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    Importância da orçamentação forrageira

    O planejamento para o ano pecuário deve ser feito prevendo as principais adversidades já conhecidas dentro desse ciclo anual. O segredo do sucesso é ter um sentimento para o agora, imaginando o futuro
    Scot Consultoria
    Créditos: Aquivo
    Créditos: Aquivo

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    Forragem

    Pecuária

    A produção de forrageiras anual é marcada por momentos críticos de seca, nos quais a produção da forragem é afetada diretamente e, por consequência, a capacidade de suporte das pastagens é comprometida.

    Dessa forma, o planejamento para o ano pecuário deve ser feito prevendo as principais adversidades já conhecidas dentro desse ciclo anual. Diz-se, popularmente, que o planejamento das secas é feito durante o início das águas.

    A prática, basicamente, ocorre pela estimativa de produção da forragem ao longo do seu ciclo, a partir da previsão de produção (fornecimento de nutrientes, cultivar, clima etc.) e do consumo (senescência da planta, consumo animal ou outras perdas).

    Feita a estimativa, tem-se a ideia do saldo que pode ser “gasto” ao longo do ano para obter bons resultados, o tempo de uso e a taxa de lotação propícia à área.

    Importância da orçamentação forrageira 1

    O PLANEJAMENTO PARA O SUCESSO
    O primeiro passo do planejamento é conhecer o material que se tem em mãos, quantificando a massa inicial da sua forragem, ou o que é chamado de estoque inicial.

    Essa amostragem pode ser feita com uma moldura de área conhecida (um quadrado de 1,0 x 1,0m, por exemplo), colocado aleatoriamente na área, sendo realizado um corte da gramínea e mensurado o peso dessa área.

    A partir disso teremos a quantidade de massa verde em uma área conhecida, que multiplicada pela área total de pastagem, estima o estoque inicial de pastagem.

    Com esse dado em mãos, o passo seguinte é quantificar a quantidade a ser “perdida”, ou pela ingestão do animal, ou pela senescência da planta.

    Sua determinação pode ser mais complexa, pois depende de estádios de desenvolvimento do animal (idade), categoria, dinâmica de população, entre outros.

    Atualmente diversos softwares são capazes de realizar o cálculo mais precisamente, a partir das informações necessárias, incluindo as perdas por pastejo ou afins. Mas, de uma forma comum, uma Unidade Animal (UA), consome entre 8kg a 10kg de matéria seca (MS) por dia, resultando em 2.920kg a 3.650kg de MS em um ano.

    Considerando que as perdas por pastejo podem representar até 70%, a produção necessária de matéria seca por hectare seria de 9,7 até 12,1 toneladas/ano.

    Para a ideia básica de sucesso do seu planejamento, estes dois dados conseguem dar o norteamento correto para sua estrutura e manejo. Para uma análise mais precisa, porém, há meios mais tecnológicos, como até a utilização de simuladores de produção, entre outros softwares pensantes já desenvolvidos.

    Importância da orçamentação forrageira 2

    COM O SEGREDO EM MÃOS, É HORA DE APLICAR
    A produção bovina é realizada 90% a pasto no Brasil. Ela também garante a competitividade de preços internacionais, uma vez que seu custo de produção e manutenção é menor.

    Dessa forma, a obrigação do pecuarista é entender o seu produto primário, que não é o bovino, mas sim o pasto. Sendo o bovino a matéria consequente dessa produção.

    Portanto, realizar a orçamentação forrageira, como técnica que garante o fornecimento de alimento para as diferentes épocas do ano, é uma forma de assegurar o sucesso do projeto pecuário em questão.

    Há ainda uma falta de uso dessa simples técnica em solo nacional, mesmo já tendo softwares nacionais capazes de realizarem, com boa acurácia, a captação das informações necessárias para isso. Ou isso, ou existe uma falta evidente de meios para que a informação chegue de maneira correta até o produtor.

    • Pedro Gonçalves, engenheiro agrônomo

    Referências bibliográficas
    Barioni, L. G., Tonato, F., Albertini, T. Z., Orçamentação forrageira: revisitando os conceitos e atualizando as ferramentas . Manuscrito para o 26º simpósio de Manejo de Pastagem, 2011.
    Barioni, L. G.; et al., Planejamento e Gestão do uso de Recursos Forrageiros na Produção de Bovinos em Pastejo. In: simpósio sobre manejo da pastagem, 20; 2003. Piracicaba: FEALQ, p. 105 – 153, 2003.
    Pedreira, C. G. S.; Pedreira, B. C.; Tonato, F., Quantificação da massa e da produção de forragem em pastagem . In: Fundação de Estudos Agrários. (Org.). Teoria e prática da produção animal em pastagens. Piracicaba: FEALQ, 195-216, 2005.
    Rolim, F.A. Estacionalidade de produção de forrageiras. In: Peixoto, A.M.; Moura, J.C.; Faria, V.P. (Ed.). Pastagens: Fundamentos da exploração racional. Piracicaba: FEALQ, p. 533-566, 1994.