARPP (Associação de Produtores de Batata Doce de Presidente Prudente e Região)”. Com a Associação e a união de alguns produtores, foi possível trazer para a realidade a ideia de produzir o evento Batatec, a Feira Tecnológica da Batata Doce, que também teve auxílio de entidades públicas e privadas.