Parceria para conectar o campo com o 5G

John Deere e Ericsson se unem na pesquisa e desenvolvimento de novas aplicações para a internet de quinta geração no agro brasileiro

Inovação

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Pesquisa da McKinsey, divulgada no começo de 2021, mostra que apenas 23% dos produtores rurais têm acesso à internet em toda a operação agrícola. O efeito real dessa informação é que os dados gerados ao longo das operações agrícolas são descarregados e processados somente ao fim de cada jornada, ao acessar locais com conectividade. Com a entrada da rede 5G no agronegócio, isso vai mudar.

 

Reportagem do Valor Econômico informa que a John Deere, maior fabricante de máquinas e implementos agrícolas do mundo, e a Ericsson, empresa de equipamentos e infraestrutura de telecomunicações, fecharam um acordo de parceria na pesquisa e desenvolvimento de novas aplicações para a tecnologia 5G no agro brasileiro.

 

TUDO EM TEMPO REAL

A chegada do 5G à lavoura permitirá ajustes em tempo real nas máquinas e nas diferentes etapas do cultivo. Além do aumento da eficiência e da produtividade, a internet de banda larga de quinta geração trará economia ao produto e benefícios ao meio ambiente. O uso de defensivos e outros insumos, por exemplo, poderá ser reduzido com a diminuição do tempo de transmissão das informações.

 

Em entrevista ao Valor Econômico, Rodrigo Bonato, diretor do Grupo de Soluções Inteligentes da John Deere para América Latina, reafirma os benefícios ambientais com a evolução tecnológica e cita o aumento da preocupação do produtor rural brasileiro com sustentabilidade como um fator importante nesse processo de inovação. “Vai além de produzir mais comida: é produzir mais comida sustentável. A tecnologia vai ajudá-lo a tomar a decisão correta. Isso gera um círculo positivo”, afirma.

 

COMEÇA NO ESCRITÓRIO

Na primeira fase do projeto, as atividades serão desenvolvidas no escritório central da John Deere para América Latina, em Indaiatuba, e no Centro de Agricultura de Precisão e Inovação (Capi) da marca, em Campinas, ambos no interior de São Paulo. O acordo também prevê a adoção da tecnologia 5G em linhas de produção da John Deere no maquinário disponível no mercado brasileiro.

 

Na reportagem, Bonato informa que está em negociação com um grupo produtor de grande porte para testar o 5G já na próxima safra. “É um cliente tecnificado, que já tem um padrão de tecnologia de Agro 4.0. Agora, vamos levá-lo à definição do Ministério da Agricultura para o Agro 5.0, que é a capacidade de reação em tempo real para correção de falhas na operação”, conta.

 

Com as funcionalidades da internet de quinta geração, o produtor  ganhará em agilidade e ferramentas para produzir mais e melhor, com menor custo. O plano é reduzir a latência (tempo entre o envio e o recebimento de informações) a algo próximo de zero. Com o 5G, essas aplicações se tornarão viáveis, com possibilidade de envio de imagens e vídeos em tempo real ao centro de controle e, consequentemente, de se tomar decisões cada vez mais assertivas.

 

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