10 mitos sobre pecuária e gases de efeito estufa (GEE)

Acompanhe e entenda o que é realmente fato na relação entre o consumo de carne e a redução do aquecimento global

Pecuária

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Recentemente, por conta de polêmicas quanto à redução do consumo de carne como forma de reduzir o aquecimento global, muitas pessoas fizeram várias declarações sobre a pecuária e suas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Muitas delas sem o devido amparo da ciência. Os dez pontos abaixo são um esforço de resgatar algumas dessas afirmações e analisá-las à luz das melhores informações de que dispomos sobre o tema de forma a qualificar o debate.

Há dois riscos: os usuais exageros que costumam circular em matérias de imprensa e redes sociais sobre o envolvimento da pecuária no tema ou a ideia de que o setor não deve se preocupar com o tema. Como sempre, a melhor opção é a tentativa de ser o mais imparcial possível e se render aos fatos, pois só assim conseguiremos resolver o problema. Confira: 

1 - A PECUÁRIA TEM EMISSÃO MAIOR DO QUE O SETOR DE TRANSPORTE
Usando dados da Universidade de Oxford de emissão global por setor de 2016[1], de cada 100 kg de GEE, a pecuária e seus dejetos seriam responsáveis por 5,8 kg, enquanto o setor de transporte por 16,2 kg, ou seja, o transporte emite quase três vezes mais GEE. O mito da emissão maior pela pecuária foi criado por um relatório da ONU de 18 anos atrás cujo título já adiantava um viés que não deveria haver em um documento dessa natureza: “A grande sombra da pecuária”. A maior crítica nessa comparação é que, no caso do transporte, teria sido contabilizada apenas a emissão direta da queima de combustíveis fósseis, mas, no caso da pecuária, as emissões indiretas envolvidas na cadeia produtiva foram consideradas.

2 - A REDUÇÃO DE METANO ENTÉRICO EXIGE MUDANÇAS QUE PODEM INVIABILIZAR A PECUÁRIA
Conforme vão surgindo as informações sobre o aquecimento global e o papel do metano entérico, inclusive com ameaças de taxação da produção ou outras restrições, é natural que o pecuarista se sinta incomodado e temeroso de que seu negócio seja impactado negativamente. Há, contudo, grandes oportunidades para o produtor, uma vez que várias opções de redução de pegada de carbono têm custo marginal negativo, isto é, elas aumentam a rentabilidade do produtor. Por exemplo, a suplementação com proteinados na seca que são capazes de reduzir o tempo de abate em até um ano, ou seja, não só é um ano a menos de emissão, mas a emissão ao longo do tempo, por kg de carne produzida, também é menor. Não raro, a relação benefício - custo do uso do proteinado chega a 3 para 1, ou seja, para cada real investido, três reais são ganhos no ganho de peso. Por outro lado, práticas de intensificação sustentável, como o uso de proteinado, dependem de algum investimento extra: além do desembolso na compra do proteinado, é necessário ao menos dobrar a estrutura de cochos da fazenda, considerando que ela seja adequada à suplementação mineral. Assim, muitas vezes as práticas de intensificação sustentável, como o proteinado, dependem de algum investimento extra. Há, portanto, sempre o risco desse processo alijar os produtores com menor capacidade de investimento e gestão. Isso deve ser foco da atenção de todos, podendo ser, inclusive, alvo de políticas públicas que garantam essa travessia para níveis superiores de produção para o maior número possível de produtores.