O Nascimento repentino de uma agricultora

Viuvez transformou a vida de Roseli Cocolato. Da noite para o dia, precisou assumir a propriedade da família e o fez com garra e determinação

Diversidade

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Foi num susto que tudo mudou na vida de Roseli Cocolato. Ela e sua família têm uma propriedade no município de Ubiratã, no interior do Paraná. São 180 alqueires, destinados à produção de soja e milho. O marido Gilson se dedicava à parte mais “mão na massa” da fazenda: plantio, cultivo e colheita – enfim, tudo o que estava ligado à terra. Na parte mais administrativa, Roseli dava uma força: negócios, banco, cooperativa, papelada. Enfim, um complementava o outro.

Gilson, porém, foi surpreendido por um problema de saúde. Iniciou o tratamento e teve todo o apoio da esposa. Um ano e meio depois, porém, sem o menor aviso, acabou sendo vencido. Naquele agosto de 2015, recém viúva, Roseli se viu a única responsável por três crianças (a mais velha tinha 15 anos; o mais novo, oito) e por aquelas terras cheias de pés de soja. 

O luto veio acompanhado de um grande dilema. Roseli não tinha muita ideia de como lidar com a agricultura. Via o marido tocar uma ou outra tarefa, mas isso não era o bastante para assumir o lugar dele, literalmente, da noite para o dia.

MOMENTO DECISIVO
O que faria com a propriedade? Analisou as possibilidades. Pensou em vender, arrendar as terras, desfazer-se das máquinas, dispensar os funcionários. E depois, como viveria? Como seria sua vida? Como cresceriam as crianças? Ela decidiu honrar o trabalho do marido, dando continuidade à sua trajetória. A partir daquele momento, a esposa Roseli se tornava a agrônoma Roseli.

Teve gente que não levou muito a sério. A agricultura tem se transformado, mas ainda existe grande predominância masculina e preconceito em relação às mulheres no campo. Junte a isso o fato de Roseli ter sido pega de surpresa, sem fazer muita ideia de como se planta, como se colhe, como se opera uma máquina, seja uma plantadeira, colheitadeira ou pulverizador. Ser leiga na agricultura, porém, ensinou uma grande lição para Roseli. “Se tem coisa que eu não sei, procuro saber, pesquiso, aprendo. Nada do que eu faço é sem ir atrás de quem é entendido do assunto.”

APRENDIZADO E PARCERIA
E assim foi aprendendo. E como aprendeu. O negócio cresceu e, em épocas de colheita, chega a ter 16 pessoas trabalhando em sua propriedade. No evento Show Rural Coopavel, ela visitou o estande da John Deere interessada em uma plantadeira. Não seria a sua primeira – todo o seu maquinário é da companhia. Se na época da viuvez ela não sabia como operar uma máquina, hoje ela exibe orgulhosa suas colheitadeiras, tratores, pulverizadores e, sim, plantadeiras. Já tem informação suficiente para saber que uma máquina mais moderna (no caso, uma plantadeira de 13 linhas) vai otimizar a sua produção.

Concessionário M.A. Máquinas foi responsável pela primeira compra de Gilson de equipamento John Deere e transmitiu confiança para Roseli


Diferente de como era há quatro anos, ela tem muito mais segurança para conversar com os vendedores, discutir preços e negociar condições. Virou outra pessoa. “Hoje eu tenho muito mais firmeza no que eu estou fazendo”, afirma. Ela é cliente da M.A. Máquinas, loja que faz parte da Rede de Concessionários da John Deere e tem unidades no Paraná. Foi ali que Gilson comprou, há uma década, seu primeiro equipamento da John Deere: um pulverizador que sequer era produzido no Brasil e precisou ser importado.

REDE DE APOIO
Ubiratã é uma cidade pequena, com pouco mais de 21 mil habitantes e onde quase todo mundo se conhece. Para Roseli, isso foi muito importante porque recebeu muito apoio na época do luto. E parte desse apoio veio justamente dos concessionários, com quem acabou aprendendo muita coisa. O apoio se transformou rapidamente em fidelidade: hoje, todos os seus equipamentos são da John Deere. “A tecnologia que a companhia implementa é de primeira linha. Eu chego lá e me sinto à vontade”, conta.

São esses equipamentos que Roseli observa quando visita a roça em sua caminhonete para acompanhar como as coisas estão sendo feitas. No banco do passageiro, o pequeno João Otávio, de 12 anos, já vai sendo preparado. “Meu sonho é tocar tudo o que meu pai deixou e fazer o que ele fazia”, diz. Com o celular na mão o tempo inteiro, João parece bastante afeito à tecnologia. Vai tirar de letra as infinitas possibilidades proporcionadas pela agricultura de precisão.

As meninas mais velhas não vivem mais em Ubiratã. Rafaelli, de 19 anos, foi para Maringá estudar medicina. Já Gabrielli, que tem 16 anos, ainda está no ensino médio, mas pretende estudar agronomia. A saudade de Gilson é grande, mas Roseli segue firme em seu propósito – não só de conduzir os negócios, mas também de ser uma grande mãe. “Acho que estou tentando passar para eles coisas boas. Busco sempre progredir, continuar o que Gilson nos deixou, fazer coisas sempre melhores”, afirma.

Muitas mudanças tornam a Roseli de hoje uma mulher bem diferente daquela de quatro anos atrás. Poderia não ter vivenciado uma situação tão difícil, mas já que a vida lhe deu limões… “Eu fiz limonada, fiz batida, fiz caipirinha, fiz até mousse”, brinca. Todo esse aprendizado, porém, não tirou seus pés do chão. “Eu não sei de tudo”, afirma. “Mas hoje em dia me sinto muito mais forte.”