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    Conheça as mulheres que inovam no agro

    AgTech Garage divulga resultados da pesquisa #MulheresQuelnovamOAgro 2023 e dimensiona tanto o alto nível de qualificação das profissionais quanto os desafios para se fazerem ouvidas e mais respeitadas
    Rafael De Marco
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    Tags:

    Mulher

    Mulheres no Agro

    Quem são as Mulheres que inovam no agro do Brasil?

     

    A segunda edição em 2023 da pesquisa #MulheresQuelnovamOAgro tem as respostas.

     

    Com o objetivo de construir um agronegócio mais inclusivo, a iniciativa do hub de inovação AgTech Garage - parte do network PwC, que é referência em inovação no agro na América Latina - contou com a participação de 838 respondentes de todo o Brasil. Elas tiveram a oportunidade de expressar sua visão sobre a atuação feminina no setor por meio de um questionário virtual com 25 perguntas de múltipla escolha.

     

    SAIBA MAIS SOBRE AS PARTICIPANTES DA PESQUISA

     

    ONDE RESIDEM
    -
    47,1% - Estado de São Paulo
    -14,2% - Minas Gerais
    -6,6% - Mato Grosso
    -5,7% - Paraná
    -4,8% - Rio Grande do Sul

     

    Clique AQUI para baixar a pesquisa completa

     

    QUEM SÃO AS MULHERES QUE INOVAM O AGRO
    As mulheres de 25 a 55 anos foram a maioria entre as respondentes, 85,7% da amostra. Assim como as profissionais casadas (54, 4%) autodeclaradas brancas (76,3%), que se identificam como cisgêneras (90,4%) e que não têm filhos (52.2%).

     

    INSTRUÇÃO
    Como identificado na edição 2021 da pesquisa, as #MulheresQuelnovamOAgro são altamente instruídas. Confira:

     

    -64,5% têm, no mínimo, pós- graduação.-
    -35,6% vêm das Ciências Agrárias
    -32,3% das Ciências Humanas
    -19.1% das Ciências Exatas
    -8.1% das Ciências Biológicas.

     

    Apenas 4,9% informaram não ter formação técnica. Além disso, 55,3% das respondentes afirmam ter iniciado suas carreiras no setor, enquanto 44,7% fizeram transições de carreira.

     

    Conheça o perfil das mulheres que inovam no agro 1

    PRESENTES TODAS AS ETAPAS DA CADEIA DO AGRONEGÓCIO
    -
    Áreas administrativas do setor - 37%
    -Prestação de serviços - 34%
    -Desenvolvimento de tecnologias - 22,9%
    -Produção agrícola - 19%
    -P&D - 18,6%
    -Pecuária - 12.9%
    -Produção de insumos - 11, 9%
    -Comercialização e distribuição - 9.8%
    -Agroindústrias - 9.7%
    -Tradings  -4,4%
    -Mercado consumidor - 6%

     

    ONDE TRABALHAM
    -
    Empresa de grande porte (500+ colaboradores) - 41.8%
    -Empresa de porte médio (100 a 499 colaboradores) - 13%
    -Micro ou pequena empresa (até 99 colaboradores) - 11.6%
    -Propriedade rural - 11,7%
    -Startup - 8,2%
    -Consultoria - 5,3 %
    -Academia ou instituto de pesquisa - 1,4%
    -ONGS e terceiro setor - 1,4%.

     

    Entre as respondentes, há uma predominância ainda de mulheres em cargos de liderança e gestão. Quase um quarto delas se identifica como proprietária ou co-fundadora de empresas (21,1% ), gerente (18,9%) e especialista (16,8%). As coordenadoras (10.7%) e diretoras (6.6%) também têm representatividade na amostra. As estagiárias são 1,8% e as estudantes: 3,2%. As mulheres na operação somam 12.1% e 8,8% se identificam na categoria outros (supervisora etc.).

     

    Dalana de Matos, Estrategista de Inovação do AgTech Garage (PwC) e uma das idealizadoras da pesquisa, afirma que o recorte proporcionou um panorama amplo da cadeia do agronegócio, com participantes que atuam do campo à mesa do consumidor. "Estamos falando de uma amostra de 838 respondentes que atuam inovando o agro antes da porteira, dentro da porteira e depois da porteira. Um sinal de que a tecnologia tem contribuído para criar novas oportunidades de carreiras, atrair e reter talentos femininos no setor", diz.

     

    Conheça o perfil das mulheres que inovam no agro 2

    DESAFIOS PARA A INCLUSÃO
    Mas independentemente do seu grau de instrução, tamanho da corporação, do elo da cadeia ou da posição hierárquica, as mulheres que decidiram fazer carreira no agronegócio estão sujeitas a desafios. Na pesquisa, 9 em cada 10 #MulheresQuelnovamOAgro relataram já terem passado por situações de machismo ou constrangimento no ambiente de trabalho.

     

    Confira os principais problemas:
    -Interrupção masculina em uma conversa (Manterrupting): 53,7%
    -Pouca representação em eventos e reuniões: 50,4%
    -Explicação de algo óbvio por pessoas do sexo masculino (Mansplaining): 47,5%
    -Falta de serem chamadas para contribuir em assuntos que dominam: 45,3%
    -Apropriação de ideias (Bropriating): 37.7%
    -Dominação da conversa/sequestro de assunto por homens (Manologue): 37,7%
    -Repetição da explicação dada anteriormente (Hepeating): 36.7%
    -Elevação do tom da voz de um terceiro para provar seu ponto: 30,9%
    -Anulação em uma discussão: 26,5%
    -Violência psicológica com distorção da realidade (Gaslighting): 23.2%
    -Julgamento pela maneira como estava se vestindo: 18,3%
    -Xingamentos ou comunicação desrespeitosa: 11,3%
    -Outros: 2, 6%

    Apenas 12,6% responderam não ter sido impactadas por nenhuma dessas situações.

    Quando perguntadas se encontram acolhimento trabalhando no agronegócio, 76.7% disseram que sim, versus não (13,3%) e não sei dizer (10%). Para Dalana, esta ambiguidade demonstra o quão complexo é o cenário. "Ao mesmo tempo em que 9 em cada 10 mulheres enfrentam situações de machismo ou constrangimento no ambiente de trabalho, 8 em cada 10 afirma se sentir acolhida trabalhando no agronegócio. A união feminina apareceu na pesquisa como uma grande força para seguirmos avançando rumo à equidade de gênero e acredito que ajude a explicar essa ambiguidade", diz.

    CENÁRIO EM TRANSFORMAÇÃO
    Quando o assunto é a origem da transformação no cenário em que vivemos hoje, a esmagadora maioria credita os avanços recentes à mudança no comportamento das mulheres. Confira:

     

    -Maior independência - 84,4%
    -Maior união entre as mulheres - 54,1%
    -Ações de inclusão em empresas privadas - 40,7%
    -Transformação social desde as escolas - 24,2%
    -Políticas públicas de equidade de gênero - 24%
    -Apoio financeiro ao empreendedorismo feminino - 22,7%

     

    Somente 13,7% das entrevistadas acreditam que a transformação em curso também tenha relação com a mudança no comportamento masculino.

     

    REDES DE APOIO
    Na pesquisa, as mulheres relataram onde buscam sustentação para sua atuação frente os desafios do setor.:

     

    -Cursos de capacitação - 56.5%
    -Grupos de mulheres - 52.2%
    -Apoio psicológico - 36.9%
    -Mentoria de carreira - 36,3%
    -Comitês de diversidade - 17,5%
    -Políticas de inclusão - 13.4%
    -Canais de denúncia - 6.4%

     

    "Não à toa, as mulheres entendem que a habilidade mais demandada delas no mercado agro pelas empresas é a inteligência emocional", afirma Dalana.

     

    HABILIDADES
    Confira a lista de habilidades esperadas das profissionais do agro, segundo a pesquisa:

     

    -Inteligência emocional - 67.5%
    -Capacidade de resolver problemas - 66.9%
    -Liderar pessoas - 58,8%

     

    Já o ranking das habilidades em que as mulheres do agro mais se reconhecem,  apresenta diferenças, todas "hard skills", com perfil mais técnico do que comportamental:

     

    -Capacidade de resolver problemas - 79,1%
    -Alta produtividade e eficiência - 59,5%
    -Liderança de pessoas - 52.4%
    -Habilidade de falar em público - 46.2%
    -Capacidade analítica - 45,7%
    -Inteligência emocional  - 43.9%

     

    Conheça o perfil das mulheres que inovam no agro 3

    DESAFIO DA INOVAÇÃO
    Na visão das respondentes, o principal desafio para promover a inovação no agronegócio está na mudança cultural (69,8%) e na capacitação das pessoas (58.7%), estruturais para edificar o futuro do setor.

     

    Em relação aos movimentos que terão maior impacto a longo prazo para o agronegócio, as #MulheresQuelnovamOAgro enxergam a tríade avanços tecnológicos (75,9%), mudanças climáticas (71,4%) e pessoas, com a mudança comportamental e geracional (55%), direcionando os passos que serão percorridos nos próximos anos.

     

    Nesse sentido, elas se veem contribuindo como agentes de mudança para as agendas que versam sobretudo em relação a:

    -Sustentabilidade e agricultura regenerativa - 57,8%
    -Educação no agronegócio - 55,4%
    -Gestão da mudança e cultura - 53,9%
    -Tecnologia no campo - 49.6%
    -Governança e gestão corporativa - 47,4%
    -Diversidade, pessoas e saúde mental - 43,1%

     

    "Mais do que nunca, as características que, por muito tempo, foram entendidas como sinais de fraqueza e incapacidade de uma gestão firme por parte das mulheres, hoje são vistas como forças que nos permitem olhar com sensibilidade e integridade para os desafios da humanidade. Não foi por acaso que o empoderamento das mulheres se tornou um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU", afirma Dalana.

     

    Na visão do AgTech Garage (PwC), a pesquisa de 2023 será fundamental para o ecossistema de inovação se aprofundar no contexto das #MulheresQuelnovamOAgro e poder propor ações afirmativas de mudança, em prol de uma maior equidade de gênero e valorização das profissionais do setor. "Uma das entrevistadas me disse: 'Eu não respondi uma pesquisa, eu aprendi com esta pesquisa, que me ajudou a ganhar consciência das situações que eu vinha enfrentando e naturalizando", conclui Dalana.

     

    Com informações do AgTech Garage