Melhoramento genético no seringal

Pesquisa seleciona clones de seringueira no Centro-Oeste e resultados apresentam produtividade média acima de 2 mil quilos anuais por hectare, cerca de 26% acima dos materiais mais plantados na região

Inovação

img-news
Um trabalho de mais de 20 anos de melhoramento genético realizado por pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) resultou na seleção de 14 clones de seringueira adaptados ao Centro-Oeste do Brasil e com produtividade média acima de 2 mil quilos anuais por hectare de borracha seca – cerca de 26% superior à média dos mais plantados na região. 

Além da elevada produtividade, que permitirá o aumento da produção nacional e a redução da dependência das importações, os novos materiais fornecem um produto de boa qualidade e proverão maior diversidade genética aos seringais, importante estratégia para reduzir os riscos de ataques de pragas e doenças.

“O desafio para quem planta espécies perenes como a seringueira é a diversidade genética. Com esses resultados, oferecemos uma lista maior de clones para o produtor”, detalha o pesquisador Ailton Pereira, acrescentando que o melhoramento genético é a melhor maneira de aumentar a produtividade e a receita sem alterar os custos.

Os clones PB 312, PB 291, RRIM 713, PB 355, OS 22, PC 119, PB 324, PB 350, RRIM 938, PB 311, PC 140, PB 314, RRIM 901 e RRIM 937, oriundos da Malásia, foram registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para cultivo nas regiões do Centro-Oeste onde foram testados, especialmente em áreas com período seco bem definido, chamadas de áreas de escape ao mal-das-folhas, de acordo com o zoneamento climático da heveicultura no Brasil.

DIVERSIFICAÇÃO E PRODUTIVIDADE
A pesquisa avaliou os 85 clones mais promissores do Banco Ativo de Germoplasma (BAG) da Embrapa Cerrados, sendo 63 de origem asiática, 11 africanos e 11 nacionais. 

Os experimentos foram realizados em três áreas de produtores – em Goianésia (GO), Barro Alto (GO) e Pontes e Lacerda (MT) – e nos campos experimentais da Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF). Além da parceria com os produtores, a pesquisa teve a colaboração da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater Goiás), por meio da pesquisadora Elainy Pereira, que participou da condução e da avaliação dos experimentos. Os clones também foram testados em São Paulo, pelo Instituto Agronômico (IAC) de Campinas, e no Paraná pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).