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    Melhoramento genético animal: bovino de corte

    Continue sua leitura e entenda do que se trata, quais os benefícios e tendências do melhoramento genético de bovinos de corte
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    Divulgação: Arquivo.
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    Você já parou para pensar no quanto a pecuária evoluiu nos últimos 50 anos? Já refletiu sobre a qualidade da carne e a rapidez que alcança um animal pronto para abate comparado a algumas décadas atrás? Isto não aconteceu por acaso. Este avanço se deve, entre tantos outros fatores, às mudanças no manejo, nutrição, sanidade, bem-estar e também ao melhoramento genético, que reflete diretamente na eficiência de produção da pecuária moderna. E é justamente este o assunto do nosso artigo de hoje. Continue sua leitura e entenda do que se trata, quais os benefícios e tendências do melhoramento genético de bovinos de corte

     

    Texto: Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e Redatora do Portal Agromulher

     

    O Brasil está entre os maiores produtores de carne bovina do mundo e ocupa o posto de maior exportador mundial . Esta posição se deve a inúmeros fatores como melhoria da sanidade do rebanho e da nutrição, aprimoramento do bem-estar animal e aumento da produção buscando foco na produtividade, além da expansão das indústrias frigoríficas. E diante da representatividade deste setor para o agronegócio brasileiro, é de suma importância que tecnologias e pesquisas sejam difundidas para o setor produtivo, a fim de que seja garantida a sustentabilidade e eficiência da pecuária nacional.

     

    Neste processo evolutivo, o melhoramento genético começou a chegar até às fazendas e mudar o cenário produtivo da pecuária de corte brasileira.

     

    Mas o que é o melhoramento genético de bovinos?

     

    O melhoramento genético de bovinos é um processo contínuo de seleção e de reprodução dos animais com as características desejadas para um determinado objetivo, a fim de melhorar a qualidade da próxima geração e tornar a produção mais eficiente e lucrativa.

     

    A eficiência dos sistemas de produção está extremamente relacionada com a composição genética dos rebanhos. E é possível realizar a melhoria desta composição genética por meio de seleção e de sistemas de acasalamento .

     

    De forma prática e bem simplificada, a seleção é o processo de escolha parental da próxima geração, com base em características desejadas para a prole. E já o sistema de acasalamento consiste na definição de quais touros serão acasalados com quais vacas.

     

    O melhoramento genético permite então selecionar e acasalar os melhores animais para geração de determinadas características, como por exemplo o ganho de peso médio diário (GMD) ou a idade ao primeiro parto, no caso do sistema de cria (produção de bezerros).

     

    Na década de 70, por exemplo, a idade de abate dos bovinos no estado de São Paulo era de 45 meses. O objetivo da seleção naquele momento era reduzir a idade de abate dos novilhos de corte. Assim como foi neste caso, o objetivo de seleção é definido para cada situação. E a partir daí são definidos os critérios de seleção que serão observados e mensurados nos indivíduos candidatos naquela seleção.

     

    Diversos podem ser os objetivos do melhoramento genético de bovinos. Entre eles podemos citar:

    ·        Redução da idade ao primeiro parto e outras características de reprodução;

    ·        Redução da idade de abate;

    ·        Aumento da eficiência alimentar;

    ·        Longevidade;

    ·        Resistência a doenças e parasitas;

    ·        Qualidade da carne.

     

    A definição do objetivo é o primeiro passo do processo de melhoramento. Afinal, o melhoramento genético é desenvolvido para aumentar a eficiência dentro da cadeia produtiva. E por isso o objetivo precisa ser definido desde o princípio com clareza e assertividade, até porque não existe o animal que atende a todos os critérios de seleção. Dessa forma estes objetivos direcionam a definição dos critérios de seleção assim como o restante do processo.

     

    Quais são os critérios de seleção?

    Em geral, as características avaliadas como critérios de seleção  nos programas de melhoramento genético são:

    • Crescimento:  neste critério são considerados peso ao nascimento (relacionado com a facilidade de parto); ganho de peso no período pré e pós desmama; habilidade materna (avalia o ganho de peso dos bezerros devido a habilidade das mães em produzir leite).

     

    • Produtividade e qualidade da carne:   acabamento de carcaça; marmoreio e maciez da carne.

     

    • Fertilidade e precocidade sexual:  neste critério são avaliados perímetro escrotal; idade ao primeiro parto; probabilidade de parto precoce (3P); período de gestação; produtividade da vaca (kg de bezerro/vaca/ano) e a permanência da matriz no rebanho com capacidade produtiva.

     

    • Eficiência alimentar : consumo alimentar residual (CAR).

     

    • Características morfológicas:  conformação; precocidade e musculosidade. 

     

    Estes critérios são avaliados a depender do objetivo do programa de melhoramento para aquela determinada seleção. Por exemplo, se o objetivo é redução da idade ao primeiro parto, os critérios de crescimento e fertilidade e precocidade sexual terão um peso maior na seleção e no sistema de acasalamento para este fim.

     

    Um grande desafio da pesquisa voltada para pecuária de corte no Brasil é a diversidade dos fatores ambientais. Isso reflete diretamente na produção bovina. Afinal, animais que são bons para o sistema a pasto nem sempre têm o mesmo resultado em confinamento. Isso ressalta o quanto a interação genótipo/ambiente também é importante. Diante disso, é indicado um programa de melhoramento genético relacionado à eficiência dos animais no sistema que ele se encontra.

     

    Quais as vantagens do melhoramento genético em bovinos de corte?

     

    Entre todos os benefícios e vantagens trazidas pela chegada do melhoramento genético na bovinocultura de corte, podemos destacar as seguintes:

    ·        Melhoria no ganho de peso – animais selecionados com melhor genética possuem um processo de engorda mais produtivo. Com isso, é possível acelerar as etapas até o abate;

    ·        Diminuição do custo de produção – a eficiência no ganho de peso e melhor conversão alimentar, reduzindo a necessidade de elevados insumos de engorda, otimizando recursos como água, pastagem, ração e outros insumos por meio do melhor aproveitamento;

    ·        Carne de melhor qualidade para o consumidor final;

    ·        Melhoria da fertilidade do rebanho – seleção dos melhores reprodutores e matrizes além de evidenciar os animais mais precoces;

    ·        Melhoria da relação custo/benefício – há uma redução do custo de produção por unidade de produto com a redução do intervalo entre as gerações;

    ·        Aumento da lucratividade ; entre outros.

     

    Quais biotecnologias são aplicadas ao melhoramento?

     

    O avanço dos estudos genéticos permitiu o surgimento de biotecnologias que são atualmente aplicadas ao melhoramento genético. Atualmente, existem três técnicas que são comumente buscadas pelos pecuaristas a fim de adotar genética de qualidade para o seu rebanho. São elas: 

    ·        Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) – é uma técnica que promove a sincronização da ovulação das fêmeas bovinas por meio de medicamentos em dias predeterminados. Esta sincronização permite uma regulação também dos partos em períodos considerados “ideais” para o nascimento dos bezerros, gerando também maior facilidade de manejo da cria.

    ·        Fertilização in vitro (FIV) – é uma técnica utilizada para realizar, em laboratório, a fecundação dos oócitos coletados das fêmeas doadoras pré-selecionadas, com sêmen bovino de alta qualidade.

    ·        Transferência de embriões (TE) - foi introduzida com o objetivo de aumentar a capacidade de a fêmea de produzir óvulos férteis, aumentando consequentemente o número de descendentes. A partir dela é possível selecionar zootecnicamente as doadoras, coletar e selecionar os embriões. 

    Cada técnica destas citadas acima são aplicadas em determinada realidade dentro do melhoramento genético bovino. Sem dúvida, a IATF é uma biotecnologia que tem sido bem difundida e consolidada em muitas regiões do Brasil, por ser uma técnica aplicável e possível de ser adotada em larga escala dentro das fazendas. E todo esse progresso é resultado de muito trabalho dos melhoristas, pesquisadores, técnicos e produtores.

    O melhoramento genético vem acompanhado de muitos estudos e novas práticas também no que diz respeito a outras áreas como nutrição, bem-estar animal, manejos e sanidade. E o resultado de todo este esforço é a evolução que visualizamos ao longo das últimas décadas quando analisamos o cenário da pecuária de corte no Brasil. Um conjunto de esforços com um único objetivo: tornar a atividade cada vez mais rentável, inteligente e sustentável.