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    Fechamento dos mercados do boi gordo, reposição e grãos em novembro de 2022

    Confira a análise dos especialistas da Scot Consultoria em cada uma dessas área da agropecuária nacional, neste artigo para o Conecta
    Consultoria SCOT
    Mercado do Boi Gordo
    Mercado do Boi Gordo

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    BOI GORDO E REPOSIÇÃO

    Após operar ao longo do mês entre estabilidade e queda, novembro encerrou com alta no mercado do boi gordo. 

    Com o avanço da entressafra e menor entrega de gado confinado ao longo do mês, a oferta diminuiu. Do lado da demanda, a exportação manteve bom desempenho e o consumo doméstico, em meio ao recebimento de décimo terceiro e com a Copa do Mundo, melhorou. 

    Em São Paulo, a cotação do boi gordo subiu R$5,00/@, negociada a RS280,00/@ para o boi destinado ao mercado interno, alta na mesma intensidade também para o “boi China”, negociado a R$285,00/@, preços brutos e a prazo. 

    Veja na figura 1 o comportamento do preço da arroba do boi gordo até 30/11/2022.

    Fechamento dos mercados do boi gordo, reposição e grãos em novembro/22 1

    Após registrar os melhores meses da história na exportação de carne bovina in natura entre agosto e outubro de 2022, os embarques em novembro foram mais compassados, movimento já esperado pelo setor e comentado previamente, em função do estreitamento da janela para atendimento às festividades de nosso principal parceiro comercial, a China. 

    Em novembro/22, 148,8 mil toneladas de carne bovina in natura foram exportadas. No ano, esse foi o segundo pior mês em termos de embarques. Mesmo com desempenho mais fraco, os embarques no mês foram suficientes para consolidar 2022 como o melhor ano na história da exportação de carne bovina do Brasil, totalizando 1,83 milhão de toneladas no acumulado até novembro.

     

    No mercado interno, a Copa do Mundo e a proximidade com as festividades de fim de ano tem sustentado as negociações. Além disso, a taxa de desemprego no país (IBGE) recuou novamente e atingiu, em outubro, a menor taxa desde 2014 (8,3%)

    Com a diminuição na oferta de gado confinado e a retomada das chuvas em boa parte do Brasil proporcionando a rebrota do capim, em curto prazo, acreditamos em um cenário de preços mais firmes para o boi gordo, com o pecuarista com maior poder de negociação. 

    O mercado de reposição trabalhou lateralizado em novembro, sem alteração na referência para a maioria das categorias de reposição, exceção do boi magro, cujo preço em São Paulo caiu 2,0% em novembro. Veja na tabela 1 as cotações do gado de reposição nas praças paulistas.

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    Assim como no mercado do boi, a retomada das chuvas poderá favorecer a ponta vendedora. 

    SOJA

    O preço da soja em grão no mercado brasileiro segue como nos últimos meses e operou praticamente estável.

    Segundo levantamento da Scot Consultoria, a referência para a saca de 60 quilos, no porto de Paranaguá-PR, é de R$187,50 (30/11), praticamente a mesma referência da abertura do mês (R$188,00/saca). 

    Destacamos que, na primeira quinzena, a referência teve leve alta, mas recuou na segunda metade do mês com uma demanda mais compassada. Acompanhe na figura 2.

    Figura 2.

    Evolução dos preços da soja em grão, no porto de Paranaguá-PR, em R$/saca de 60 quilos (eixo da esquerda) e cotação do dólar, em R$/US$ (eixo da direita).

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    O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aumentou a produção de soja do país em novembro. A estimativa de produção aumentou em 0,89 milhões de toneladas ante outubro, com a safra estimada em 118,3 milhões de toneladas, produção inferior à safra passada.

    No quadro global para a safra 2022/23, o USDA elevou sua estimativa para os estoques finais, de 100,52 milhões de toneladas no relatório de outubro, para 102,2 milhões de toneladas atualmente, puxado pela expectativa de menor demanda e maior produção na América do Sul (a confirmar).

    Na Argentina, a semeadura da soja está em ritmo lento. A semeadura é a mais lenta dos últimos 22 anos, implicando diretamente no potencial produtivo. O fator determinante para isso é o clima, com chuvas insuficientes em grande parte da área a ser cultivada.

    A semeadura da safra de soja no Brasil começou com bom ritmo, mas os estados ao Sul, com destaque ao Paraná, sofreram com o clima e os trabalhos reduziram a intensidade. 

    Até 26/11, a semeadura atingiu 86,1% da área estimada, na safra passada, 91,5% haviam sido semeadas (Conab). 

    Em Mato Grosso, os trabalhos praticamente foram encerrados, com 99,1% da área semeada. O clima foi favorável para a semeadura, principalmente em regiões que estavam atrasadas, onde foi necessário interromper os trabalhos. Há registro de déficit hídrico em algumas regiões.

    No Paraná, o frio incomum em novembro atrasou o progresso da semeadura, evoluindo de acordo com a colheita da safra de inverno (Deral-PR). Até 29/11, 96,0% da área esperada no estado foi semeada, na semana anterior, 92% dos trabalhos haviam sido realizados. 

    No estado, 93% das lavouras encontram-se em boas condições, com 1% em condições ruins e 6% em condições medianas. Das lavouras semeadas, 82% estão em fase de desenvolvimento vegetativo, 4% em germinação e 14% em floração. 

    Os embarques de soja em grão seguem compassados em 2022, e, em novembro, mesmo com os problemas logísticos envolvendo o escoamento da produção norte-americana, seguiram.

    Foram exportadas 2,6 milhões de toneladas de soja em grão em novembro/22, com média diária 3,0% menor que os embarques em novembro/21(132,0 mil toneladas/dia).

    Para o curto prazo (dezembro), a maior oferta norte-americana, o clima no Brasil favorecendo a safra 2022/23 e o “dólar soja” na Argentina, deverão tirar sustentação aos preços da soja em grão e quedas não estão descartadas. Os estoques menores e o câmbio elevado, porém, limitam o viés baixista.

    MILHO

    O preço do milho subiu 1,12% no acumulado do mês em Campinas-SP. Segundo levantamento da Scot Consultoria, a referência está em R$90,00 por saca de 60 quilos (30/11).  

    Apesar do avanço da semeadura da safra de verão no Brasil e da colheita nos Estados Unidos em fase final, a demanda firme, principalmente para exportação, somado aos estoques finais reduzidos, deram sustentação à cotação do cereal.

    No Brasil, a semeadura da safra de verão 2022/23 atingiu 62,6%. No Paraná, o excesso de chuvas e a baixa luminosidade têm limitado o desenvolvimento da cultura e atrasado a semeadura, comparado à safra passada.

    Do lado da exportação, em novembro/22, 6,0 milhões de toneladas de milho foram exportadas, equivalente a 302,9 mil toneladas/dia, aumento de 140,6% em relação à média diária de novembro/21. No acumulado do ano, 37,2 milhões de toneladas foram embarcadas, e a expectativa é de recorde para o setor. 

    Pesam também no preço do cereal no mercado interno as preocupações quanto à oferta mundial do grão, o clima na Argentina e as menor produção ucraniana.

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    Nos Estados Unidos, a colheita atingiu 96% da área, acima dos 94% colhido na safra anterior e acima da média de 90% para as últimas cinco safras no país. A expectativa de produção no país foi elevada em 890 mil toneladas em novembro (USDA), assim, 353,84 milhões de toneladas deverão ser produzidas no país. 

    Apesar da estimativa de melhora, a produção no país deverá ser menor que os 382,9 milhões colhidos em 2021/22.

    Em curto prazo, o estoque final brasileiro baixo, a exportação aquecida (somado ao início das compras chinesas) e o câmbio elevado devem manter os preços firmes.