O “boom” dos bioinsumos no Brasil

Taxa de crescimento do consumo de defensivos biológicos entre os produtores brasileiros é quase o dobro em relação ao exterior

Inovação

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O consumo de bioinsumos cresce em todo o mundo na ordem de 15% ao ano. No Brasil, as taxas atingem quase o dobro, com índice de 28%. Em 2020, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) registrou 95 defensivos de baixo risco, entre produtos biológicos, microbianos, semioquímicos, bioquímicos, extratos vegetais, reguladores de crescimento. Em relação ao ano anterior, isso representa um aumento de 121%.

 

A utilização de produtos de base biológica auxilia na redução da importação de produtos químicos, gerando um impacto socioeconômico. É o que explica o presidente do Conselho Estratégico do Programa Bioinsumos, Alessandro Cruvinel. “A partir da produção de bioinsumos no país, é possível tornar toda a cadeia mais sustentável e responsável, com a produção local, mitigação de gases de efeito estufa, além da geração de empregos na região”.

 

CURSO DE CAPACITAÇÃO

Por conta desses fatores é que a capacitação é tão importante para o uso correto de bactérias e fungos como recursos biológicos na defesa de pragas e doenças. Recentemente, a primeira turma de capacitação para a produção de bioinsumos, curso promovido pela Escola Nacional de Gestão Agropecuária (Enagro), concluiu o programa. O módulo de aulas, em formato de educação a distância, teve 3.141 inscritos e foi o segundo com maior procura nesta gestão do Ministério da Agricultura.

 

A boa notícia é que, devido ao grande sucesso do primeiro curso de capacitação sobre produção de bioinsumos, estão previstas outras cinco turmas, sendo uma delas ainda para 2021. Já é consenso que o uso de bioinsumos é de extrema importância para a produção nacional e que o uso de bactérias e fungos permite melhor forma de aproveitamento da produção, levando-se em conta a sustentabilidade, além de proporcionar alimentos mais saudáveis para as famílias.

 

Para Cruvinel, os produtores estão acreditando cada vez mais neste sistema, de forma a integrar as grandes culturas nacionais a um processo de cultivo e produção biológico. “Havia uma percepção de que a produção de sistema biológico era voltada a um nicho específico e não atenderia a um grande produtor. A gente conseguiu romper essa barreira nos últimos anos”.

 

O presidente do Conselho Estratégico do Programa Bioinsumos ainda defende que há um mercado promissor a ser explorado, já que o Brasil reúne 20% de toda a biodiversidade do planeta e grande parcela dela ainda não é utilizada com essa finalidade.

 

PROGRAMA NACIONAL DE BIOINSUMOS

Criado há mais de um ano, o Programa Bioinsumos caracteriza essa tecnologia para muito além dos produtos aplicados na lavoura. O termo bioinsumos define ainda os processos e tecnologias – de origem vegetal, animal ou microbiana –, destinados ao uso nos diversos sistemas de produção agrícolas, pecuários, aquícolas e florestais.

 

No “guarda-chuva” do controle biológico estão os bioinsumos com o perfil de atuação como bioinseticidas, biofungicidas e bionematicidas para aplicação em plantas. Para a fertilidade do solo há também bioinsumos como os biofertilizantes, bioinoculantes e bioestimulantes.

 

Na agropecuária, os bioinsumos podem ser encontrados em produtos veterinários como vacinas, medicamentos, antissépticos e fitoterápicos, destinados à prevenção, ao diagnóstico, ao tratamento e à cura de doenças dos animais.

 

- As Informações são do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

 

 

 

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