Com a palavra, Sônia Bonato

Conheça a gestora rural premiada, que se tonou uma liderança entre as Mulheres do Agro, unindo seu jeito simples de ser com uma atuação contundente e muita aplicação na gestão da propriedade da família

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Nos últimos 25 anos, esta história tem sido escrita na Fazenda Palmeira, de 130 hectares, em Ipameri (GO). Como Sônia Bonato descreve com carinho, são 70 ha de soja, 12 ha de milho para silagem, 50 cabeças de fêmeas e um boi, dois cavalos e uma égua (Alípio, Silver e Cigana), três áreas de APPs, 20 ha de preservação permanente, 01 ha de eucalipto para uso interno, árvores floridas, uma casinha e muitos amigos.

“E FOI ASSIM …”
“Vamos lá, na minha infância…” é o convite que Sônia Bonato nos faz para começarmos esta viagem no tempo. “Nasci e fui criada em uma fazenda em Ipuã (SP), uma cidade bem pequena onde ainda tenho muitos amigos. Meu pai era funcionário de fazenda e meeiro, aquele que planta e tudo o que produz é ‘à meia’ com o patrão”. Ela cresceu vendo o pai trabalhar e levando almoço para ele na roça, sendo que dois de seus irmãos o ajudavam.

“A gente plantava com a matraca e o cavalo puxava o cultivador. Era uma linha por vez, na minha época era assim. Tudo era caro e muito difícil. Passamos por muitas privações, inclusive monetária. Quando apertava, minha mãe dava um jeito e trabalhava, recebia, levava para casa e fazia comida pra gente”, prossegue puxando pela memória imagens que já se fazem bem distantes, mas ainda muito presentes em seus sentimentos.

Sônia é do tipo de pessoa que tem outro olhar sobre as situações. “Tudo isso veio para fortalecer. Quando o ser humano é criado com dificuldade é para dar valor às coisas”. Ela conta que sua mãe costurava as roupas de seu pai em sacos de açúcar, que eram de algodão. “Nós tínhamos poucas roupas. As de sair e as de ficar em casa, um sapato e um chinelo, sinal da dificuldade de um país que estava começando a se desenvolver. O crescimento traz dificuldades, mas tudo isso é para crescer e, depois, as pessoas terem a vida que levam hoje, não é verdade?”

Só por estas falas iniciais percebe-se que esta é uma daquelas pessoas que dá gosto em ouvir. Mas, ela tem mais para nos contar. “Na minha época, maçã era presente de Natal. Hoje, as crianças comem a metade e jogam o resto fora! Quando meu pai chegava em casa com um pão francês, que se chamava bengala, era a maior alegria. Nós comíamos mais era bolo de fubá que minha mãe fazia em uma panela, no fogão”.

Sônia, o marido e sua filha na primeira lavoura da Família Bonato

Sônia levava uma vida dentro do que era o normal para uma menina do seu meio social em seu tempo. Mas, um dia ela tomou uma decisão. “Com oito anos de idade eu limpava casas. Depois, fui cuidar de crianças. Morei com minha irmã na fazenda até os 16 anos, quando eu cuidava dos meus sobrinhos para ajudar, o que foi uma determinação de família. Foi quando eu decidi voltar para a cidade, morar com minha mãe, trabalhar e estudar”.  

“Foi então que ganhei uma bolsa para o ensino médio no Colégio Osvaldo Cruz, que era de Ribeirão Preto (SP) e tinha uma unidade em nossa cidade. Eram três anos de colegial com Contabilidade e Direito inclusos. Aproveitei muito o que me foi dado, fui trabalhando, mudando de empego, crescendo e desenvolvendo. É para isso que estamos aqui!”, conclui um resumo de toda uma fase que se encerra, pois a próxima já estava por vir.

CONSTRUINDO UMA FAMÍLIA
“Foi quando conheci meu marido, Nilton César Bonato. Namoramos, casamos, e, em 1992, mudamos para Ituverava (SP). Minha filha Cassiana da Silva Bonato nasceu em 1991 e tinha um aninho. Como eu trabalhava lá, queria ficar mais perto dela”, conta a história da gênese de um núcleo familiar muito forte. Força que seria muito importante nas grandes mudanças que estavam por vir.