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    Mulheres na tecnologia e no agro: desafios e apoios na jornada

    Neste artigo, Debora Rodrigues, Líder de Inovação Aberta da John Deere para América Latina, compartilha sua trajetória profissional para inspirar novos talentos femininos
    AgTech Garage
    Debora Rodrigues é Líder de Inovação Aberta para América Latina na John Deere (Divulgação)
    Debora Rodrigues é Líder de Inovação Aberta para América Latina na John Deere (Divulgação)

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    Mulher

    A executiva Mary Barra entrou para a história por ser a primeira mulher a ocupar o posto de CEO de uma montadora, a General Motors. Hoje, Susan Wojcicki é a CEO de nada menos que o YouTube. A Oracle tem desde 2014 uma CEO mulher, Safra Catz.

     

    E estamos falando de grandes empresas de tecnologia e do automobilismo sendo comandadas por mulheres, duas áreas ainda dominadas por homens, mas com cada vez mais espaço para talentos femininos.

     

    Todos os dias alguma de nós chega aonde nenhuma outra esteve antes. Se por um lado é motivo de celebração pela conquista, por outro, é um sintoma de que ainda faltam muitos espaços para serem preenchidos.

     

    ADENTRANDO O TERRENO DA TECNOLOGIA E DO AGRONEGÓCIO

    Eu mesma já vivenciei diversas situações que deixavam claro esse desequilíbrio - aliás, entrei para a tecnologia bastante por acaso. Não tinha a intenção de desafiar o patriarcado ou ser a primeira a atingir determinada conquista. Bem longe disso. Entrei na faculdade de administração para aprender a gerir um pequeno negócio da minha família: uma confecção de roupas femininas.

     

    A busca por conhecimento, porém, me fez buscar um estágio no mercado. Consegui uma oportunidade em uma empresa de e-commerce e acabei começando a minha carreira ali, até que meu então chefe se tornou sócio de uma startup dedicada a soluções de gestão de frota para o agronegócio, onde fui crescendo até alcançar um cargo de gestão.

     

    A posição me colocava em contato direto com proprietários de vastas porções de terras em todo o Brasil. Durante uma negociação que estava chegando aos finalmentes, fui surpreendida com um pedido. O fazendeiro queria que meu chefe assinasse o contrato, e não eu. Ele não fez a menor questão de disfarçar o seu raciocínio: por ser mulher, eu não poderia tomar decisões tão importantes pela empresa e um homem precisaria validar a minha negociação.

     

    Não era difícil eu me deparar com situações em que eu precisasse estar muito mais bem-preparada para ser ouvida - enquanto os homens passam por essa barreira com uma notável facilidade. Aquela, porém, foi uma situação muito emblemática, de tão explícita que ficou a discriminação.

     

    É disso que eu lembro sempre que falamos sobre a presença feminina em algumas áreas, notadamente as de exatas. Repare: não havia ninguém apontando a qualidade do meu trabalho ou questionando por que eu preferia X em vez de Y. A questão transcendia qualquer tipo de competência. O problema era pura e simplesmente o fato de eu ousar ser uma mulher que tem uma carreira.

     

    A CAPACITAÇÃO FEMININA

    Esse fatídico episódio aconteceu há mais de uma década, e tenho a satisfação de relatar que, de lá para cá, se não chegamos ao patamar ideal, ao menos evoluímos bastante.

     

    É muito exaustivo precisar se preparar mais, fazer mais pesquisa, se especializar com mais profundidade e levantar um volume estratosférico de informações para participar de qualquer tipo de discussão. Certa vez, durante a apresentação de um projeto, eu precisei responder nada menos que 14 perguntas de dois dos executivos presentes. Em dezenas de outras reuniões lideradas por pares homens, nunca vi nada parecido.

     

    Mas existe uma vantagem - e é uma questão de simples aritmética - quanto mais nos preparamos, mais conhecemos. E quanto mais conhecemos, mais nos damos conta das assimetrias desse mundo. O que dizem é verdade: conhecimento equivale a poder. E diante da necessidade de sempre aprofundar nossos argumentos, para convencer quem está do lado de lá da mesa, o resultado é que vamos nos empoderando. O mercado nos força a aprimorar as nossas melhores características e também a nos unirmos em iniciativas que nos ajudam a seguir adiante.

     

    EVOLUÇÃO NO MERCADO

    Felizmente, a questão tem entrado na pauta das companhias e faço parte de uma empresa bastante empenhada em reparar o desequilíbrio do mercado: a John Deere. Mesmo inserida em setores tradicionalmente masculinos, como o agro e a indústria de máquinas, sinto que muito vem sendo feito para mudarmos esse cenário. São mais de 70 iniciativas em andamento em diferentes unidades da companhia em todo o país, que promovem diversidade, inclusão, equidade de gênero, empoderamento feminino, saúde, harmonia e bem-estar no clima organizacional.

     

    Buscamos também ampliar a participação feminina em cargos de liderança. Para se ter uma ideia, em 2019 a porcentagem de mulheres em posições de alta gestão era de 19% sobre o total. Atualmente, é de 33%.

     

    As nossas unidades contam com o programa WomenREACH, que incentiva o desenvolvimento de mulheres e promove a troca de experiências. Temos também o Women in Operations (WIO), dedicado a funcionárias que atuam na operação. A companhia apoia o Programa + Mulher 360 (MM360), e várias de nossas funcionárias fazem parte da Sociedade das Mulheres Engenheiras (SWE, na sigla em inglês), dedicada a aumentar a presença feminina nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês).

     

    Temos feito a lição de casa. Hoje, somos ainda mais mulheres que ousam ser especialistas em áreas que até há pouco tempo eram hostis para o perfil feminino. Nos organizamos em iniciativas que não param de crescer, como a Sociedade das Mulheres Engenheiras ou a União das Mulheres no Agro. Galgamos posições de gestão nos boards executivos, na política. E nos orgulhamos de perceber que, contrariando o homem que relutou em aceitar a minha assinatura, a mulher vem para somar, e não diminuir, qualquer atividade em que esteja presente.

     

    Debora Rodrigues é formada em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas e trabalha há mais de 6 anos na John Deere, onde hoje ocupa o cargo de Líder de Inovação Aberta para América Latina. Na companhia, foi também Especialista de Marketing de Produto no time de agricultura de precisão com foco em soluções de conectividade. Também possui experiência como gerente de Administração de Vendas e Marketing pela AUTEQ Telemática, onde fez uma carreira de 15 anos até entrar na John Deere.