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    Tecnologias imersivas podem apoiar a transformação do Agronegócio

    No painel Experiências 360º, do campo à mesa do consumidor, no AgTech Meeting, especialistas trazem à tona possibilidades de aplicação de games, realidade virtual e aumentada no setor
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    Tecnologia

    Palavras como “gamificação”, “metaverso”, “blockchain”, “cripto” e “NFT” estão se tornando cada vez mais comuns no vocabulário não só de quem trabalha com tecnologia, mas da população conectada às redes sociais e ao universo digital. Mas até que ponto isso tem alguma aplicação prática e útil no campo? 

    No painel Experiências 360º, do campo à mesa do consumidor, realizado no AgTech Meeting 2022, Leandro Carrion (Gerente de Inovação, Geração de Valor e Experiência do Cliente da John Deere) moderou uma mesa redonda com Camilla Gurgel (Diretora Executiva e Partner do Hub1601 e da Deboo) e Marcelo Pivovar (Líder de Tecnologia e Transformação de Negócios da Oracle) sobre como diferentes tecnologias imersivas podem proporcionar novas experiências de relacionamento com o cliente e com a sociedade para grandes marcas do agronegócio. 

    Na opinião de Camilla Gurgel, que tem passagem por gigantes do setor de alimentação como Outback e Ifood, a conversa tem que começar pela necessidade do usuário (em boa parte dos casos no agro, o produtor rural). “Precisamos construir pontes para buscar o encontro das tecnologias imersivas com o agronegócio e refletir se aquela tecnologia que estamos desenvolvendo vai, de fato, resolver o problema do usuário”, diz. “Às vezes, ficamos tão apaixonados pela solução que nos esquecemos de perguntar a opinião de quem vai usar”, ela afirma.

    Marcelo Pivovar, da Oracle, lembra que a palavra tecnologia vem do grego “téchne” e significa “arte, ofício, ferramenta”, sendo um dos desafios dos empreendedores descomplicar conceitos, para torná-las mais acessíveis e compreensíveis. “Precisamos colocar as tecnologias em um formato mais palatável, fluido, fácil de entender e mostrar seu objetivo e seus benefícios”, afirma. Para ele, as experiências fluidas entre tecnologias e usuários são um fundamento básico da geração de eficiência. “Tecnologia é ferramenta, e não necessariamente tem que ser digital. Ela diz mais sobre comportamentos, hábitos e costumes. Se uma ferramenta atende a demanda do usuário, está aí a chave do negócio”.

    TECNOLOGIAS IMERSIVAS APLICADAS AO AGRO
    “O agro já trabalha com um grande volume de dados e precisamos de profissionais com essa aptidão. Mas se o filho do produtor não quer ficar no campo, como a gente cria o senso de pertencimento para ele ter orgulho do agro tecnológico? É bacana ir para o Vale do Silício e chamar um Tesla. Mas você já entrou em uma colheitadeira? Faça essa comparação”. Para atrair os jovens agricultores e pecuaristas desde cedo, Carrion cita os jogos como uma ferramenta poderosa. “A gamificação traz esse senso de pertencimento para o campo. Jogos como o Farming Simulator podem gerar conhecimento e divertimento ainda na infância”, diz, ponderando que ainda existem sérios empecilhos de conectividade na zona rural brasileira, onde uma em cada quatro crianças permanece desconectada. 

    Dando um exemplo de como os games podem influenciar a comunicação e a educação, Camilla cita a Pinduoduo, plataforma chinesa de comércio de hortifrútis em que o usuário assume o papel de agricultor e ao final da sua safra recebe em casa o produto da colheita. “Depois de todo o trabalho no campo cultivando maçãs, por exemplo, o usuário recebe a fruta de verdade na porta de casa. É uma experiência que sai do online e se torna real”.

    Pivovar lembra que os games já estão no dia a dia das pessoas, na cidade e no campo, ainda que passem despercebidos. A exposição aos games vêm do uso diário principalmente dos smartphones. “A gamificação pode ser uma via muito interessante para a educação, capacitação e retenção de talentos no campo. As novas gerações já não entram tanto nas redes sociais, elas buscam tecnologias gamificadas e interativas e, por isso, criou-se o metaverso”, diz.

    LIGANDO URBANO E RURAL
    Para Camilla, a gamificação pode ser usada, ainda, como ferramenta de comunicação entre o mundo urbano e o rural, isto é, o setor produtivo e o consumidor na ponta da mesa. “As tecnologias de gamificação são capazes de educar as pessoas em relação ao campo. Através dos games, as pessoas começam a entender o que o agricultor tem que fazer para produzir o alimento, cultivá-lo, colhê-lo”, diz. 

    A rastreabilidade que o consumidor tanto demanda pode ser melhor entendida da tela de um celular. Carrion lembra que, hoje, QR Codes já mostram a rastreabilidade dos alimentos em propriedades onde a operação agrícola foi digitalizada, e isso tende a gerar cada vez mais valor para o agricultor. Isto sobretudo em mercados exigentes com questões ambientais e de segurança dos alimentos, como é o caso do bloco europeu. 

    “A gente, que trabalha com inovação, tem que mostrar o que já está sendo usado na prática, mas também ficar atento aos sinais do que está por vir”, afirma Carrion. Pivovar faz o exercício de imaginar o futuro: “Com o metaverso, o consumidor vai poder ver do seu smartphone onde o alimento surgiu. Teremos entrelaçamentos de tecnologia e, quando eles acontecem, às vezes é difícil enxergar o futuro. Nosso raciocínio é linear e as tecnologias hoje são exponenciais”. 

    Na visão de Carrion, a realidade virtual e a realidade aumentada são outras duas ferramentas com amplo potencial de uso no agronegócio. “A realidade virtual te leva para qualquer lugar do mundo e a realidade aumentada traz qualquer coisa até você. Usando a realidade virtual, o produtor conseguiria ter um treinamento imersivo, consertar uma máquina sem sair da fazenda (ver vídeo), se qualificar para pulverizar defensivos, simular operações antes de tomar uma decisão. Com a realidade aumentada, ele poderia enxergar do que uma startup está falando e ver sua solução funcionar na sua frente. 

    RITMO ACELERADO
    As tecnologias disruptivas como o metaverso, NFT, cripto e outras são um universo ainda desconhecido, concordam os especialistas, mas precisam ser compreendidos principalmente pelos empreendedores. “A internet surgiu e levou quase 30 anos para, de fato, entrar na vida das pessoas. Só que agora, essas tecnologias vão chegar em um ritmo acelerado, não haverá um tempo de amadurecimento e vamos ter que aprender a usá-las de forma inteligente”, afirma Camilla. “Quem não estiver olhando para isso, vai ser engolido”.

    A especialista considera que ainda não é possível afirmar até onde ou como as tecnologias imersivas vão ditar as relações interpessoais no futuro, mas que o processo de imersão está em curso e a pleno vapor, isso está. “Hoje em dia, muitas das tecnologias que ganham fama ainda não são aplicáveis na prática, como o metaverso. O que não podemos perder de vista é a resolução dos problemas de quem vai utilizar essa ou aquela ferramenta tecnológica”. Pivovar acredita que o metaverso será, no futuro, mais um canal de comunicação, exatamente como hoje existem os chats, aplicativos e outros. 

    Carrion destaca que o envolvimento provocado por tecnologias em gerações mais jovens é um fenômeno neurológico e, nesse contexto, lembra que o produtor rural brasileiro é o mais jovem do mundo, o que abre oportunidades. “Nós temos uma oportunidade única de unir todas essas tecnologias para vencer as barreiras que existem e para captar esse produtor rural jovem”, diz. “Pode estar aí a grande revolução, lembrando sempre que inovação não é tecnologia. Tecnologia é o meio, não é o fim”, afirma o executivo da John Deere.

    Por Viviane Taguchi e Marina Salles