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    Confinamento: pequenos detalhes que podem maximizar resultados

    A adoção de boas práticas de manejo pode trazer retornos significativos para o pecuarista brasileira
    Scot Consultoria
    Confinamento: pequenos detalhes que podem maximizar resultados
    Confinamento: pequenos detalhes que podem maximizar resultados

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    A pecuária intensiva em sistema de confinamento traz uma série de vantagens para a cadeia produtiva da pecuária de corte, contribuindo para um equilíbrio estratégico na oferta de animais terminados ao longo do ano, aumento da taxa de desfrute e aumento da eficiência produtiva do rebanho sem aumentar área.

    Embora o cenário desafiador em meio ao alto custo de produção em 2021 e 2022, os preços atrativos da arroba do boi gordo têm estimulado e aumentado o número de animais confinados anualmente. Veja na figura 1.

    Figura 1.
    Evolução da quantidade de bovinos confinados, em milhões de cabeças e estimativas para os próximos anos.
      Além dos desafios porteira a fora, existem muitas variáveis que influenciam no ambiente interno do confinamento. Com isso, pontuamos a seguir pequenos detalhes de manejo que podem minimizar falhas e maximizar os lucros.

    ADAPTAÇÃO DOS ANIMAIS
    Sabemos que os bovinos são animais adaptados a viver em condições típicas dos ambientes de pastagens, portanto, é necessário adaptá-los ao confinamento.

    Na chegada ao confinamento, deve-se evitar o manejo dos bovinos após o desembarque para recuperação dos animais do transporte. Recomenda-se que os animais passem por um período de adaptação em piquetes ou currais com alimento volumoso e água. 

    O tempo irá variar de 12 e 24 horas para animais transportados por até 6 horas, e para viagens mais longas recomenda-se entre 24 e 48 horas de adaptação.

    FORMAÇÃO DOS LOTES
    Uma das vantagens do confinamento é o aumento da eficiência produtiva do rebanho sem aumentar área.

    Entretanto, é importante lembrar da necessidade de um espaço mínimo para que cada animal possa expressar seu comportamento natural, como se alimentar, descansar e ruminar. 

    É comum em confinamentos de 10 a 15 m² de espaço disponível para cada animal, no entanto, estudos já comprovaram que confinar animais  com 24m² possui vantagens como menor formação de lama e poeira, menor estresse e um ganho de peso médio superior em até 15%. 

    FAMILIARIZAÇÃO 
    Os bovinos são animais que estabelecem uma hierarquia, com isso, naturalmente, existe uma competição entre os animais por recursos e é assim que eles se reconhecem individualmente.

    A partir desse reconhecimento há a formação da hierarquia de dominância, ou seja, a definição daqueles animais que terão acesso prioritário aos recursos e daqueles que terão que esperar ou ceder o lugar. 

    Após a hierarquia estabelecida, ou ‘’ familiarização’’ dos animais, há uma queda na frequência de conflitos entre eles, ou seja, diminuem-se as cabeçadas, empurrões, brigas. Assim, o estresse e riscos de acidentes caem e os animais começam a apresentar sinais positivos de comportamento social.  

    Estudos apontam que a familiarização dos animais antes de entrarem de fato no confinamento é vantajosa, uma vez que a pré-adaptação desses animais diminui a competitividade no cocho e aumenta a frequência de interações sociais positivas.

    Os mesmos estudos apontam que a formação de lotes de animais não familiarizados diminui a frequência de animais no cocho durante os primeiros cinco dias de confinamento e menor ganho de peso diário (aproximadamente 100g/dia) durante os 20 primeiros dias (MACITELLI, BRAGA, COSTA; 2018).

    Indica-se, após a formação dos lotes, manter os animais em pastos ou piquetes por 10 a 15 dias, antes de levá-los para os piquetes de confinamento. 

    Os lotes não devem ultrapassar 150 animais, uma vez que a alta densidade traz problemas comportamentais.

    INSTALAÇÕES
    As instalações devem ser planejadas a fim de atender a necessidade dos animais e trazer praticidade aos manejos.

    O projeto varia de acordo com a propriedade, levando em consideração a diferença de topografia, características do solo, disponibilidade de alimentos, água etc.

    Atenção às condições de cochos, pisos, bebedouros e cercas, pois quando inadequadas, elas aumentam os riscos de acidentes, prejudicando o desempenho dos animais além de dificultar a rotina de trabalho do confinamento.

    É importante evitar qualquer fator que aumente a formação de lama no curral, os bovinos são animais que não gostam de ficar em locais enlameados.

    A cada 8 a 10 cm de lama, estima-se uma queda de 6 a 8% na eficiência alimentar. Outro ponto a ser considerado, é que nessas condições os animais passam mais tempo em pé, ruminam menos, gastam mais energia para se locomoverem e reduzem o consumo de alimento, apresentando perda de peso, que pode chegar a 37%.

    SOMBREAMENTO
    O estresse por calor é um dos principais entraves do sistema de criação intensiva no país. Além da escassez de sombra, as dietas possuem alto valor energético, contribuindo para aumentar a taxa metabólica e, consequentemente, aumenta o calor interno.

    O estresse por calor sobre o comportamento alimentar pode reduzir entre 10 e 35% no consumo de alimento, quando em temperaturas acima de 35ºC.

    O uso de sombreamento, associado ou não à aspersão, apresenta uma menor pressão nesse sentido.

    COCHOS E BEBEDOUROS
    Recomenda-se a limpeza diária de cochos e dos bebedouros no mínimo, duas vezes por semana. A água dos bebedouros deve ser escoada para fora do curral a fim de evitar a formação de lama e facilitando o acesso dos animais.

    Estudos comprovam que animais que tem acesso a água limpa tem um ganho de até 280g/dia a mais. 

    Muita atenção ao comportamento dos bovinos. Animais parados por muito tempo próximo a bebedouros e cochos trazem indícios de falha na oferta e distribuição de alimentos, ou até mesmo a dificuldade de acesso a esses recursos. 

    CONSIDERAÇÕES
    O confinamento é uma atividade de risco.

    Para garantir o sucesso da atividade é necessário boa eficiência econômica na compra do boi magro, responsável por 70% dos custos totais do sistema, e dos insumos.

    Por outro lado, para alcançar o sucesso da atividade é necessário o monitoramento cuidadoso e constante das condições dos animais e do ambiente, principalmente aos pequenos detalhes acima citados, que podem maximizar os resultados.

    Thayná Drugowick – zootecnista
    Scot Consultoria

    Referências
    MACITELLI, Fernanda; BRAGA, Janaina da Silva; COSTA, Mateus J.R. Paranhos da. Boas práticas de manejo: confinamento. Jaboticabal: Funep, 2018. 51 p. Disponível em: http://www.grupoetco.org.br/arquivos_br/manuais/manual-boas-praticas-de-manejo_confinamento.pdf. Acesso em: 9 ago. 2022.