Abates de bovinos no primeiro semestre e expectativas

Os abates de bovinos somaram 7,08 milhões de cabeças no segundo trimestre de 2021, de acordo com o IBGE, redução de 4,4% na comparação com o mesmo intervalo de 2020.

Pecuária

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A oferta de gado para abate em 2021 tem sido bem limitada, sob influência do cenário de valorizações das categorias de reposição, melhoria da rentabilidade da cria e consequente investimento na atividade e retenção de fêmeas.

 

Cabe a observação de que quando lidamos com abates, a sazonalidade é muito relevante. Nos primeiros trimestres do ano, temos uma participação maior de fêmea nos abates, devido ao período reprodutivo. Após a estação de monta, parte das fêmeas que não emprenharam são descartadas, o que aumenta a participação destas nos números da primeira metade do ano.

 

Voltando aos resultados de 2021. Entre abril e junho foram abatidas 2,59 milhões de fêmeas, o que representa um recuo de 11,7%, na comparação com o mesmo intervalo de 2020. No mesmo trimestre, os machos somaram 4,49 milhões, o que equivale a um aumento de 0,4% na comparação anual.

 

Considerando machos e fêmeas, que totalizaram 7,08 milhões, foi a menor quantidade de bovinos abatidos para um segundo semestre desde 2011, quando os abates somaram 7,07 milhões.

 

Figura 1.

Abates de bovinos no Brasil no segundo trimestre de cada ano.


Fonte: IBGE / Scot Consultoria

 

O cenário de retenção de fêmeas apresentado na análise sobre o ciclo pecuário é uma das causas desse movimento. O cenário de preços de reposição em alta melhora o resultado da cria e estimula o investimento na atividade, o que passa pela retenção de vacas e novilhas para a produção de bezerros.

 

No acumulado do primeiro semestre, houve redução de 7,3% em 2021, na comparação com o mesmo intervalo de 2020. Enquanto os abates de machos diminuíram 0,3%, os de fêmeas despencaram 17,3% na comparação com a primeira metade de 2020.

 

Considerando o acumulado do primeiro semestre, foram abatidos 13,66 milhões de bovinos, o que equivale a uma redução de 7,3%, na comparação com a primeira metade de 2020.

 

Com os dados disponíveis, tudo indica que 2021 continua como um ano de investimento na cria e retenção de fêmeas.

 

PESO MÉDIO DAS CARCAÇAS

 

Apesar da redução de 7,3% na quantidade de bovinos abatidos, a produção de carne não diminuiu na mesma intensidade. No primeiro semestre a produção somou 3,60 milhões de toneladas de carcaças, o que equivale a uma diminuição de 4,4% frente ao mesmo intervalo de 2020.

 

Isso se deve ao aumento do peso médio de carcaça. Considerando a média dos bovinos abatidos, o peso de carcaça no semestre foi de 17,6@ (263,5kg de carcaça), o que equivale a um acréscimo de 3,2%, na comparação com o peso médio no primeiro semestre de 2020.   

 

O peso médio de machos foi de 19,5@, o que representa um aumento de 1,5% na comparação com a média da primeira metade de 2020. Para as fêmeas, o peso médio aumentou 2,4%, atingindo 14,3@ no primeiro semestre deste ano.

 

Perceba que o peso médio geral subiu mais que os pesos médios de machos e de fêmeas. Isso ocorreu porque houve participação menor de fêmeas nos abates em 2021, ou seja, além de o peso das categorias ter aumentado, houve maior participação da categoria mais pesada (machos), o que reforçou o incremento da média geral.

 

Na primeira metade de 2020 as fêmeas compuseram 41,1% dos abates, enquanto de janeiro a junho últimos a participação foi de 36,7%.

 

EXPECTATIVAS

 

Na média dos últimos dez anos, os abates no segundo semestre superaram em 3,9% aqueles nas primeiras metades dos anos.

 

Considerando essa projeção sobre os dados até junho de 2021, teríamos 14,2 milhões de cabeças abatidas na segunda metade do ano, resultando em um abate de 27,9 milhões em 2021, o que representaria uma redução de 6,8%, frente ao total de 2020.

 

Como referência, apenas para atingir os abates de 2020, de 29,89 milhões, no segundo semestre teríamos que abater 16,22 milhões de bovinos, o que equivaleria a um aumento de 18,7% frente ao primeiro semestre.

 

Analisando dados desde 1997, o maior aumento de abates na segunda metade do ano, frente à primeira, foi de 12,4% em 2002. Em outras palavras, a menos que o ritmo de abates tenha desempenho historicamente alto neste segundo semestre, o que não está no radar, o ano deve terminar com queda nos abates, consolidando o observado na primeira metade.

 

 

 

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