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    “Brinquedos” para suínos garantem bem-estar aos animais e produtividade

    Elementos como correntes na parede, peças de borracha e troncos de madeira estimulam comportamentos naturais e evitam o estresse durante o confinamento
    Rafael De Marco
    Fotos: Osmar Dalla Costa/Divulgação Embrapa
    Fotos: Osmar Dalla Costa/Divulgação Embrapa

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    Porco

    Embrapa

    Você sabia que os suínos são a quarta espécie mais inteligente do planeta? Pois são. Segundo estudos, ficam atrás apenas dos humanos, chimpanzés e golfinhos. Também são sociáveis e sensíveis. Gostam de se movimentar e brincando. Isso mesmo, os porcos também brincam.
    Com essas características, fica fácil entender por que esses animais têm problemas para viver dentro de ambientes monótonos e porque respondem bem a elementos que despertam a sua natural curiosidade.
    Por isso, pesquisadores, indústrias, produtores e organizações não governamentais têm investido na introdução de “brinquedos” nas instalações em que os suínos são criados. O objetivo é reduzir os efeitos do confinamento intensivo.

    “Brinquedo é como são chamados elementos colocados nas baias com a intenção de permitir que esses animais expressem comportamentos naturais, iguais aos que eles teriam se estivessem soltos na natureza”, explica o pesquisador Osmar Dalla Costa, da Embrapa Suínos e Aves.
     
    A prática de “brincar” ajuda a evitar o estresse entre os suínos e os comportamentos a ele associados, como o de ranger os dentes e a agressividade. Brinquedos também contribuem para evitar perdas de produtividade geradas por comportamentos agressivos.
     
    MERCADO
    Propiciar as melhores condições de vida possíveis aos suínos é uma exigência cada vez mais comum entre consumidores de todo o mundo. Além disso, significa reduzir perdas econômicas. Animais estressados, em geral, diminuem sua capacidade de transformar ração em carne e oferecem uma matéria-prima de pior qualidade.
     
    Essa é uma ação vital para atender ao crescente aumento na demanda. A produção global de carne suína aumentou quatro vezes nos últimos 50 anos e deve se manter em alta até 2050. Os motivos são o crescimento da população mundial e do consumo per capita em algumas regiões do planeta, como a Ásia. Para atender ao mercado, o um dos desafios é o aperfeiçoamento das boas práticas de produção voltadas ao bem-estar animal.

     

    SEGUNDA ONDA
    Investir em elementos de enriquecimento ambiental nas instalações em que são criados os suínos é uma espécie de segunda onda do bem-estar animal na suinocultura brasileira. A primeira onda teve início em meados dos anos 2000 e focou na melhoria das condições básicas disponibilizadas aos animais do nascimento ao abate – espaço adequado, temperatura, qualidade do ar, limpeza, transporte e tratamento humanitários.
     
    Qualquer modificação que aumente o conforto do ambiente (como a diminuição no número de animais por baia ou a instalação de ventiladores) pode ser vista como uma ação de enriquecimento ambiental. Entretanto, na maior parte das vezes, o termo se refere ao acréscimo de objetos pendurados em algum ponto das instalações (como uma corrente colocada na divisória de uma baia) ou soltos no ambiente (como um pedaço de madeira livre no chão) que permitam ou estimulem os suínos a desenvolver comportamentos naturais, como fuçar, brincar e desenvolver laços de grupo.
     
    OS BRINQUEDOS
    Segundo um estudo publicado no capítulo 12 do livro “Suinocultura: uma saúde e um bem-estar”, publicado em 2020 pelo Ministério da Agricultura, os principais elementos usados como “brinquedos” no Brasil são correntes metálicas (69,3%), galões de plásticos (44,5%) e pedaços de madeira (26,1%). Também são usados pneus (17,7%), terra (12,5%), tubos de PVC (11,6%), grama/capim (9,2%), música (6,9%), pedras (6,6%), cordas de plástico (4,1%) e mangueiras de plástico (3,6%). Foram citados ainda outros materiais em escala bem menor, como garrafas plásticas, tapetes, botas de borracha, galhos, sacos de ráfia e sal.
     
    O uso preponderante de correntes metálicas confirma algo que já era feito há muito tempo, de forma empírica, por suinocultores no País. Apesar de grande parte dos pesquisadores ainda não ver no uso desse brinquedo vantagens importantes para a melhoria do bem-estar animal, dados recentes sugerem que as correntes metálicas, quando empregadas corretamente, podem proporcionar resultados positivos.
     
    Para saber mais, leia o artigo completo na página de notícias no site da Embrapa. Clique AQUI para acessar
     
    Com informações de Jean Vilas Boas (MTb 00.717/SC), da Embrapa Suínos e Aves