John Deere logo

    Conecta

    Sua fonte centralizada de notícias Agro

    O poder da Conectividade para o agronegócio brasileiro

    Acesso à Internet nas zonas rurais tende a aumentar a eficiência do setor, bem como atrair novos talentos e ajudar a promover a sustentabilidade
    John Deere Brasil, Empresa
    Campo conectado
    Campo conectado

    Tags:

    Conectividade

    Por Estela Dias para o AgTech Garage
     
     
    De acordo com a ONU, em 2050, o Brasil terá aproximadamente 231 milhões de pessoas, o que nos manterá como sétimo país mais populoso do mundo. Nesse contexto, ser produtivo e sustentável de forma ágil se faz extremamente necessário. Um dos aliados do agronegócio, a fim de ampliar a produtividade, diminuir custos e consolidar práticas sustentáveis, é a conectividade.
     
    Sua presença no campo permite que os agricultores ultrapassem muitas barreiras que existiam antes da sua chegada. Além da maior proximidade com o empreendedorismo, seu surgimento possibilitou o aumento na geração de empregos, o que acarretou também na reaproximação de jovens, que antes migravam para as capitais, mas agora retornam ao campo com perspectivas promissoras de carreira.
     
    Em 2021, contudo, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), apenas entre 23% e 30% das propriedades rurais do país possuíam algum nível de cobertura, seja de internet por rádio e satélite ou de rede 3G. Temos ainda um grande caminho a trilhar. Nesse ponto. podemos dizer que o 5G é um aliado da conectividade no campo - não por conta de sua chegada em si, mas, sim, por exigir que as tecnologias anteriores estejam presentes nas regiões que ainda permanecem offline.
     
    Entre inúmeras exigências, as operadoras de telecomunicação vencedoras do leilão da Anatel precisam oferecer a tecnologia 4G para 95% da área urbana de municípios sem acesso e que tenham menos de 30 mil habitantes. Esse é um grande passo.
     
    CONECTIVIDADE ASSOCIADA À EFICIÊNCIA
    O trabalho do campo hoje é envolto de tecnologia. Precisa ser. Vivemos o momento da Agricultura 4.0, ou seja, período em que um conjunto de tecnologias busca a otimização da produção e gestão agrícola, que inclui desde o foco na Agricultura de Precisão, Agricultura Digital até a Internet das Coisas (IoT) e o uso de Big Data (volume gigantesco de dados que chegam de forma crescente e rápida). Com a população mundial em 8 bilhões de pessoas, é necessário que se crie mecanismos de produção de alimentos de maneira ágil e sustentável.
     
    É importante reforçar que o Brasil saiu da condição de importador de alimentos para se tornar um dos mais importantes exportadores do mundo em menos de 40 anos. E isso nós devemos também à tecnologia. Há pelo menos 21 anos, acompanho de perto a realidade da agricultura nacional e vivenciei a evolução do espaço rural e dos agricultores. Compreendi então que o aumento na produtividade, de forma sustentável, será impulsionado pelas novas tecnologias trazidas para os agricultores e que irão ser alavancados por meio da conectividade no campo, em todos os níveis possíveis.
     
    Por exemplo, agora o agricultor conta com máquinas de última geração que realizam muitos trabalhos de forma automatizada. A inteligência artificial já está embarcada nas soluções para que os produtores consigam colher os dados automaticamente. Informações que antes só apareciam no final da safra - momento em que muitas vezes os produtores eram surpreendidos - hoje podem ser acompanhadas de maneira muito mais rápida e certeira ao longo do processo, o que permite tomadas de decisão mais precisas e maior produtividade.
     
    Tratores, pulverizadores, colheitadeiras, pás-carregadeiras e todas as máquinas florestais precisam tornar o trabalho rural ainda mais efetivo. Não pode haver erros, é necessário que sejam exatos e seguros, garantindo a rentabilidade de toda a cadeia. E, apenas aliando a tecnologia. todas essas características se farão presentes.
     
    Nesse ponto, ressalto a presença da John Deere, empresa da qual faço parte há mais de seis anos. por introduzir na fabricação dos seus equipamentos dispositivos de loT que permitem que a máquina esteja conectada conforme a disponibilidade de conectividade da preferência de nossos clientes, bem como uma plataforma digital gratuita e um aplicativo de celular onde o agricultor pode acompanhar toda a sua operação de qualquer lugar que ele esteja.
     
     
    A AGRICULTURA 5.0
    Saímos da agricultura de tração animal, focada na subsistência, a 1.0, passamos pela implementação de máquinas e início de produção em grande escala na 2.0. Dos anos 1990 até 2010, introduzimos o GPS, agricultura de precisão, e a sustentabilidade começa a ganhar espaço com a agricultura 3.0, até que chegamos ao nosso atual momento, a 4.0, dando espaço à digitalização. Mas o setor já vislumbra a próxima etapa, focando em maiores avanços tecnológicos e ainda mais eficientes: a agricultura 5.0, com operações cada vez mais autônomas com uso de machine learning, robótica, inteligência artificial.
     
    E a John Deere está atenta a esse progresso. No final de 2020, a companhia estabeleceu uma colaboração com a Claro e a SOL Intermediação de Negócios e Gestão de Ativos a fim de levar a agricultura 5.0 para o campo brasileiro. Por meio da conectividade em áreas rurais. das tecnologias embarcadas nos equipamentos e tecnologias digitais, do cruzamento e tratamento de dados, do autoaprendizado das máquinas (machine learning) e inteligência artificial para a tomada rápida de decisões existirão ganhos de eficiência imensos.
     
    UM AGRO MAIS PRECISO E SUSTENTÁVEL
    Com o aumento da produtividade e da precisão, o agronegócio se consolida como aliado da sustentabilidade. Segundo dados mais recentes do IBGE, em 2018 o setor ocupava apenas 7,8% do total de nossa área. Para termos uma dimensão do cuidado que há, o mesmo levantamento mostra que 282,8 milhões de hectares são áreas preservadas, que representam 33,2% do território brasileiro. Esses dados nos mostram que, ainda que devamos nos manter vigilantes quanto ao tema, estamos trilhando um caminho muito favorável rumo ao crescimento sustentável.
     
    E, novamente, não podemos nos esquecer que, além dos ganhos para os produtores e para o meio ambiente, a conectividade no campo permitiu que diversos profissionais passassem a ter oportunidades também na zona rural, como analistas de dados, profissionais de TI, economistas, estatísticos etc.
     
    Além disso, a tecnologia e conectividade abriram oportunidades para jovens empresas. Em maio de 2022. o Distrito Agtech Report divulgou que, nos cinco primeiros meses deste ano, as startups do agro já haviam captado R$ 54,7 milhões, principalmente pelo fato de o setor ter se mostrado um terreno fértil para o desenvolvimento de novas tecnologias.
     
    Pontuado tudo isso, fica evidente que a conectividade em propriedades rurais - e muitas vezes remotas - é uma das grandes prioridades do campo. Todos ganharemos. E embora haja um enorme crescimento no acesso da tecnologia, ainda temos muitas áreas sem conexão à rede mundial de computadores.
     
    É necessário instalar torres de transmissão, amplificação de sinal, aperfeiçoar a qualidade, dentre outros desafios. E tudo isso o quanto antes, e sem oneração de custo aos produtores. É notável que ainda há muito que se fazer, mas ainda assim, fico feliz por estar vivendo essa (r)evolução.
     
     
     
     
    Sobre Estela Dias: É gerente de Marketing Tático para Tecnologias de Precisão da John Deere Brasil. Se formou em Engenharia Agronômica na Esalq-USP e posteriormente se especializou em Investimento e Gestão na Agroindústria Sucroenergética. Atuou como engenheira agrônoma, em planejamento agrícola, introdução de processos e sistemas para produção agrícola, custos e orçamentação bem como introdução de tecnologias na produção e agricultura de precisão. Em 2016, sua parceria com a John Deere teve início. Atualmente, Estela é gerente de Marketing Tático para Tecnologias de Precisão da companhia.