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    Entenda a importância do Estresse Térmico para a criação bovina

    Aprenda como garantir o conforto térmico animal e, consequentemente, aumentar o nível da produtividade
    Scot Consultoria
    Crédito: Arquivo
    Crédito: Arquivo

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    Boi

    Bem-estar animal é o estado em que estes se encontram quando as condições necessárias são supridas, garantindo que estão em sua zona de conforto térmico e proporcionando o aumento da produtividade do animal.

    Como o Brasil está localizado em uma zona intertropical, uma das maiores preocupações e desafios dos produtores estão relacionados às altas temperaturas dentro das propriedades.

    Animais homeotérmicos, como os bovinos, são aqueles cuja temperatura corporal interna permanecem constante independente da temperatura ambiente. Em ambientes onde a temperatura está acima ou abaixo da zona de conforto térmico do animal, processos metabólicos são realizados buscando a atingir a termorregulação.

    CONFORTO TÉRMICO
    A zona de conforto térmico é uma faixa de temperatura ambiente na qual animais homeotérmicos se encontram com situação metabólica equilibrada com relação à termorregulação. Esse intervalo de temperatura varia de acordo com a espécie, raça, nível de produção, estádio fisiológico e nutrição.

    Entenda a importância do Estresse Térmico para a criação bovina 1

    Em temperaturas dentro da zona de termoneutralidade, os processos metabólicos do sistema termorregulador não estão ativos, assim o gasto de energia para manutenção é mínimo, proporcionando melhor saúde, eficiência produtiva e reprodutiva dos animais.

    Em temperaturas acima da zona de conforto térmico, os bovinos ficam ofegantes, ocorre o aumento da temperatura retal e dos batimentos cardíacos buscando a dissipação do calor. Nesses processos ocorre gasto de energia, diminuindo a produtividade.

    Em temperaturas abaixo da zona de conforto térmico, os bovinos apresentam depressão profunda, redução na taxa de respiração pulmonar e reflexos mais lentos. Nesse caso é recomendado o abrigo dos bovinos em locais fechados e sem vento, além do fornecimento de água e alimento de qualidade, uma vez que o processo de ruminação gera calor endógeno.

    O PESO DO CONFORTO TÉRMINO EM DIFERENTES RAÇAS BOVINAS
    Existem raças bovinas mais e menos adaptadas a temperaturas elevadas e que atuam no mercado brasileiro.

    Raças ZEBUÍNAS , originárias da Índia, possuem a pele mais fina, o pelo curto e liso e apresentam barbela, características que favorecem a dissipação do calor. A maior quantidade e eficiência de glândulas sudoríparas em maior quantidade e mais eficientes.

    Já bovinos de raças TAURINAS , originadas da Europa, com temperaturas baixas no inverno e menor temperatura média anual, possuem pele mais espessa e pelos mais grossos, fatores que dificultam a dissipação do calor.

    Veja na tabela 1 as temperaturas relacionadas à zona de conforto término de raças taurinas e zebuínas.

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    CONSEQUÊNCIAS DO ESTRESSE TÉRMICO
    Bovinos em condição de estresse térmico possuem maior liberação de cortisol, hormônio que reduz a capacidade do sistema imune, prejudica a absorção de nutrientes e afeta negativamente a termorregulação. Em animais reprodutores, o cortisol prejudica a secreção de importantes hormônios, como o LH e o FSH.

    A redução na absorção de nutrientes e o comprometimento do sistema imune reduz o ganho de peso e pode acarretar sérios problemas de saúde que podem levar o animal a óbito.

    Estima-se que vacas leiteiras em situação de estresse térmico, por exemplo, perdem de 15 a 20% da produção leite, além da redução no desempenho reprodutivo, podendo ser desaconselhado a inseminação de vacas nessas situações.

    Em gado de corte, por exemplo, estima-se redução entre 3 e 5% da ingestão de matéria seca nessas situações, afetando o seu ganho de peso e aumento do custo de produção.

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    MÉTODOS PARA PROMOÇÃO DO CONFORTO TÉRMICO EM BOVINOS
    Para bovinos confinados , existem diversas formas de garantir o conforto térmico dos bovinos, os mais utilizados são a utilização de aspersores de água (que também contribui para a diminuição da poeira), sistemas de ventilação e utilização de sombrite em parte do confinamento.

    Em sistemas de criação à pasto , majoritários no Brasil, o mais recomendado é a presença de sombreamento natural proveniente de árvores e disponibilidade de água em pontos estratégicos, se possível, com sombra.

    CONCLUSÃO
    O bem-estar animal é de suma importância para a produtividade do rebanho e, no Brasil, país predominantemente tropical, manter os bovinos dentro de sua zona de conforto térmico é um desafio.

    Com conhecimentos sobre o clima da região, das raças bovinas, a disponibilidade de áreas sombreadas e fontes de água, é possível a elaboração de um plano que busca evitar o estresse térmico e assim garantir a manutenção ou incremento da produção.

    Por Eduardo Abe, zootecnista, Felipe Fabbri, zootecnista, me e Jéssica Olivier, engenheira agrônoma.
     
    Referências bibliográficas