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    Carne bovina: apetite chinês segue crescendo e o paladar mudando

    Apesar do aumento progressivo do consumo de carne bovina, o produto ainda representa uma pequena parcela na participação das refeições chinesas, se comparado às carnes suína e de frango
    Scot Consultoria
    Carne bovina: apetite chinês segue crescendo e o paladar mudando
    Carne bovina: apetite chinês segue crescendo e o paladar mudando

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    Atualmente, a China é a principal parceira comercial do Brasil no que diz respeito às exportações de carne in natura. Em 2021, o país foi responsável, respectivamente, por 52%, 49% e 18% do faturamento brasileiro com as exportações de carne suína, bovina e de aves (MDIC).

    Em contraste com a carne suína e de frango, que tiveram alguns picos e vales de consumo ao longo dos últimos anos, o consumo de carne bovina na China tem sido crescente (figura 1). Este cenário reflete a urbanização, o aumento do poder de compra da população chinesa e o surto de peste suína africana no país entre 2017/18. 

    Figura 1. 
    Consumo total de carne bovina e de frango (eixo da esquerda) e suína (eixo da direita) na China, em milhões de tonelada equivalente carcaça, entre 2017 e 2022.
                  Fonte: USDA / Elaboração: Scot Consultoria

    A maior demanda pelo produto bovino, somado à limitação na capacidade produtiva chinesa de carne bovina, tem contribuído para que as importações do produto pelo país cresçam ano a ano (figura 2).

    Figura 2. 
    Importação de carne bovina e suína, em milhões de tonelada equivalente carcaça (tec) e de frango, em milhões de toneladas, pela China, entre 2017 e 2022.
                Fonte: USDA / Elaboração: Scot Consultoria

    Apesar do aumento progressivo do consumo de carne bovina, o produto ainda representa uma pequena parcela na participação das refeições chinesas se comparado às carnes suína e de frango, representando 13% do consumo da população, enquanto as carnes de frango e suína representam 18% e 69%, respectivamente.

    Peste Suína Africana: “enquanto uns choram, outros vendem lenço”

    Em 2020, a produção e consumo de carne suína na China teve forte queda e, paralelamente, houve grande aumento nas importações da carne, consequência do surto de peste suína africana (PSA) que atingiu o país e dizimou uma parcela considerável do plantel suíno local. 

    A Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) estima que, desde 2018, a PSA dizimou mais de 50% do plantel suíno chinês, maior produtor e consumidor de carne suína no mundo, instalando uma crise no setor. 

    Nos últimos anos, a China realizou grandes investimentos em tecnificação dos meios de produção locais. A recuperação do plantel suíno chinês tem ocorrido gradativamente e, em 2021, aproxima-se dos números pré-PSA (figura 3).

    Figura 3. 
    Produção de carne bovina e de frango (eixo da esquerda) e suína (eixo da direita) na China, em milhões de tonelada equivalente carcaça, entre 2017 e 2022.
                Fonte: USDA / Elaboração: Scot Consultoria

    No primeiro semestre de 2022, uma vacina contra a PSA foi anunciada pelo Vietnã, em parceria com os Estados Unidos. 

    A expectativa, com a chegada da vacina ao mercado, é de redução no volume de carne suína importada pela China. 

    O desenvolvimento da vacina é uma ótima notícia para a China e para a saúde pública global, mas, em contrapartida, para a suinocultura brasileira, requer maior atenção, uma vez que a demanda de seu principal cliente internacional, atualmente responsável por mais de 50% do faturamento do setor exportador, poderá decair. 

    Para a carne bovina, por outro lado, há expectativa de um cenário de demanda firme pelo mercado chinês, em meio a mudança dos hábitos alimentares no país e maior poder aquisitivo da população chinesa. A Scot Consultoria estima um crescimento de 18,4% no consumo per capita de carne bovina chinês até 2030, aumentando de 6,43 para 7,61 quilos/ano, em equivalente carcaça de carne bovina. 

    Independente do desenvolvimento da vacina e da recuperação do rebanho suíno chinês, o país deverá continuar como importante parceiro comercial brasileiro no mercado de carne bovina. 

    Autoras: 
    Amanda Skokoff, médica-veterinária, analista de mercado da Scot Consultoria
    Julia Zenatti, graduanda em medicina veterinária, analista de mercado da Scot Consultoria.