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    BrainTech amplia o uso da Inteligência Artificial no agro

    Estudos da Embrapa com empresas privadas usam a tecnologia que “imita” o funcionamento cerebral de especialistas quando visualizam imagens de plantas doentes
    Rafael De Marco
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    Tags:

    Inovação

    Tecnologia

    Você já ouviu falar em BrainTech?

    Trata-se de uma tecnologia disruptiva  que, por meio da utilização de Inteligência Artificial, captura ondas cerebrais e é capaz de identificar o julgamento e a classificação que uma pessoa faz ao observar uma imagem. Depois, ao simular esse processo, o sistema consegue rotular de forma imediata e automática a mesma imagem.
     
    E você sabia que existem trabalhos para aplicar essa tecnologia no agro?
     
    Uma parceria entre a Embrapa e as empresas Macnica DHW e InnerEye, esta última desenvolvedora do BrainTech, utiliza o equipamento que permite capturar e simular sinais cerebrais desde 2022, para detecção de doenças em estágio inicial em cultivos de soja.
     
    Funciona desta forma: o equipamento faz a captura dos sinais neurais de especialistas (nesse caso, fitopatologistas) por meio de um capacete com eletrodos, similar a um eletroencefalograma (EEG). O sistema, então, simula o funcionamento cerebral no momento em que visualizam imagens de plantas doentes, automatizando a rotulagem e tornando a etapa mais rápida e eficiente.
     
    BrainTech amplia o uso da Inteligência Artificial no agro 1

    Com isso, os pesquisadores esperam detectar doenças na sua lavoura em estágios iniciais, dando rapidez às tomadas de decisão, reduzindo perdas em empreendimentos rurais e racionalizando o uso de recursos naturais contando com a ajuda da tecnologia de inteligência artificial.
     
    Os primeiros resultados do experimento foram positivos, pois o equipamento ajudou a identificar, com alta acurácia, as folhas doentes (oídio e ferrugem da soja) e saudáveis. Agora, o projeto deve ir além da detecção de plantas doentes/não doentes e avançar na identificação do tipo de doença presente no cultivo da soja, iniciando pelas comercialmente mais significativas. Também está sendo articulada a inclusão das culturas de milho e café nos experimentos com os respectivos centros de pesquisa da Embrapa.
     
    Em abril, o equipamento foi trazido ao Brasil para a sede da Macnica DHW, multinacional japonesa, localizada em Florianópolis (SC). Lá, foi montada a estrutura para o experimento de captura dos sinais cerebrais dos fitopatologistas Cláudia Godoy e Rafael Soares da Embrapa Soja. Ambos avaliaram cerca de 1,5 mil imagens de folhas doentes e saudáveis para os testes com o capacete coletor.

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    Rafael Soares, pesquisador da Embrapa - Foto: Pedro Crusiol 

    A etapa da prova de conceito mostrou que os modelos gerados a partir dos eletroencefalogramas dos especialistas são capazes de lidar bem com imagens, permitindo treinar a máquina na identificação de plantas doentes. “A junção das imagens rotuladas – doente/saudável – com os sinais cerebrais dos especialistas resultou na melhora do desempenho do modelo, indicando a viabilidade do uso da IA”, aponta o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital Jayme Barbedo.
     
    MÁQUINAS AGRÍCOLAS AINDA MAIS INTELIGENTES
    De acordo com a Embrapa, os modelos treinados poderiam ser embarcados em maquinário agrícola, aplicativos de celular e atuar em atividades com carência de mão de obra especializada.
     
    BrainTech amplia o uso da Inteligência Artificial no agro 3

    A aplicação mais racional de defensivos, com menor custo e menor impacto ambiental, e a produção de alimentos de forma mais limpa e sustentável seriam possíveis com modelos treinados embarcados em maquinários, que identificassem, em tempo real e em parcelas específicas, a necessidade de aplicação de defensivos ao passar nas linhas de produção.
     
    “Embarcar esse modelo em um aplicativo de celular daria ao produtor agilidade na tomada de decisão quando identificadas doenças e sintomas de patologias, acelerando a adoção das medidas necessárias”, indica Barbedo.
     
    O pesquisador aponta, ainda, a pertinência do uso da tecnologia na estratégia de rotação das pastagens da pecuária leiteira, área em que faltam especialistas. A escolha dos piquetes mais apropriados para maximizar a produção do leite é feita por técnico experiente em identificar a melhor localização e a quantidade ideal de animais. “O sistema poderia simular a atividade desse especialista para fazer uma locação tecnológica. A maioria das propriedades não tem alguém com essa expertise”, conclui.
     
    Confira o artigo completo no site da Embrapa clicando AQUI
     
    Com informações da Embrapa Agricultura Digital