Manejo de cocho no confinamento de bovinos

Um bom manejo de cocho pode simplificar a tomada de decisão, aumentar a eficiência e reduzir custos de produção

Pecuária

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O confinamento de bovinos é um sistema de produção intensivo que visa a terminação dos bovinos durante o período mais seco do ano (entressafra do capim), como forma de aliviar os pastos na época seca do ano.

Por ser uma estratégia de alto investimento e risco, todos os pontos que envolvem a atividade devem ser analisados. O planejamento é essencial para se obter os resultados esperados.

Nesse sentido, o pecuarista precisa “fazer conta” considerando as questões de mercado, como os custos de produção (dieta, boi magro e operacional) e o preço de venda da arroba do boi gordo.

Veja neste artigo as considerações e estimativas de resultados econômicos do confinamento em 2021 ( https://conecta.deere.com.br/noticias/pecuaria/confinamento-e-rentavel-em-2021 ).

Além da questão de mercado, alguns cuidados técnicos são imprescindíveis, como a formação de lotes homogêneos de animais, a execução de protocolos de adaptação na entrada do confinamento, o manejo sanitário, o manejo alimentar a ser adotado, entre outros.

Neste artigo, discutiremos sobre o manejo de cocho, técnica de manejo alimentar que visa diminuir as flutuações no consumo de ração pelos bovinos, por meio do planejamento e do controle do fornecimento da dieta, possibilitando reduzir os desperdícios de alimento e uniformizar o lote de animais.

Quais são os critérios quanto às instalações nos confinamentos?

Antes do pecuarista planejar o manejo de cocho, é primordial que as instalações sejam adequadas ao sistema.

Os cochos devem garantir que os animais tenham acesso à comida para atingirem os ganhos esperados. Na sua construção, o espaço adequado é de 50 a 70 cm por animal, a depender do tamanho do lote e da categoria animal confinada.

Podem ser feitos de madeira, concreto ou plástico e, como é comum algum animal cair dentro do cocho e ficar preso, podem ser instaladas barras transversais de ferro ou madeira ao cocho, que impedem que os animais fiquem encaixados se caírem sobre o cocho e ajudam a reduzir a competição por alimento.

Já com relação aos bebedouros, devem estar limpos para garantir a qualidade da água, e a quantidade deve ser calculada para, no mínimo, três dias e deve-se levar em conta o consumo diário de 80-100 litros de água por animal (EMBRAPA). O acesso dos 
animais deve ser facilitado.

Os corredores para o trânsito de tratores, caminhões e vagões misturadores que efetuam a alimentação dos animais devem possuir largura suficiente para tal, facilitando o trato.

Veja na figura abaixo um esquema com alguns detalhes para um curral de confinamento com capacidade para 50 animais.
Fonte: EMBRAPA

Como realizar corretamente o manejo de cocho?

Primeiramente, antes da ração matinal, todos os cochos devem ser limpos, retirando os resíduos do dia anterior que estão fermentados e podem prejudicar o consumo.

O controle de alimentos deve ser realizado por lote, número de refeições e quantidade por refeição. No Brasil, comumente os animais confinados recebem de duas a quatro refeições ao dia. Imaginando um manejo com três refeições, 30% do alimento pode ser oferecido no início do dia, 20% no meio do dia e 50% no trato final do dia, ressaltando que o fornecimento dos tratos deve ser sempre no mesmo horário, já que os bovinos se acostumam com uma rotina de trato com horários fixos.

Como há variáveis envolvidas na produção, o manejo de cocho adequado permite que a frequência e quantidade de alimento a ser ofertado sejam ajustadas corretamente.

Para isso, a leitura de cocho é a ferramenta mais indicada, onde é avaliada a quantidade de sobras de ração na linha de cochos antes do primeiro trato, que normalmente ocorre pela manhã.

A leitura pode ser feita rotineiramente através de um sistema de notas para os cochos, relacionando a cada uma delas uma ação a ser tomada. As notas vão de -2 a +2. Por exemplo: para um cocho limpo ou "lambido" =- 2; cocho com pouquíssima sobra= -1; cocho com pouca sobra= 0; cocho com sobra visível= +1 e cocho com muita sobra= + 2. O cocho com a nota -2 significa que faltou comida, e um com a nota +2 significa que a oferta de alimento está excessiva.

É recomendado que em casos em que houve falta de comida, pode-se aumentar a quantidade de alimentos em cerca de 300 a 500 gramas de matéria seca por animal por dia, no máximo. Já em casos em que a quantidade está acima do desejado, a recomendação é que reduzir o fornecimento em 300 gramas de matéria seca por animal por dia e continuar observando o cocho.

É importante que a oferta seja aumentada gradualmente, nunca em dias consecutivos, evitando problemas metabólicos nos animais.

Outro ponto importante no manejo de cocho é a observação do comportamento dos bovinos. Pesquisas sugerem que, no momento do trato, 25% dos animais estejam enfileirados na linha do cocho, 50% estejam de pé e se dirigindo ao cocho e 25% devem estar se levantando. A observação do comportamento deles dirá muito sobre a leitura de cocho: cocho limpo não significa que os animais estão passando fome, mas cocho lambido, ou todos animais na beirada do cocho e/ou agitados esperando o alimento, é um indicativo claro.

Lembre-se de manter tudo registrado!

Para que manejo de cocho seja eficiente, é importante que os registros de dados sejam atualizados frequentemente. Uma boa planilha de leitura de cocho deve conter: número do piquete ou baia; número do lote; número de animais; peso de entrada; peso atual estimado; dias em alimentação; dias na dieta atual; indicações de cocho limpo; quando o cocho foi limpo pela última vez; quantidade de alimento oferecido nos últimos 5 dias; e as notas atribuídas na leitura do cocho.

As medidas a serem tomadas não devem contar somente com um dado isolado, de apenas um dia, mas sim, basear-se no histórico de um período, observando-se a forma de evolução do consumo dos animais.

Referências
Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
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