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    Boi gordo e reposição: mercado em queda na entressafra

    Apesar do avanço da entressafra, período em que os valores no mercado do boi gordo tendem a subir, os preços trabalharam em queda nos mercados para abate e de reposição
    Scot Consultoria
    Boi gordo e reposição: mercado em queda na entressafra
    Boi gordo e reposição: mercado em queda na entressafra

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    Em agosto, destacando o uso de contratos a termo entre produtores e frigoríficos, as escalas de abate trabalharam relativamente alongadas. Além disso, durante o primeiro semestre vivenciamos um aumento no abate de bovinos, com maior descarte de fêmeas, mas com um consumo doméstico frouxo e dificuldade no escoamento de carne bovina, os preços caíram em agosto, em plena entressafra.  

    Em São Paulo, o boi gordo teve queda de R$20,00/@ desde o início do mês, negociado a R$288,00/@, para o mercado interno e, para o “boi China”, os negócios ocorrem em R$300,00/@, preços brutos e a prazo, respectivamente. Acompanhe na figura 1 o comportamento dos preços no mercado do boi gordo em 2022.

     
    Se, por um lado, temos um consumo interno paulatino, as exportações estão firmes e, em agosto, quebramos recorde mensal para os embarques de carne bovina brasileira e faturamento. 

    Foram embarcadas 203,2 mil toneladas de carne bovina in natura em agosto, com faturamento de US$1,25 bilhão. A expectativa é de recorde para as exportações de carne bovina em 2022.

    No mercado de reposição, a situação também foi de queda nas cotações em agosto. A pressão de baixa no mercado do boi gordo, somado à baixa capacidade de suporte das pastagens, tirou o estímulo do recriador e, com isso, os preços de todas as categorias destinadas à reposição caíram em agosto, com destaque às mais jovens, veja na figura 2.


    Os mercados do boi gordo e de reposição devem seguir pressionados em setembro. 


    O consumo doméstico em curto prazo será fundamental para a precificação no mercado do boi. Se houver melhora em meio à geração de empregos temporários (eleição e fim de ano), poderá enxugar os estoques de carne e, junto a uma expectativa de manutenção do bom quadro para exportação, retomar o fôlego para os preços no mercado do boi gordo. 

    SOJA
    Os preços da soja caíram em agosto. Puxado pela melhora na condição das lavouras norte-americanas nas últimas semanas do mês, dólar mais frouxo e exportações em ritmo menos acelerado na comparação anual.

    Segundo levantamento da Scot Consultoria, a soja no porto de Paranaguá encerrou o mês negociada a R$187,00/saca, recuo de 4,8% na comparação mensal. Em doze meses, porém, o preço da soja em grão está 8,7% maiores. 

    O dólar perdeu sustentação em agosto e caiu, em média, 4,0%, na comparação mensal. Acompanhe na figura 3 o preço da soja e da moeda norte-americana.

    Figura 3.
    Evolução dos preços da soja em grão no porto de Paranaguá-PR, em R$/saca de 60 quilos (eixo da esquerda) e cotação do dólar, em R$/US$ (eixo da direita).

    Com relação às exportações brasileiras, em agosto, 6,61 milhões de toneladas de soja em grão foram exportadas, com uma média diária 9,1% menor em relação a agosto/21. 

    Para o curto e médio prazos, o câmbio e a situação das lavouras nos Estados Unidos são os principais fatores de direcionamento dos preços da soja em grão no mercado brasileiro. É preciso considerar também os estoques mais baixos no Brasil no segundo semestre.

    No caso do dólar, o aumento da inflação nos Estados Unidos e as eleições no Brasil poderão pesar na cotação da moeda norte-americana.

    Com relação ao clima nos Estados Unidos, as previsões indicam chuvas pontuais e temperaturas mais altas em curto prazo, podendo amenizar o quadro negativo que atuou nas lavouras no país em boa parte de julho e agosto.

    Assim, para setembro, o viés é de estabilidade à queda sobre os preços da soja em grão no mercado brasileiro, com o câmbio mais fraco e a possibilidade de melhora no quadro norte-americano pesando sobre a cotação da oleaginosa em meio a uma demanda menos firme.

    MILHO
    Com a aproximação do fim da colheita da segunda safra no país, os preços do milho em grão trabalharam em queda praticamente até a última semana de agosto, retomando a firmeza no fim do mês. 

    Em Campinas-SP, segundo levantamento da Scot Consultoria, a saca de 60kg fechou agosto negociada em R$88,00, alta de 4,8% em trinta dias. Em doze meses, porém, a referência está 11,1%.

    Figura 4.
    Preço do milho em Campinas-SP, em R$/saca de 60kg.

    A preocupação com a oferta de milho norte-americana puxou os preços do milho em agosto, que, apesar das chuvas nas últimas duas semanas de agosto, deverá influenciar pouco em melhores condições nas lavouras do grão. Além disso, o clima tem pesado na China, em sua produção local, sendo um dos maiores produtores e consumidores globais. 

    Por fim, o conflito entre Rússia e Ucrânia segue no radar do mercado e oferta do grão. Apesar da liberação do corredor de exportações de grãos pelo Mar Negro, o conflito impactou a produção ucraniana na safra 2022/23. 

    Somado a todo esse contexto, a exportação do cereal está firme e, assim como os embarques de carne bovina, o volume embarcado para o milho em agosto/22 fora recorde, com 7,55 milhões de toneladas embarcadas.

    Em curto prazo (setembro), os preços do milho deverão seguir firmes com o clima nos Estados Unidos e na China elevando as preocupações quanto à oferta do grão. 

    A partir de outubro/novembro, com o avanço da colheita norte-americana, os preços poderão perder sustentação, mas, com um quadro de estoques finais globais e, no Brasil, enxutos, a pressão de baixa poderá ser limitada.

    Por: Felipe Fabbri, zootecnista, me. e analista de mercado da Scot Consultoria