Comércio exterior para carne bovina

Situação das exportações brasileiras de carne bovina e impactos no mercado do boi gordo

Pecuária

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Com o consumo doméstico fragilizado, em função da situação econômica do país e maior concorrência com outras proteínas mais baratas, tais como a de frango, ovos e suíno, as exportações têm sido uma importante via de escoamento da produção brasileira de carne bovina.

Os volumes embarcados bateram recordes, ano a ano, desde 2018, com crescimento mais expressivo a partir de 2019, com a China aumentando as importações de proteínas, devido à queda na produção de carne suína, causada pela peste suína africana, cujos surtos tiveram início em 2018 no país asiático.

Observe na figura 1, a evolução das exportações brasileiras de carne bovina in natura nos últimos anos.

Figura 1.
Exportações brasileiras de carne bovina in natura, em milhões de toneladas.
Fonte: Secex / Elaborado por: Scot Consultoria

Das 1,72 milhão de toneladas de carne bovina in natura embarcada pelo Brasil em 2020, a China respondeu por 50,4%, sendo o nosso principal cliente. Em 2021, até maio, os chineses responderam por 53,2% do volume total exportado do produto.

O bom desempenho das exportações, somado a uma situação de consumo doméstico patinando nos últimos anos, fez aumentar a representatividade das exportações em relação ao total produzido de carne bovina no Brasil.

Essa relação, que era próxima de 20% do volume produzido destinado ao mercado externo e 80% ao mercado interno em 2017, passou para quase 30% tendo como destino as exportações em 2020, último ano consolidado.

Veja a figura 2, que considera as exportações totais de carne bovina (in natura, industrializada e salgada), convertidas em equivalente carcaça. Para a produção de carne bovina, foram utilizados os volumes oriundos dos abates com inspeção (municipal, estadual e federal).

Figura 2.
Participação das exportações na produção total de carne bovina brasileira.
Fonte: Secex / Elaborado por: Scot Consultoria

ALTA NOS PREÇOS
A associação de uma oferta menor de gado para abate, devido ao ciclo pecuário e retenção de fêmeas, e exportações aquecidas têm ditado o rumo dos preços no mercado do boi gordo nos últimos anos.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, a referência para o animal terminado em São Paulo está em R$312,00 por arroba, a prazo, livre de Funrural (25/6/21).

Na comparação com junho do ano passado, a cotação do boi gordo subiu 48,6% e desde 2019 a alta acumulada é de 109,2%, em valore nominais (figura 3).

Figura 3.
Evolução dos preços da arroba do boi gordo em São Paulo, em R$, livre de Funrural, valores nominais.
Fonte: Scot Consultoria

EXPECTATIVAS
As expectativas são positivas com relação aos embarques brasileiros de carne bovina no segundo semestre deste ano, com possibilidade de recorde no volume embarcado.

Um ponto de atenção é a forte queda do dólar frente ao real, que poderá diminuir a competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional. No entanto, considerando o potencial de incremento dos embarques de países concorrentes e as incertezas, por exemplo, com relação às exportações argentinas, o Brasil segue em posição de destaque, principalmente considerando os grandes volumes demandados pela China, que deverá seguir como principal destino das exportações brasileiras.

Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a expectativa é de que a China aumente em 11,4% as importações totais de carne bovina em 2021, estimadas em 3,10 milhões de toneladas equivalente carcaça.

Com a previsão de as exportações brasileiras seguirem em bons volumes e a entressafra (menor oferta de bovinos terminados), a estimativa é de preços em alta no mercado do boi gordo nos próximos meses.

Em longo prazo, o Brasil deverá seguir com principal fornecedor no mercado internacional de carne bovina, o que é positivo para a cadeia como um todo.

Referências
Banco de dados da Scot Consultoria.
Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
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