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    CARNES: Mato Grosso espera confinar 647,267 mil bovinos em 2022

    Imea organizou, em julho, o segundo levantamento das intenções de confinamento de 2022 e revisou os dados referentes ao realizado em abril. O resultado obtido foi 22,15% superior a estimativa anterior
    Agencia SAFRAS & Mercado, Portal de Notícias
    CARNES: Mato Grosso espera confinar 647,267 mil bovinos em 2022
    CARNES: Mato Grosso espera confinar 647,267 mil bovinos em 2022

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    O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) realizou o segundo levantamento das intenções de confinamento de 2022 no mês de julho, e revisou os dados referentes ao primeiro levantamento de abril. Cerca de 180 informantes participaram do levantamento, representando 75% da amostra total. Nesse sentido, o resultado obtido foi 22,15% superior a estimativa de abril/22 e registrou o total de 647.267 cabeças de bovinos confinados. 

    Ao comparar com o consolidado de 2021, divulgado em outubro, o indicador continua com uma perspectiva de redução, e fechou com queda de 22,74%. Quando se analisa a distribuição nas macrorregiões, houve um incremento significativo na região sudeste, com acréscimo de 167,54% no volume de animais confinados, devido ao aumento na amostra local. 

    A região com menor variação foi a médio-norte, mas segue com o segundo maior rebanho confinado no estado, com 133.300 cabeças. No comparativo anual, mesmo com o reajuste positivo nessa estimativa, a região oeste obteve a maior queda, de 64,83% no volume de animais. Já as regiões noroeste e nordeste, devido ao aumento das perspectivas nesse segundo levantamento, foram registrados incremento no volume de animais frente ao ano passado em 2,73% e 2,77%, respectivamente. 

    Neste segundo levantamento, foi observada uma tomada de decisão mais bem definida por parte dos entrevistados, visto que neste período apenas 3% disseram estar sem previsão para realizar o confinamento. Já 67% informaram que irão confinar em 2022, contra 30% que afirmaram que não pretendem realizar a engorda intensiva. 

    PRECIFICAÇÃO DA ARROBA
    Quando se analisa as principais preocupações por parte dos entrevistados, alguns fatores foram importantes para sua tomada de decisão. Dentre eles, destacaram-se a atenção quanto à precificação da arroba do boi gordo e aos preços dos insumos, com representatividade de 47% e 21%, respectivamente. 

    A principal preocupação se voltou para a precificação da arroba do boi gordo, pois mesmo que no comparativo de jul.22 ante a abr.22 (período em que se realizou o 1º levantamento da intenção de confinamento), o indicador tenha se valorizado 1,84%, ao que tudo indica neste momento, é que os preços futuros até dezembro apresentem leve incremento na entressafra. 

    De acordo com o levantamento, grande parte das entregas dos animais tendem a se concentrar nos meses de setembro e outubro (40%), como sazonalmente ocorre. Já aproximadamente 22% do volume confinado está previsto para ser entregue nos meses de novembro e dezembro. O mercado futuro ainda aponta certa estabilidade nas cotações, com o preço máximo de R$ 292,81/@ previsto para novembro valor já retirado o diferencial de base para Mato Grosso. 

    Vale ressaltar que movimentações distintas podem ocorrer de acordo com a conjuntura de mercado até o respectivo mês, sendo importante que o produtor trave seus negócios a um preço que cubra seus custos. 

    INSUMOS
    Com relação aos preços dos insumos, mesmo que o farelo de soja tenha registrado incremento de 0,28% no comparativo de jul.22 ante a abr.22, foi observado um recuo de 19,08% na cotação média do milho principal insumo utilizado na composição da ração neste mesmo comparativo. Porém, ainda assim, os custos permaneceram em alta e isso continua preocupando os confinadores. 

    PREÇOS DOS ANIMAIS
    Quanto aos preços dos animais de reposição, as principais categorias procuradas foram: boi magro, garrote, bezerro de ano e novilha. Em todas elas houve queda nas cotações e esse movimento vem ocorrendo desde o mês de janeiro (ocasionado pela inversão do ciclo, em que se observa maior oferta desses animais no mercado). 

    Em números, o boi magro, garrote, bezerro de ano e a novilha recuaram suas cotações em 6%, 6,03%, 9,06% e 0,58%, respectivamente, no comparativo de jul.22 ante a abr.22 

    CUSTOS DA DIÁRIA
    Quanto aos custos da diária média anual, apesar da variação positiva de aproximadamente 2%, o qual resultou a uma média de R$ 16,14 cabeça/dia, esse incremento é o menor desde 2020, visto que os custos passaram por variações acima de 50% no comparativo ano a ano. Essa menor intensidade no aumento do custo da diária do confinamento tem sido reflexo do cenário atual de recuo nos preços da saca do milho. 

    CAUTELA
    De modo geral, o sentimento obtido através do levantamento foi de cautela por parte dos confinadores, principalmente por conta das movimentações de mercado que ocorreram no final de 2021 com o embargo da China para as compras de carne bovina. Isso influenciou, inclusive, para o aumento no percentual dos produtores que realizaram algum mecanismo de proteção. 

    O resultado de julho de 2022 demonstrou que cerca de 1% dos entrevistados informaram ter realizado o travamento dos preços na bolsa de valores, enquanto aproximadamente 20% informaram ter realizado um contrato a termo até o momento. 

    A capacidades estática dos confinamentos de Mato Grosso registrou queda de 1,28% e fixou-se na média de 997,68 mil cabeças. Ao analisar a utilização da capacidade, em todas as macrorregiões do estado ela esteve abaixo do cenário de 2021. Apesar de 67% dos entrevistados terem relatado que irão confinar este ano, até então o rebanho segue menor no comparativo anual.

    CONSIDERAÇÕES FINAIS
    Neste segundo levantamento realizado, o qual contou com a participação de 75% da amostra total dos entrevistados, foi possível observar a perspectiva de um incremento de 22,15% no rebanho confinado ante o levantamento de abril deste ano. Ao todo, o rebanho estimado é de 647,27 mil cabeças de bovinos, com as regiões nordeste e médio-norte registrando a maior participação do total. Apenas 3% dos entrevistados informaram que não tem previsão para realizar o confinamento este ano, enquanto 67% afirmaram que irão atuar na atividade e 30% disseram que não irão atuar na atividade este ano. 

    De modo geral, a conjuntura atual está mais propícia para os confinadores deste ano, uma vez que a aquisição de animais e o custo com suplementação animal diminuiu no estado. Vale destacar que os preços dos animais de reposição seguem em queda desde o início do ano, pautado, principalmente, no atual movimento do ciclo pecuário. No entanto, neste momento os preços futuros têm gerado pouca valorização, e isso está limitando o confinador a adquirir mais lotes de bovinos.

    Sendo assim, é importante que o produtor se atente a precificação da arroba para cobrir seus custos no momento de negociar. Além disso, foi possível observar que diante da conjuntura de mercado do ano passado, os confinadores se encontram mais cautelosos, visto que cerca de 21% dos entrevistados informaram que estão utilizando algum mecanismo de proteção para a volatilidade da arroba do boi gordo. 

    Por fim, para o próximo levantamento de outubro é esperado um incremento no volume de animais confinados dado a conjuntura atual de mercado. Além disso, dada as incertezas no preço da arroba do boi gordo, espera-se que a procure por mecanismos de proteção possam aumentar no comparativo entre os levantamentos.